sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

MARQUE NA SUA AGENDA - CONVITE DA CÂMARA MUNICIPAL DE PALMELA


A CÂMARA MUNICIPAL DE PALMELA E O AUTOR
CONVIDAM-NO
PARA A APRESENTAÇÃO DO LIVRO
TAMBWE - A UNHA DO LEÃO
A SESSÃO TERÁ LUGAR NO DIA 17 DE FEVEREIRO,
ÀS 21 HORAS,
NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE PALMELA,
NO LARGO DE S. JOÃO Nº6
EM PALMELA
O LIVRO SERÁ APRESENTADO PELA
DRª ANITA VILAR.
VIAGEM MUSICAL COM O SAXOFONISTA
RAFAEL LOPES.
LEITURA DE EXCERTOS DO LIVRO POR
CECÍLIA NUNES.
EXPOSIÇÃO DAS ILUSTRAÇÕES
DO PINTOR
NUNO DAVID

ILUSÕES DE ÓPTICA

MÚSICA PARA O SEU FIM DE SEMANA - CRISTINA BRANCO - NÃO HÁ SÓ TANGOS EM PARIS

VIAGEM PELO MUNDO EM PORTUGÊS - LUSOTOPIA DE CARLOS FONTES


Uma Viagem pelo Mundo em Português

ARGENTINA-PORTUGAL.

A Argentina é um daqueles países cuja história esteve durante séculos ligada a Portugal, pelos bons e maus motivos.

Foram os portugueses que denominaram de Rio da Prata o rio que ali desaguava vindo da Serra da Prata (Colombia).O nome acabou por se adoptado pelos espanhóis.

O poema onde surge pela primeira vez o nome de Argentina foi publicado em Lisboa. Em 1860, a república que entretanto se formara, adoptou o nome de Argentina, nome que deriva do latim "argentum" (prata).

Descobridores, Conquistadores e Cartógrafos

A Argentina foi descoberta por portugueses, que também a exploraram e cartografaram.

- Gonçalo Coelho, em 1501 e 1503, foi o primeiro europeu a descobrir o Uruguai e a Argentina. Foi enviado duas vezes por D.Manuel I para a América do Sul a fim de explorar região, tendo chegado até ao extremo sul do continente. Alguns historiadores mais imaginativos, atribuem o comando da segunda expedição a Américo Vespúcio, um puro delírio.

- João de Lisboa, em 1511/2, a mando de D. Manuel I numa nova expedição percorre toda a costa da argentina, explorando o rio da Prata.

- João Dias de Solis (Juan Díaz de Solís , c.1470-1516), português ao serviço do rei de Espanha, em 1515, comanda uma expedição ao Rio da Prata, numa reacção espanhola a anteriores expedições de Portugal. Este navegador tem sido falsamente identificado falsamente como espanhol. Trata-se de um piloto muito experiente. Trabalhou até 1505 como cartógrafo ao serviço da Casa da India, em Portugal. Depois de ter assassinado a mulher, fugiu para Espanha (1507), tendo participado com Vicente Yáñez Pinzón e Américo Vespucio na Junta de Burgos (1508). No ano seguinte, participa numa viagem à América Central para procurar um estreito de ligação ao Oceano Pacífico (1509).

O embaixador português, em 1510, informa D. Manuel I que Solis vivia em Espanha com o seu irmão João Henriques, outro experiente navegador. O relato deste embaixador é muito claro quanto à sua nacionalidade portuguesa.

Em 1512 sucede a Vespúcio como Piloto-Maior na Casa da Contratação. Em 1515 comanda a expedição espanhola ao extremo sul do continente, numa reacção à expedição anterior que os portugueses haviam feito sob o comando de João de Lisboa (1511/2). Explorou o estuário até à Ilha Martín García e o Rio Solís, onde morreu. Os sobreviventes desta expedição foram depois resgatados por uma expedição portuguesa quando andava a explorar o mesmo rio...

- D. João III, rei de Portugal, desde o inicio do seu reinado, em 1521, que se bateu pela conquista do Rio da Prata, tendo enviado para a região várias expedições. Durante vários anos argumentou que a região estava dentro dos limites definidos no Tratado de Tordesilhas, apoiado em mapas produzidos por cartógrafos portugueses a deformaram os mapas da América do Sul para justificarem esta pretensão. Depois de 1534 começou a impor-se a ideia de expandir o território brasileiro para sul, de forma a aproximar-se do Rio da Prata.

- Fernão de Magalhães

- Aleixo Garcia. Participou em 1515 na expedição de Solis, voltou à Argentina em 1525, para dirigir uma expedição de exploração do Rio da Prata, tendo atingido a actual Bolívia. Estabeleceu desta forma a célebre Rota da Prata, que ligava Buenos Aires a Potosi. João Parias

- Francisco Pacheco, em 1525-1526, com Gonçalo da Costa exploraram o Rio da Prata, tendo regressado a Portugal em 1527.

- A expedição do genovês Sebastian Cabot, em 1527, ao Rio da Prata, ao serviço dos reis de Espanha, contou pelo menos 8 portugueses, entre os quais se destacam: Jorge Gomes (piloto), Rodrigo Alvarez (piloto) e Francisco César, mais tarde conquistador da Antioquia (Colombia), tenente general de Pedro Heredia.

- Pero Lobo Pinheiro, em 1531, comandou uma expedição terrestre com mais de 80 homens tendo sido mortos região da foz do rio Iguaçú com o rio Paraná.

- Martim Afonso de Sousa, em 1531, comandou uma grande expedição portuguesa de observação ao Rio da Prata, tendo atingido a Ilha Martim Garcia (Santa Ana, em português). Entrou pelo Rio Uruguay até ao forte espanhol de San Salvador. Regressou ao cabo de Santa Maria (La Paloma, Uruguay), regressando depois a Portugal. A suas observações confirmaram que a região não pertencia de facto a Portugal, mas a Espanha. Uma informação que foi mantida em segredo.

- Simão de Alcaçova (Simon de Alcazaba) y Sotomayor. Um traidor português que ao serviço de D. Manuel I explorou as Ilhas Molucas. Carlos V procurou que fosse comandante das Armada que iria verificar os limites de Tordesilhas. Devido à influência de D. João III é afastado do comando da expedição. Carlos V autorizou-o a explorar a Patagónia (Argentina) (1534/5). Nesta expedição levava consigo vários portugueses, como Nuno Alvares. Chegado á patagónia fez-se jurar governador e capitão general, tendo acabado assassinado.

- A expedição de Pedro de mendonza, primeiro governador espanhol do Rio da Prata, em 1535, contou com pelo menos 38 portugueses, entre os quais 4 eram pilotos: Estevão Gomes, João de Leão, Jacome de Paiva e .

A listagem é infindável e abrange todas as expedições espanholas neste continente, o que mostram o envolvimento dos portugueses na construção do Império espanhol, e nas suas atrozes matanças de indios.

A cartografia da região ficou a dever-se ao trabalho dos portugueses, entre eles destaca-se: Diogo Ribeiro (Diego Ribero) . Em 1525 fez a primeira carta da circum-navegação do mundo, incluindo o contorno do extremo sul do continente americano e o estreito de Magalhães (cujos navios tinham regressado em 1521). Diogo Ribeiro era cosmógrafo, cartógrafo e fabricante de engenhos náuticos, para além de um profundo conhecedor da construção naval fora contratado em 1523 para a Casa de Contratación de Sevilha. Foi o criador da cartografia moderna espanhola.

Povoadores
A presença de portugueses na região foi sempre uma constante. O seu objectivo era controlar a foz dos rios ao longo da costa da América do Sul até ao rio da Prata, mas também através do contrabando controlar o escoamento das riquezas que vinham das minas de prata do Peru.

Esta foi a região onde a restauração da independência de Portugal, em 1640, menos se fez sentir porque os argentinos encontram formas de contornar as proibições impostas pela corte espanhola.

Na foz do rio da Prata, os portugueses no final do século XVII, acabaram por criar uma colónia .- em Sacramento -, génese de um novo país, o Uruguai.

Buenos Aires

A comunidade portuguesa em Buenos Aires, superava nos séculos XVI e XVII a espanhola, um facto que nunca deixou de preocupar os governadores espanhóis, dada importância estratégica da cidade no "Rio de la Plata".

No período de ocupação de Portugal pela Espanha (1580-1640), os portugueses aproveitam para em grande número se instalarem nas colónias espanholas, incluindo a Argentina. O seu principal objectivo foi dominarem a Rota da Prata entre Buenos Aires e Potosi (Bolívia). Na mesma altura, aproveitaram para expandirem o território brasileiro.

San Miguel de Tucamán
Os portugueses instalam-se em grande número nesta cidade, situada junto ao rio da Prata. Graças à sua enorme mobilidade e competência, transformam-na num importante entreposto comercial, da partir do qual distribuem mercadorias para cidades tão distantes como Santiago do Chile ou Potosi.

Um dos símbolos deste dinamismo comercial foi o célebre bispo português Frei Francisco de Victoria, envolvido em todo o tipo de negócios. Em 1585, por exemplo, em associação com o comerciante português Lope Vázquez Pestaña, organiza uma expedição ao Brasil para obter mercadorias, sacerdotes, ornamentos e escravos para serem distribuídos no Rota da Prata.

Cordoba

O crescimento de Cordoba está ligado ao comércio internacional criado na região, no final do século XVI, pelos portugueses.

Santiago del Estero

A prosperidade da comunidade portuguesa nesta cidade, não deixou de gerar a inveja dos espanhóis. Em 1625, o mercador português - João da Cunha de Noronha (Juan Acuña de Noronha), residente nesta cidade é queimado vivo num Auto de Fé pela Inquisição de Lima.

Salta del Tucamán
Entre os muitos portugueses na cidade, destaca-se José de Medeiros, filho de um português. Nasceu na cidade portuguesa de Sacramento (Uruguai). Em 1810 exerceu o cargo de governador da Intendencia de Salto.

Comerciantes

Os portugueses, criadores do capitalismo comercial à escala global, em finais do século XVI deram ao comércio regional da Rota da Prata, uma dimensão internacional. Aqui vendiam produtos que traziam de todo o mundo (Brasil, África, Europa e Oriente), tendo um papel destacado no abastecimento dos distritos mineiros do Alto Peru.

Por mais proibidos que tenham sido, até aos anos 30 do século XVII, o portugueses dominam o comercio no Rio da Prata. O seu enorme poder não tarda a suscitar uma feroz por parte da Inquisição

Contrabandistas
A lucrativa Rota da Prata aberta e explorada pelos portugueses, tornou-se sobretudo depois de 1594 num dos mercados mais florescentes de contrabando.

A cidade de Buenos Aires desenvolveu-se em grande parte devido a este tráfego clandestino dos portugueses. Os espanhóis tentaram por todos os meios proibi-lo, mas todas as medidas eram em vão.

Negreiros
À semelhança do que ocorreu em todas as colónias espanholas, os portugueses não apenas dominavam o comércio, mas também o tráfico de escravos. Buenos Aires tornou-se na porta de entrada de escravos, a maioria dos quais vinham do Brasil e de Angola (1), os quais eram depois enviados para outros centros.
Em Cordoba funcionou um importante mercado negreiro. A partir de 1596, o reino do Chile, começou a abastecer-se de escravos nesta cidade.
Uma parte destes negros ficam na própria Argentina. O Censo da População de 1778, por exemplo, registava que só na cidade de Cordoba, num total de 44.052 habitantes, cerca de 60% eram negros, mulatos ou mestiços. Em Tucumán representavam 64%; Santiago del Estero, 54%; Em Catamarca, 52%; Em Salta, 46% e em Buenos Aires cerca de 30%.

Gauchos

A criação de gado na região foi introduzida pelos portugueses, em meados do século XVI, primeiro no Uruguai (Banda Oriental) e depois na Argentina, perto da Quilmes (Buenos Aires).

As primeiras cabeças de gado chegaram ao Uruguai, em 1555, vindas de São Vicente (Brasil).

A maioria dos gauchos até fins do século XVIII eram portugueses. O termo gaucho deriva do português gaudério, isto é, pessoa sem trabalho definido, sem familia, vagabundo, malandrim, desavergonhado, gatuno, meliante, ladrão. Fixaram-se na Banda Oriental do Rio da Prata, tendo-se dedicado à criação de gado, auxiliados pelos indios locais. Muitos deles optaram por esta vida para fugirem às perseguições da Inquisição (2).

Uma das suas fontes de rendimento era o contrabando de gado e de peles, nomeadamente para Buenos Aire. Os seus enormes rebanhos atravessavam o Rio do Uruguai, os territórios dos indios
charrúas e yaros, para desespero dos
espanhóis. Auxiliados pelos Indios minuanos, chegaram mais tarde a exportar carne para a Europa.

A fundação da Colónia de Sacramento, em 1680, constituiu uma base muito importante para as suas actividade de contrabando, o que estimulou o aumento da produção de gado, necessário para o abastecimento desta praça militar portuguesa.

A actual população gaucha é o resultado de uma mistura de portugueses, indios, africanos e espanhóis marginais. A linguagem gaucha, em Rio Grande do Sul (Brasil), Uruguai e na Argentina está repleta de palavras portuguesas.

Agricultores e Viniticultores

Os portugueses não apenas se distinguiram como grandes agricultores, mas também foram os introdutores da produção de vinho na Argentina.

Em 1608, Melchor Maciel, um jovem português, com apenas 21 anos, envolvido no contrabando entre Buenos Aires e Brasil comprou terras nas actuais localidades de Don Bosco e Bernal (Magdalena). Em 1635 inicia a produção do conhecido "vino de la costa" ou "patero", devido a estar perto da costa e do Rio da Prata. No século XVIII, em San Juan, os portugueses destacam-se entre os produtores.

Inquisição
As poderosas redes de cumplicidade que os portugueses possuíam em Buenos Aires, mas também em Cartagena (Colombia) evitaram-lhes inúmeras perseguições da Inquisição espanhola. No entanto muitos não conseguiram fugir às suas garras. João Rodrigues Estrela (Juan Rodriguéz Estela), nascido em Lisboa em 1614, residente em Buenos Aires desde 1634 a 1673, acabou por ser morto em Lima num Auto de Fé em 1675.

Maçonaria (Masonería Argentina)
É conhecida a enorme influência da maçonaria nos movimentos de independência da América. O fundador da maçonaria na Argentina foi um português - Juan da Silva Cordeiro - que em Março de 1803 fundou a loja maçónica - San Juan de Jerusalén de la Felicidad de esta parte de América. Cordeiro fora iniciado na loja Matritense de Madrid, e possui o grau 33 outorgado em Baltimore (1799). Os seus objectivos era lutarem pela independência e a felicidade.

Os portugueses estavam na linha da frente da luta pela independência das colónias espanholas.

Independência da Argentina
O movimento que conduziu à proclamação da Independência da Argentina, em 1816, na cidade de San Miguel de Tucamán, está ligado à comunidade portuguesa local e contou nos seus momentos decisivos com o apoio de Portugal.
Em resposta à invasão de Portugal pelas tropas espanholas apoiadas pelos franceses, em 1801, os portugueses invadiram os que hoje constituem o Uruguai e o Paraguai, criando um foco de tensão na região. As tropas espanholas ai estacionadas viram-se impotentes para travarem estas incursões, revelando a sua enorme fragilidade da região. O exemplo estava dado aos revolucionários dos povos das colónias espanholas..
Após a invasão de Portugal pelos franceses, apoiados pelos espanhóis, a corte portuguesa mudou-se para o Brasil (fins de 1807). Os portugueses promovem uma activa rebelião contra os espanhóis, atacando os seus interesses nas colónias americanas.
Acontece que a mulher do rei português D. João VI era uma princesa espanhola (Carlota Joaquina), a qual não tardou a reclamar o direito aos territórios espanhóis na América, uma vez que os franceses haviam ocupado do trono de Espanha (1808, por abdicação de Fernando VII). Portugal viu nesta acção uma forma de expandir o Brasil, incorporando novos territórios.
A maioria dos descendentes portugueses (crioulos) nascidos na Argentina, Uruguai e Paraguai, estão na linha da frente na defesa da independência destes territórios.
Após ter rebentado a revolução em Buenos Aires, a 25 de Maio de 1810, as autoridades espanholas mudaram-se em força para Montevideo (Banda Oriental), solicitando ao Consejo de Regencia espanhol o envio de um novo vice-rei, tropas e armas para reprimir o levantamento. A partir daqui ficou claro que os povos da Banda Oriental, não aceitariam unir-se aos argentinos no caso da independência se concretizar. Quando em 1816, os argentinos proclamam a sua independência em Tucamán, os povos da Banda Oriental recusaram-se a participar na formação do novo país.
É neste momento crucial que os portugueses intervém, em 1816, com a concordância dos argentinos e dos paraguais, ocupam a Banda Oriental, incluindo Montevideo (20/01/1817), levando à posterior retirada de José Gervasio Artigas Arnal (1820).
Portugal também foi o primeiro país a reconhecer a reconhecer a independência da Argentina (1821). 
João Manuel de Figueiredo foi o primeiro representante de Portugal na Argentina, e encontra-se sepultado no Panteão do Convento de "Santo Domingo".
Heróis luso-argentinos:
- Manuel Crispulo Barnabé Dorrego (1787-1828), Filho do comerciante português José António do Rego. Foi um dos heróis da independência da Argentina. Em 1827 foi eleito governador da Provincia de Buenos Aires, sendo fuzilado no ano seguinte.
Século XIX
Até finais do século XIX, os emigrantes portugueses eram sobretudo marinheiros e pequenos comerciantes, oriundos de Lisboa e Porto. A partir de então começaram a chegar emigrantes provenientes de outras regiões de Portugal (Algarve, Madeira, Açores, Guarda, Leiria, etc) que se dedicaram às mais diversas actividades. 
Século XX 

"Bem pouco ou nada sei de meus maiores / Portugueses, os Borges: vaga gente /Que prossegue em minha carne obscuramente, /Seus hábitos, rigores e temores. /Ténues como se não tivessem sido / E alheios aos trâmites da arte, /Indecifravelmente formam parte/ Do tempo e da terra e do olvido."

Jorge Luís Borges, O Fazedor.

Emigração.
A comunidade portuguesa não sendo numerosa na Argentina , não deixa de ser significativa pelos fluxos migratórios que registou ao longo do século XX:
1900/09 - 7.633 emigrantes; 1910/19- 17.570; 1920/29 - 23.406; 1930/39 - 10.310; 1940/49 - 4.230; 1950/59 - 12.033; 1960/1969 - 2.828; 1970/1979 - 251; 1980/1984 -126.
Vivem actualmente na Argentina cerca de 16.000 portugueses (cerca de 30 mil luso-descendentes) (Dados de 2004).
Durante a ditadura em Portugal (1926-1974) muitos portugueses fixaram-se neste país por razões políticas. Entre eles destaca-se o prof. António Aniceto Monteiro, ilustre matemático, exilado na Argentina em 1949, tendo leccionado na Universidade de Cuyo e depois na Universidade do Sul, em Bahia Blanca, onde criou uma biblioteca que tem hoje o seu nome.
Entre as cidades em que se estabeleceram destaca-se Buenos Aires, Rosario, Comodoro de Ribadavia (Patagónia), etc. Em algumas destas cidades constituíram importantes associações.
Patagónia. O primeiro emigrante português da Patagónia foi Sebastião Peral (1837- ). Comerciante em Buenos Aires, em 1903, resolveu aproveitar a oportunidade que o governo argentino oferecia a quem quisesse povoar a Patagónia, tendo se estabelecido em Comodoro de Rivadavia. Homem enérgico criou armazéns de mantimentos, oficinas, fábricas, a primeira biblioteca, um partido político (Partido do Povo), etc. Em 1907 esteve na origem da descoberta do petróleo na região. Não tardou em estimular outros portugueses (algarvios) a fixarem-se na Patagónia.
Depois de Comodoro os portugueses começaram a espalhar-se pela região, sobretudo ao longo do Vale do Rio Chubut. Fixaram-se em Punta Tombo, Gaiman, Puerto Madryn e Trelew, onde se situa a sua 2ª. maior comunidade (300 km de Comodoro). A sua acção foi muito importante para o povoamento e progresso desta região da Argentina.
Associações (asociacion): Associação Portuguesa S.M. de Comodoro Rivadavia (fund.1923); Associação Beneficiência e Socorros Mútuos de Trelew /Valle del Chubut; Clube Desportivo Português de Comodoro Rivadavia (fund.1961).
Em Trelew a comunidade portuguesa tem programas próprios na rádio. (cfr. Expresso, 26/11/2005).

Sítios classificados pela UNESCO: Missões Jesuítas dos Guaranis: http://whc.unesco.org/sites/291.htm; http://www.missoes.iphan.gov.br/; http://www.monumentos.org.ar/08mis/mis00.htm...

O NOSSO DECLÍNIO VESTE PRADA


O nosso declínio veste Prada
09 Fevereiro 2012 | 23:30
Pedro Santos Guerreiro - psg@negocios.pt
 

No fundo, a Europa sente-se humilhada. Tornou-se a anedota do mundo. Está falida, falhada e fechada na cave onde já foi feliz. É a China, é claro. É a China, é o Qatar, são as prodigiosas ditaduras petrolíferas. E é, em Portugal, o Brasil e Angola. Sim, Angola, como bem disse Martin Schulz. A Europa está a ser comprada, Portugal está a ser vendido. A propriedade. E um modo de vida.
No fundo, a Europa sente-se humilhada. Tornou-se a anedota do mundo. Está falida, falhada e fechada na cave onde já foi feliz. É a China, é claro. É a China, é o Qatar, são as prodigiosas ditaduras petrolíferas. E é, em Portugal, o Brasil e Angola. Sim, Angola, como bem disse Martin Schulz. A Europa está a ser comprada, Portugal está a ser vendido. A propriedade. E um modo de vida.

Há dois dias, o embaixador José Cutileiro aqui escrevia: desde 1890 que não se via fervor patriótico generalizado como este. Outro inimigo externo, o (também credor) britânico, unira-nos na nossa desgraça contra o vilipêndio e a subjugação. Uns vinte anos antes, Antero de Quental proclamara as "causas da decadência dos povos peninsulares". Essa geração, a de Antero e Herculano, pasmaria com o que passámos a chamar de declínio. Ou talvez não.

Já voltamos a Portugal, comecemos pela Europa. Há mais de uma década que previmos a emergência de pelo menos quatro países, os então BRIC. Nunca topámos na probabilidade simultânea do nosso próprio declínio. Nós, os do mundo ocidental, vivíamos em luxuosos castelos financiados por um sistema financeiro que capturou a política, que por vício ou cegueira se aninhou fascinada com esse novo progresso. Não o agrícola, não o industrial - o financeiro.

Esse deslumbramento alimentou essa espécie de aristocracia de "club". E assim a Europa não se abriu, cometendo o possível erro histórico de excluir a Turquia. E assim a Europa não se uniu, vetando constituições federalizantes. E assim a Europa, a maior economia do mundo, se manteve uma soma de pequenas unidades políticas.

Quando há três anos o G20 se reuniu em Londres, os europeus perceberam que a reunião era histórica e receberam eufóricos Barack Obama como uma estrela de rock, na primeira viagem do presidente ao nosso continente. Foi mesmo uma reunião histórica, mas por outra razão: O senhor Hu Jintao passou da fila de trás para o centro da fotografia. O regime comunista foi agraciado, o comércio fora aberto, os direitos humanos e a democracia tornaram-se uma circunstância. As razões? Económicas.

O FMI vai pedir dinheiro ao Brasil para a Europa, a Europa suplica apoio à China. Depois, fica incomodada com esse dinheiro se, em vez de ajuda, é investimento. A ingenuidade é enternecedora. O caminho não tem retorno. A Europa é o aristocrata falido que começa a vender os ouros com enfado e acaba a pedir um abrigo digno a quem lhe compra a casa hipotecada. Só agora é que se apercebeu da evidência? A China pode tornar-se a maior potência mundial ainda nesta década.

Agora Portugal. Sem proselitismos, entronizámos o investimento chinês. Ainda bem. E procuramos salvação nessa geografia que é a lusofonia, que tem no Brasil e em Angola (e doravante em Moçambique) o destino das nossas necessidades e ansiedades. Ontem, o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, falou de Angola, e fez bem. Fez muito bem.

Só uma ferida aberta dói quando se lhe põe dedo. Angola é uma oportunidade e é um problema. A oportunidade é o investimento, a exportação, o comércio, o dinheiro. O problema é a opacidade dos investidores, atrás de cortinas impenetráveis baseadas em paraísos fiscais financiados por bancos portugueses. O problema são os desequilíbrios políticos, as contrapartidas, a falta de vistos e de pagamentos. O problema é a forma pacata e temente como vemos Angola comprar os centros de poder da banca e da comunicação social sem um só pronúncio de exaltação. Há demasiado medo em fazer perguntas a outros que não hesitamos em fazer a nós mesmos. De onde vem o dinheiro? Ao que vêm? Deviam ser perguntas simples, não ofensivas.

O investimento estrangeiro, chinês e angolano é bem-vindo desde que cumpra as regras de dignidadade humana e social pelas quais lutámos neste continente em declínio. Não, não é um problema de aristocracia, é um problema de democracia. Quando não há democracia, só sobra a ética.


psg@negocios.pt

HUMOR EM TEMPO DE CRISE



- Bom dia, é da recepção? Eu gostaria de falar com alguém que me desse informações sobre um doente internado. Queria saber se a pessoa está melhor ou se piorou...

- Qual é o nome do doente?

- Chama-se Celso e está no quarto 302..

- Um momentinho, vou transferir a chamada para o sector de enfermagem...

- Bom dia, sou a enfermeira Lourdes...O que deseja?

- Gostaria de saber a condição clínica do doente Celso do quarto 302,por favor!

- Um minuto, vou localizar o médico de serviço.

- Aqui é o Dr. Carlos. Em que posso ajudar?

- Olá, doutor. Precisava que alguém me informasse sobre a saúde do Celso que está internado há três semanas no quarto 302.

- Só um momento que eu vou consultar a ficha do doente... Hummm! Aqui está: alimentou-se bem hoje, a pressão arterial e o pulso estão estáveis, responde bem à medicação prescrita e vai ser retirado da  monitorização cardíaca amanhã. Continuando bem, o médico responsável assinará a alta em três dias.
- Ahhhh, Graças a Deus! São notícias maravilhosas! Que alegria!

- Pelo seu entusiasmo, deve ser alguém muito próximo, certamente da família!?

- Não, sou o próprio Celso telefonando aqui do 302! É que toda a gente entra e sai deste quarto e ninguém me diz porra nenhuma. Eu só queria saber como estou....

O PATERNALISMO ALEMÃO E OS SEUS REFÉNS - O VÍDEO DA POLÉMICA - VICTOR GASPAR E WOLFGANG SCHAUBEL



Alemanha “sempre disse” que países cumpridores podem ter programa mais flexível

O ministério alemão das Finanças não comenta as declarações de Wolfgang Schäubel, que disse na quinta-feira ao seu homólogo português estar disposto a flexibilizar o acordo de Portugal com a troika. A única reacção conhecida até agora é de uma fonte não identificada mas descrita como sendo “dos círculos do Governo” germânico, que vinca que a Alemanha “sempre disse” que os programas de saneamento financeiro poderiam ser mais flexíveis para os países que “cumpram bem as suas reformas”.
A afirmação é citada nesta sexta-feira pela edição alemã do Wall Street Journal, num dos múltiplos artigos publicados pelos media germânicos a propósito do vídeo que foi divulgado na quinta-feira. Nessa gravação decorre uma conversa, em voz baixa, entre Schäubel e Gaspar. As imagens e o som foram gravados quando os dois julgavam não estar a ser ouvidos, em Bruxelas, durante a reunião dos ministros das finanças europeus. Foi uma gravação feita por uma câmara da TVI.
Schäuble dizia a Gaspar que a Alemanha estava disposta a flexibilizar o programa de ajuda português, mas só depois de resolvido o problema da Grécia. “Agradecemos muito”, respondeu o ministro das finanças português.
Vítor Gaspar diz depois ao ministro alemão: “Fizemos progressos substanciais no quadro europeu.” “Sim, fizeram”, responde Schäuble.
O vídeo, que entretanto foi parar ao Youtube, mereceu também a atenção das redacções de informação na Alemanha. Na edição online da revista Spiegel, a notícia vai muito para além da disponibilidade alemã para rever o cumprimento do pacote de austeridade em troca do empréstimo internacional de 78 mil milhões de euros concedido a Portugal. “A postura corporal e o tom de Schäubel têm o seu quê de paternalista, o seu colega português está, mesmo assim, visivelmente satisfeito e agradece-lhe educadamente”, descreve a Spiegel.
No jornal Handelsblatt, especializado em assuntos económicos, o tema dá origem ao título “Depois da Grécia, segue-se Portugal”. “O plano de resgate da Grécia ainda não está fechado e, no entanto, a atenção já está virada para outro país em crise. Num vídeo, Schäubel fala pela primeira vez sobre um novo programa de ajuda a Portugal”, noticia o mesmo p+eriódico na sua edição online.
Na sequência da divulgação desta conversa, o líder do PS em Portugal, António José Seguro, veio exigir esclarecimentos ao Governo, ao passo que o ministrod as Finanças reiterou, em Bruxelas, que o Executivo português não pretende pedir nem mais tempo nem mais dinheiro para corrigir as contas públicas.
Fonte: Publico

A HIPOCRISIA ALEMÃ - DIREITOS HUMANOS?

Jornal de Notícias 09 Fev

Pedir ajuda a Angola é um perigo social, diz presidente do Parlamento Europeu

O eurodeputado Paulo Rangel vai enviar, esta quinta-feira de manhã, um pedido de esclarecimento formal ao presidente do Parlamento Europeu, ..

E NO ENTANTO ALEMANHA FAZ NEGÓCIOS COM ANGOLA
Chanceler da Alemanha visitou Angola 12-13 de Julho de 2011
A Chanceler Federal da República Federal da Alemanha, Dra. Angela Merkel visitou a República de Angola nos dias 12 e 13 de Julho de 2011. Foi a primeira visita oficial de um chefe de governo alemão à República de Angola. Em 2009 o Presidente de Angola, Eng. José Eduardo dos Santos visitou a República Federal da Alemanha como primeiro chefe de estado angolano. Durante a visita da Chanceler Federal alemã realizou-se, além dos encontros oficiais, um encontro de representantes empresariais alemães e angolanos em cooperação com a Câmara de Indústria e de Comércio alemã e o Delegado da Economia Alemã em Angola.

Eixo do Mal

Programa de TV
Nuno Monteiro Dente No entanto os alemães - a Merkel - foi a Angola e fez uma quantidade de negócios! E têm uma convenção para protecção do investimento alemão (e angolano na Alemanha) que nem Portugal tem! Será que vão dizer o mesmo da China? Mesmo depois de a Alemanha ter ´celebrado recentemente com a China negócios que ascendem a 9 biliões de euros? Estes neo-nazis são o que são!!!
há 12 horas ·
Trocas comerciais entre Angola e Alemanha abrandam nos últimos dois anos

Luanda - O comércio bilateral entre Angola e Alemanha decresceu, nos últimos dois anos, de 858 milhões de euros, em 2008, para 550 milhões, em 2009, e 491 milhões de euros, em 2010, informou hoje (quinta-feira), em Luanda, o encarregado da economia alemã em Angola, Ricardo Gerigk.

O responsável dos negócios da Alemanha disse à Angop que a queda no volume de negócios bilaterais deveu-se à crise económica e financeira mundial e também de processos de adjudicação de determinados projectos a empresas de seu país.

Segundo o interlocutor, há boas perspectivas para as trocas comerciais nos próximos tempos e já se registou, no primeiro semestre de 2011, um crescimento de cerca de 22 porcento nas relações económicas bilaterais, relativamente ao último ano.
Embora haja um registo de decréscimo na balança comercial, Ricardo Gerigk salientou que a Alemanha mantém as linhas de crédito bancário com garantias do Governo, específicas para Angola, aprovadas em 2007 e 2010.
Existe uma linha de 1.1 milhão de euros aprovados em 2007, além de 500 milhões de euros disponibilizados pela CommerzBank e de mais 250 milhões de dólares norte-americanos do Banco BHF, ambas aprovadas em 2010, pelo Conselho de Ministros da Alemanha.
Referindo-se à participação das empresas do seu país na 28ª edição da Feria Internacional de Luanda (Filda), o interlocutor disse que “Angola é um país extremamente interessante e tem muito a oferecer para as empresas alemães e de igual modo as empresas têm para Angola”.
"É uma feira de contratos e de consumidores em que existe empresas a vender desde fralda até alta tecnologia. E trouxemos aqui 15 empresas alemães de pequeno e médio porte, pois essa classe detém a grande maioria da tecnologia na Alemanha".

De acordo com o delegado da economia alemã em Angola, as grandes empresas também têm alta tecnologia, mas as pequenas e médias são mais dinâmicas e agem muito rapidamente, assim como estão bastante interessadas na parceria com empresas angolanas e foi esse um dos focos da delegação alemã que esteve em Angola.


China e Alemanha acertam acordos de mais de 10 bilhões de euros

Após assinar acordos comerciais com o Reino Unido no valor de 1,6 bilhão de euros, a China quer expandir a cooperação econômica com a Alemanha. Em Berlim, foram fechados acordos no volume de mais de 10 bilhões de euros.
Angela Merkel e Wen Jiabao em Berlim

A Alemanha e a China pretendem ampliar de forma substancial suas relações econômicas nos próximos anos. Nesta terça-feira (28/06), as equipes de governo dos dois países se reuniram para as primeiras consultas governamentais sino-alemãs. A Alemanha já mantém encontros deste tipo com outros países, como a França, Espanha, Polônia, Itália e Rússia, mas no caso da China esta é uma forma nova de cooperação bilateral.

As conversas resultaram em 14 acordos no volume de mais de 10 bilhões de euros, anunciou o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, em Berlim. Ele disse considerar possível aumentar o volume de negócios com a Alemanha nos próximos cinco anos para até 200 bilhões de euros. Porém, o premiê ressaltou que a condição para isso é facilitar o comércio entre os países. A China exige da União Europeia ser reconhecida como uma economia de mercado.

Entre os grandes projetos teuto-chineses, estão negócios com a Airbus, a Daimler, a Volkswagen e a Basf, segundo fontes da indústria alemã. A fabricante de aviões comerciais Airbus recebeu da China a encomenda de 62 aeronaves do tipo A320.

Também foi acertado que a China será o país parceiro da Feira de Hannover de 2012. Para facilitar o intercâmbio entre os dois países, será aberto um consulado geral da Alemanha na metrópole chinesa de Shenyang. Além disso, ambos os lados acertaram uma cooperação mais estreita nas áreas de justiça, proteção climática e energias renováveis.
Investimentos de grandes empresas alemãs

As montadoras Daimler e a Volkswagen receberam luz verde para investimentos bilionários na China. A Volks, por exemplo, montará duas novas unidades na China. A Daimler quer ampliar a produção de automóveis e instalar na China uma unidade para a produção de motores, cujo projeto custará 2 bilhões de euros. Já o conglomerado químico Basf investirá mais de 800 milhões de euros em um complexo em Chongqing, no centro do país, para a produção do polímero MDI a partir de 2014.

Na abertura do fórum sino-alemão, Wen ressaltou que a China vê a Alemanha como o maior exportador de tecnologia em toda a Europa. Há mais de 15 mil acordos assinados nesta área, só entre a Alemanha e a China.

A EURODEPUTADA ANA GOMES CULPA POLÍTICAS ALEMÃS


 
Eurodeputada defende Martin Schulz

Ana Gomes culpa políticas alemãs por “enfeudamento ao investimento angolano”

Por Hugo Torres

Ana Gomes lamenta venda de "infra-estruturas essenciais para a segurança nacional e europeia” ao Partido Comunista Chinês (Nuno Ferreira Santos)


A primeira reacção portuguesa de apoio às declarações do presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, chegou precisamente de Bruxelas. A eurodeputada Ana Gomes afirmou que é a “falta de solidariedade europeia” que está a submeter Portugal aos interesses angolanos. E lamentou que Passos Coelho, “sempre obediente e amestrado”, não o diga à chanceler alemã.


“Tenho a certeza que Martin Schulz, ao apontar para o risco de enfeudamento português ao investimento angolano, está a ter em mente normas básicas da União Europeia em matéria de direitos humanos, promoção de democracia, combate à corrupção, para fazer o mercado interno e as regras da concorrência, responsabilidade social das empresas”, observou, num comentário em vídeo (ver abaixo) gravado na sede do Parlamento Europeu, em Bruxelas.

“É no entanto necessário dizer a Martin Schulz e a todos os amigos alemães, a senhora Merkel incluída, que esse risco é consequência das desastrosas políticas europeias que têm sido determinadas pelo Governo alemão, que empurra Portugal e outros Estados-membros para recursos exteriores à União Europeia (UE), onde interesses contrários aos da UE podem de facto fazer perigar as possibilidades de progresso desses países e do próprio projecto europeu”, acrescentou Ana Gomes.

“É isso que se passa também em relação à China. É importante chamar à atenção (...) que é no quadro de ajustamento orçamental que nos é imposto pela União Europeia, com particulares responsabilidades da Alemanha, que Portugal está a vender infra-estruturas críticas, essenciais para a própria segurança nacional e europeia, ao Partido Comunista Chinês”, disse a eurodeputada socialista.

“É fundamental que falemos – como Martin Schulz fala – e que digamos à frau Merkel o que temos a dizer nesta matéria. E explicar em particular que é por falta de solidariedade europeia e alemã, em concreto, para resolver a crise, é por causa das receitas desastrosas que só agravam a crise que têm sido determinadas pela frau Merkel, que Portugal se vê obrigado a se sujeitar a investimentos estrangeiros, alheios à União Europeia, e a ceder o controlo de empresas estratégicas”, continuou. “Era bom que Passos Coelho dissesse isso à frau Merkel, em vez de se apresentar sempre obediente e amestrado.”

Martin Schulz, que já lamentou a “interpretação errada” das suas palavras, disse num debate sobre o papel dos parlamentos na UE, realizado a 1 de Fevereiro na Biblioteca Solvay, em Bruxelas, que “o futuro de Portugal é o declínio”. Isto depois de referir a visita-relâmpago que o primeiro-ministro português fez a Angola em Novembro, em que este admitiu ir à procura de capital angolano para as privatizações em curso.

MARTIN SCHULZ: INVEJA OU IGNORÂNCIA?


Martin Schulz: inveja ou ignorância?
09 Fevereiro 2012 | 23:30
Camilo Lourenço - camilolourenco@gmail.com


Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, criticou a crescente aproximação entre Angola e Portugal. As declarações caíram mal o que levou Schulz a retractar-se, alegando que não estava a criticar Portugal mas a Europa (pela falta de solidariedade que obriga a que Estados-membros da União se virem para países terceiros "em busca de investimentos").
Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, criticou a crescente aproximação entre Angola e Portugal. As declarações caíram mal o que levou Schulz a retractar-se, alegando que não estava a criticar Portugal mas a Europa (pela falta de solidariedade que obriga a que Estados-membros da União se virem para países terceiros "em busca de investimentos").

Não sei qual dos Schulzs é verdadeiro: se o que falou em privado (e parecia criticar o financiamento angolano) se o que falou ontem. Embora suspeite… Mas vamos admitir que era a segunda hipótese. A "tirada" de ontem não foi mais feliz do que a que fez em privado. Porque sugere que a União Europeia se deve fechar sobre si própria.

Vejamos: é condenável um país-membro procurar financiamento fora da União? De maneira nenhuma. Primeiro porque a União tem as portas abertas ao exterior. Segundo porque a União tem falta de capital. Sendo assim, só resta a Portugal (e outros países) procurar capital onde ele existe, para financiar projectos comuns ou para vender activos: em Angola, no Brasil, na China, na Índia (ainda para mais com dois destes espaços temos uma convivência de séculos e língua comuns…). Porque sem capital não há desenvolvimento económico.

Antes de falar Martin Schulz devia, também, ter meditado noutro pormenor: nem o seu próprio país recusa oportunidades de negócio no exterior. Na China, na Índia, no Brasil, em Angola (e até em sítios pouco recomendáveis). É por estas e por outras que a União se parece cada vez mais com uma aristocracia decadente: tem os bolsos vazios, mas age como se fosse um clube de ricos.

camilolourenco@gmail.com

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

CONVITE - CONFERÊNCIA PELO HISTORIADOR ERNESTO CASTRO LEAL


Ernesto Castro Leal, historiador,

profere uma conferência sobre as memórias dos portugueses que andaram na I Grande Guerra

com o tema:

Pátria e República: Memorialismo de Guerra nas edições da Renascença Portuguesa

Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012, 21h00

Biblioteca Municipal de Palmela

Entrada Livre

MARTIN SCHULZ, A ALEMANHA, PORTUGAL E ANGOLA

Seduzir Angola condena Portugal ao «declínio»

Presidente do Parlamento Europeu aponta, tal como Merkel, Portugal como exemplo daquilo que não se deve fazer na União Europeia

Apostar no investimento angolano condena Portugal ao «declínio». O aviso é do presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, que, tal como Angela Merkel fez esta semana, apontou a economia nacional como um mau exemplo, um exemplo daquilo que não deve ser feito na União Europeia.

Se chanceler alemã apontou o dedo à Madeira, relativamente ao uso de fundos estruturais para a construção de túneis e auto-estradas, Schulz criticou a visita de Passos Coelho a Angola, em Novembro, onde tentou seduzir os angolanos a investir nas privatizações nacionais.

«Há umas semanas estive ler um artigo no Neue Zurcher Zeitung que até recortei. O recém-eleito primeiro-ministro de Portugal, Passos Coelho, deslocou-se a Luanda» e «apelou ao governo angolano a que invista mais em Portugal, porque Angola tem muito dinheiro. Esse é o futuro de Portugal: o declínio, também um perigo social para as pessoas, se não compreendermos que, economicamente, e sobretudo com o nosso modelo democrático, estável, em conjugação com a nossa estabilidade económica, só teremos hipóteses no quadro da UE», afirmou Schulz, num debate sobre os parlamentos na UE, que teve lugar a 1 de Fevereiro na Biblioteca Solvay, em Bruxelas. Declarações a que o «Público» teve acesso através de um vídeo.

Com este alerta, o presidente do Parlamento Europeu quis fazer referência ao «perigo social» de uma diplomacia económica centrada em países como Angola ou como a China, uma «sociedade esclavagista, sem direitos,numa ditadura que oprime implacavelmente o seu humano».

Eurodeputado quer esclarecimentos

A posição de Schulz causou surpresa a Paulo Rangel, eurodeputado pelo PSD que adiantou ao mesmo jornal que vai fazer «um pedido formal de esclarecimento» ao presidente do Parlamento Europeu.

À Lusa, Rangel disse que «o presidente de uma instituição europeia não pode fazer uma crítica à política externa portuguesa». «Portugal é, há nove séculos, um Estado independente e há cinco séculos que tem relações privilegiadíssimas com os cinco continentes, designadamente com os espaços em que se fala a língua portuguesa».

Embora admita que as críticas do presidente do Parlamento Europeu tivessem um carácter exemplificativo, «procurando dar a entender que a Europa não está a fazer tudo o que devia e isso faz com que os países tenham de procurar soluções noutros continentes», o eurodeputado referiu não compreender a «facilidade com que se fala sobre a diplomacia portuguesa e das suas prioridades».

Por isso, «aquilo que eu vou fazer esta manhã - aliás dentro de momentos - é apresentar ao presidente Martin Schulz um pedido formal de esclarecimento. Vou pedir que ele esclareça qual o sentido das suas afirmações, explico as prioridades da política externa portuguesa - que ele, aliás, conhece».

E, reiterou, «não é institucionalmente correcto que o presidente do Parlamento Europeu, enquanto tal, possa produzir esse tipo de declarações».

Capoulas Santos, do PS, disse por sua vez que «como Estado independente, Portugal tem o direito de ter prioridades diplomáticas próprias, tal como todos os outros países».
[http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/schulz-angola-portugal-investimento-declinio-privatizacoes/1323998-1730.html]

PIEGAS A TUA TIA


SENHOR PRIMEIRO MINISTRO,
É FÁCIL FALAR DE PANÇA CHEIA,
TENTE NÃO SER PIEGAS COM A MINHA REFORMA!

COMO FAZER UM POLÍTICO TRABALHAR

O PRIMEIRO MINISTRO PIEGAS


CONVITE PRIMA FOLIA



Prima Folia convidou-te para o evento "José Manuel Palma"
José Manuel Palma
Sexta-feira, 10 de Fevereiro às 20:00
Local: Academia Problemática e Obscura - SETÚBAL

CONVITE MOVIMENTO LEVARTE ANGOLA


Movimento LevArte Angola convidou-te para o evento "Poesia à volta da fogueira - Especial: Dia dos Namorados"
Poesia à volta da fogueira - Especial: Dia dos Namorados
Sábado, 11 de Fevereiro às 17:30
Local: União dos Escritores Angolanos (Largo das Escolas)

FERNANDO PESSOA E O MAEDS


Maeds Museu convidou-te para o evento "Conferência “FERNANDO PESSOA E NÓS”"
Conferência “FERNANDO PESSOA E NÓS”
Sexta-feira, 24 de Fevereiro às 21:30
Local: Museu de Arqueologia E Etnografia do Distrito de Setúbal

DOLPHIN AND DOG - SONG OF THE SEAS BY VANGELIS

JACKIE EVANCHO - WHAT A VOICE! WHAT A SONG!!


Jackie Evancho - "The Lord's Prayer" (with Lyrics)

Meus amigos e minhas amigas, não deixem de ver este vídeo. Garanto-vos que vão emocionar-se com esta menina. Ah, e fixem o seu nome.
Beijinhos e abraços
Osvaldo Picoito

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

PIEGAS, EU?

PIEGAS, EU?


SENHOR PRIMEIRO MINISTRO
VIVO COM UMA REFORMA
DE POUCO MAIS DE 200 EUROS.

NÃO CHEGA
PARA UMA ALIMENTAÇÃO
IGUAL À SUA, 
PARA MEDICAMENTOS,
PARA O TRANSPORTE
DE AMBULÂNCIA,
PARA O GÁS,
PARA A ELECTRICIDADE,
PARAO TDT.

CHAMA-ME PIEGAS?

RESPEITE-ME!

HOMENS
MULHERES 
COMO EU
SÃO OS 
ÚNICOS
HERÓIS DESTE PAÍS.

PIEGAS, NÓS?

PIEGAS, NÓS?



SENHOR PRIMEIRO MINISTRO, 
OS PORTUGUESES DESEMPREGADOS
NÃO SÃO PIEGAS, SÃO HERÓIS.
PIEGAS É O SENHOR
QUE NÃO SUPORTA QUE O CRITIQUEM
AMUA!

QUEM DEVE PAGAR A CRISE?

O PRIMEIRO MINISTRO E OS PIEGAS

AVISO DE PASSOS COELHO - O ACORDO ORTOGRÁFICO É PARA CUMPRIR

QUESTIONA SEMPRE

TÉCNICAS DE ASSALTO E ROUBO. APRENDA AQUI.


Um português recebeu de um seu amigo nova-iorquino, que conhece bem Portugal a seguinte resposta, quando lhe disse: Sabes, nós os portugueses, somos pobres...

Esta foi a sua resposta: "Como podes tu dizer que sois pobres, quando sois capazes de pagar por um litro de gasolina, mais do triplo do que pago eu?
Quando vos dais ao luxo de pagar tarifas de eletricidade e de telemóvel 80 % mais caras do que nos custam a nós nos EUA?
Como podes tu dizer que sois pobres quando pagais comissões bancárias por serviços e por cartas de crédito ao triplo que nós pagamos nos EUA?
Ou quando podem pagar por um carro que a mim me custa 12.000 US dólares (8.320 EUROS) e vocês pagam mais de 20.000 EUROS, pelo mesmo carro? Podem dar mais de 11.640 EUROS de presente ao vosso governo do que nós ao nosso.
Nós é que somos pobres: por exemplo em New York o Governo Estatal, tendo em conta a precária situação financeira dos seus habitantes cobra somente 2 % de IVA, mais 4% que é o imposto Federal, isto é 6%, nada comparado com os 23% dos ricos que vivem em Portugal. E contentes com estes 23%, pagais ainda impostos municipais.

Um Banco privado vai à falência e vocês que não têm nada com isso pagam, outro, uma espécie de casino, o vosso Banco Privado quebra, e vocês protegem-no com o dinheiro que enviam para o Estado.*
*E vocês pagam ao vosso Governador do Banco de Portugal, um vencimento anual que é quase 3 vezes mais que o do Governador do Banco Federal dos EUA...
Um país que é capaz de cobrar o Imposto sobre Ganhos por adiantado e Bens pessoais mediante retenções, necessariamente tem de nadar na abundância, porque considera que os negócios da Nação e de todos os seus habitantes sempre terão ganhos apesar dos assaltos, do saque fiscal, da corrupção dos seus governantes e dos seus autarcas. Um país capaz de pagar salários irreais aos seus funcionários de estado e da iniciativa privada.
Os pobres somos nós, os que vivemos nos USA. Vocês podem pagar impostos do lixo, sobre o consumo da água, do gás e da eletricidade. Aí pagam segurança privada nos Bancos, urbanizações, municipais, enquanto nós como somos pobres nos conformamos com a segurança pública.
Vocês enviam os filhos para colégios privados, financiados pelo estado (nós) enquanto nós aqui nos EUA as escolas públicas emprestam os livros aos nossos filhos prevendo que não os podemos comprar.

Vocês não são pobres, gastam é muito mal o vosso dinheiro.

Correcto???? Se pensa que não, vejamos:

Fernando Nogueira:
Antes -Ministro da Presidência, Justiça e Defesa
Agora - Presidente do BCP Angola
José de Oliveira e Costa: (O TAL QUE ESTEVE NA GAIOLA)

Antes -Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais
Agora -Presidente do Banco Português de Negócios (BPN)
Rui Machete: (AGORA NINGUÉM O OUVE)
Antes - Ministro dos Assuntos Sociais
Agora - Presidente do Conselho Superior do BPN; (o banco falido)
Presidente do Conselho Executivo da FLAD
Armando Vara: (AQUELE A QUEM O SUCATEIRO DAVA CAIXAS DE ROBALOS)
Antes - Ministro-adjunto do Primeiro-ministro
Agora - Vice-Presidente do BCP (demissionário a seu pedido, antes que levasse um chuto)
Paulo Teixeira Pinto: (o tal que antes de trabalhar já estava reformado)
Antes - Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros
Agora - Presidente do BCP (Ex. - Depois de 3 anos de 'trabalho',Saiu com 10 milhões de indemnização!!! e mais 35.000EUR x 15 meses por ano até morrer...)
António Vitorino:
Antes -Ministro da Presidência e da Defesa
Agora -Vice-Presidente da PT Internacional;
Presidente da Assembleia Geral do Santander Totta - (e ainda umas 'patacas' como comentador RTP)

Celeste Cardona: (a tal que só aceitava o lugar na Biblioteca do Porto se tivesse carro e motorista às ordens )

Antes - Ministra da Justiça

Agora - Vogal do CA da CGD (QUE MARAVILHA - ORDENADO PRINCIPESCO - O ZÉ PAGA)

José Silveira Godinho:

Antes - Secretário de Estado das Finanças
Agora - Administrador do BES

João de Deus Pinheiro: (aquele que agora nem se vê)
Antes - Ministro da Educação e Negócios Estrangeiros
Agora - Vogal do C.A. do Banco Privado Português (O TAL QUE DEU O BERRO).
Elias da Costa:
Antes - Secretário de Estado da Construção e Habitação
Agora - Vogal do C.A. do BES (POIS CLARO, AGORA É BANQUEIRO
Ferreira do Amaral: (O ESPERTALHÃO, QUE PREPAROU O TERRENO)
Antes - Ministro das Obras Públicas (que entregou todas as pontes a jusante de Vila Franca de Xira à Lusoponte)
Agora - Presidente da Lusoponte, com quem se tem de renegociar o contrato (POIS CLARO, À TRIPA FORRA).
etc etc etc...

O que é isto?

... é tempo de parar a canalha!

VIAGEM CÓSMICA

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

COMENTÁRIOS DO LIVREIRO MANUEL MEDEIROS AO TAMBWE - A UNHA DO LEÃO


ALGUNS COMENTÁRIOS SOBRE O LIVRO DE OUTROS TANTOS LEITORES
 
Tambwe – a Unha do Leão é outro regresso a Angola. Quem leu o anterior livro deste autor, A Especiaria, vai, porém, verificar quanto este romance é bem outro.
A guerra da independência de Angola teve uma variedade muito grande de participantes: na já vasta literatura sobre a chamada Guerra Colonial em Angola, as personagens, os lugares e os episódios com que António Olivreira e Castro construíu este seu Tambwe – a Unha do Leão não são comuns.
TAMBWE - A UNHA DO LEÃO: o meu desejo de novamente no próximo sábado sentir que.. (II)
Kalil Gibran, Mário Cesariny, José Saramago, Egito Gonçalves, Virgílio, Horácio, Xerazade (Aladino), Paul Éluard, Salviano, Horácio, Álvaro de Campos, Mário Cesariny, Giordano Bruno, Rudyard Kipling, Castélio, Fernando Pessoa, albo lapillo (mármore?).

São dezassete, estas epígrafes, por ordem de capítulos, os dezassete capítulos.
- Porque as menciono?
- Porque Tambwe é um romance em que estas epígrafes aparecem porque se sentem justificadas pelos sentimentos, dramas, discussões, utopias, crimes…
Pela louca confusão em que se afundou a Angola paradisíaca que o era para muitos dos que lá viviam, por via das guerras anti-coloniais e/ou fratricidas...
A louca confusão em que para sempre se afundaram existências nascidas para o melhor de ser, vivendo verdadeira vida numa terra que era a Terra e numa Humanidade que era humana.

Eu não conto. Em vez disso, estou agora a ouvir, enquanto escrevo, a Sinfonia n.º 1 de Brams, depois de, enquanto relia o capítulo 7, «Aldeia dos homens mágicos», ter ouvido a Sinfonia n.3 .
Parei esta escrita e, ao mencionar este capítulo, voltei ao livro e vou propor, a algum amigo que neste me fale, que quando o ler, chegado ao centro e quase ao meio do volume, antes de entrar na «aldeia dos homens mágicos» volte ao capítulo 2 e apanhe o herói em Paris, na página 40.
De regresso pode então e também, se quiser, ouvir a Nº 3 de Brams.

Estou pedindo ao tempo um pouquinho mais de tempo para o gastar nesta «aldeia.»
- Porquê tanto reler?
- Não. Não é para aqui, não tenho que estar a apresentar o que vai ser apresentado. Os amigos que me estão a ler, se na tarde de amanhã, sábado, vierem passar a tarde connosco, poderão fazer a pergunta à competência do Dr. Gandra, que gentilmente tomou a seu cargo a apresentação do livro. E/ou, evidentemente, também ao autor, António Oliveira e Castro.

- E aqueles que não puderem participar na sessão?
- Se quiserem podemos voltar a conversar, mas sempre lhes digo que gostaria de que não antes de lerem este capítulo, um capítulo que tem princípio e fim em si mesmo, tanto que…
Vem à cabeça cada uma!

Não me lembro de antes me ter apetecido ser tradutor de um livro. Com este texto, pela primeira vez…
A mim que sou um zero em línguas!
- Como assim?
- A esta pergunta já posso responder. Já quando…, sorri de mim para mim. Novamente estou a sorrir agora, ao contar.
Sendo que não posso ser o autor deste texto, pois já aqui está e, definitivamente, nunca o poderia escrever eu, porque uma experiência de vida pode valer uma ficção, mas não pode ser por ela traduzida….
Ser o tradutor dar-me-ia a liberdade de entrar neste texto de um modo muito interior a ele. De algum modo talvez o sentisse como escrita também minha. E teria nisso muito orgulho. E em qualquer língua que fosse publicada e lida esta peça literária que se intitula «A aldeia dos homens mágicos».
Agora já posso continuar. E irei até quando em Tambwe se voltar à Sinfonia Nº 3 de Brams. Nessa altura já o «tambwe» estará em poder de Afonso, o filho. Desde o que ao herói aconteceu em seu vir a este mundo, no capítulo 7, que «a unha do leão» o tinha acompanhado.
L. V.
O LIVREIRO MANUEL MEDEIROS

CONVITE DA CÂMARA MUNICIPAL DE PALMELA E DO AUTOR


A CÂMARA MUNICIPAL DE PALMELA E O AUTOR
CONVIDAM-NO
PARA A APRESENTAÇÃO DO LIVRO
TAMBWE - A UNHA DO LEÃO
A SESSÃO TERÁ LUGAR NO DIA 17 DE FEVEREIRO,
ÀS 21 HORAS,
NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE PALMELA,
NO LARGO DE S. JOÃO Nº6
EM PALMELA
O LIVRO SERÁ APRESENTADO PELA
DRª ANITA VILAR.
VIAGEM MUSICAL COM O SAXOFONISTA
RAFAEL LOPES.
LEITURA DE EXCERTOS DO LIVRO POR
CECÍLIA NUNES.
EXPOSIÇÃO DAS ILUSTRAÇÕES
DO PINTOR
NUNO DAVID

PORTUGAL MARAVILHOSO - SERRA DA ESTRELA

A SUBLEVAÇÃO POPULAR DE MARIA DA FONTE (continuação de um texto publicado em 30-01-2012)

Num raro contra-ataque, a 25 de Novembro as forças patuleias entram em Guimarães.

Em Lisboa a instabilidade era grande, esperando-se a qualquer momento um levantamento patuleia. Aparentemente a revolta só aguardava que as forças rebeldes avançassem sobre o Cartaxo, localidade onde as forças do marechal Saldanha estavam aquarteladas e o fizessem recuar.

A 3 e 4 de Dezembro, os marinheiros governamentais, comandados por Francisco Soares Franco, futuro 1.º visconde de Soares Franco, tomam Valença. Em Viana do Castelo, as forças governamentais conseguirão manter o castelo em seu poder, apesar de atacadas a 4 de Dezembro pelas forças da Junta. Entretanto as actividades militares concentram-se na Estremadura, já que os condes das Antas e do Bonfim, com o grosso das tropas patuleias, mantém a ocupação de Santarém, enquanto o conde de Vila Real se posiciona em Ourém. Foi contra esta última posição que a 4 de Dezembro o marechal Saldanha resolveu enviar uma brigada, que as forças do conde de Bonfim tentaram interceptar. Não o conseguindo, foi unir-se às forças do conde de Vila Real, aquarteladas em Leiria, onde recebeu também cerca de 3 000 homens enviados de Santarém. Com estas forças tentou avançar para sul, mas surpreendido pelas forças do marechal Saldanha, retrocedeu sobre Torres Vedras.

E foi naquela cidade que a 22 de Dezembro de 1846, numa das batalhas decisivas da guerra, o brigadeiro José Lúcio Travassos Valdez, o 1.º conde de Bonfim, foi completamente batido pelo marechal Saldanha, numa cruenta batalha em que foi morto o general Mouzinho de Albuquerque. Ao fim daquele dia, após um conjunto de brilhantes decisões tácticas, Saldanha era o claro vencedor, aprisionando quase todas as tropas patuleias. O conde das Antas, então no Cercal, optou por não vir em socorro das forças de Bonfim., optando antes por uma rápida retirada para o Porto.

Saldanha ainda ensaiou uma perseguição às forças do conde das Antas, seguindo para norte em marchas forçadas, mas quando este entrou no Porto, optou por se aquartelar em Oliveira de Azeméis.

Entretanto o brigadeiro Celestino era destroçado em Viana do Castelo pelo velho general João Schwalbach (1774 – 1874), 1.º visconde de Setúbal, e a 31 de Dezembro, as forças cartistas do barão do Casal tomavam Braga pela força depois de uma cruenta batalha com os guerrilheiros do general MacDonnell. Por ordem do barão do Casal, a cidade foi barbaramente castigada com fuzilamentos pelas ruas. O velho general miguelista MacDonnel é preso em Vila Pouca de Aguiar e morto por um sargento de cavalaria cartista.

A 3 de Janeiro de 1847, Álvaro Xavier Coutinho e Póvoas, antigo oficial da Legião Portuguesa ao serviço da França, e figura carismática do miguelismo, é nomeado tenente-general do exército da Junta, e comandante militar das duas Beiras.

A 10 de Janeiro, o marechal Saldanha propõe secretamente à Junta do Porto um acordo de paz com base na Convenção de Chaves, a mesma que em 1837 tinha posto termo à Revolta dos Marechais.

Num momento clarificador do conflito, a 12 de Janeiro, são assinadas as bases da União dos realistas insurgentes com a Junta do Porto, isto é, da aliança dos miguelistas com os setembristas. Era finalmente oficial a coligação contra-natura, mas por esta altura já o marechal Saldanha se encontra perto do Porto, comandando as forças militares leais ao governo. A esquadra governamental, comandada por Soares Franco já bloqueava o Douro.

Ensaiando um contra-ataque, o exército da Patuleia, comandado pelo conde de Melo, ataca Estremoz em 27 de Fevereiro e a 9 de Abril, Sá da Bandeira, assumindo-se como lugar-tenente da Junta, desembarca no Algarve e inicia marcha para Lisboa. Chega a Setúbal e junta-se às tropas do conde de Melo e às guerrilhas do sul. Tem como colaboradores Anselmo Braamcamp Freire e José Estêvão Coelho de Magalhães.

A 11 de Abril rebentam tumultos em Lisboa, onde estacionam tropas inglesas e espanholas, e o governo destaca o general Vinhais para as colinas de Azeitão, por forma a impedir o avanço sobre Lisboa das forças patuleias estacionadas em Setúbal. A 16 de Abril as forças enfrentam-se na batalha do Alto Viso, às portas de Setúbal, onde perdem os patuleias 500 homens. O combate termina de forma indecisa por um armistício negociado pelo comandante inglês do HMS Polyphemus, que pairava na foz do Sado.

A 29 de Abril dão novos tumultos patuleias em Lisboa, permitindo a fuga de 600 presos do Limoeiro. A anarquia cresce, e a fome ameaça as populações.

A 19 de Março tinha sido dirigido novo pedido oficial do governo português de execução do auxílio estrangeiro a prestar pela Grã-Bretanha, Espanha e França de acordo com o tratado da Quádrupla Aliança. Agora, que desde Novembro, a Espanha, temendo o contágio dos miguelistas, depois de apoiada pela França de Guizot, tinha conseguido que os britânicos aceitassem em princípio da intervenção em Portugal, a entrada de tropas parece eminente.

A intervenção da Quádrupla Aliança

A 21 de Maio de 1847, é finalmente assinado em Londres um protocolo fixando as condições da intervenção estrangeira em Portugal. Estava finalmente desbloqueada a ajuda de que o governo português tanto carecia para pôr termo à guerra civil.

Finalmente as três potências signatárias estavam de acordo na forma e objectivos da intervenção em Portugal, até porque a situação na vizinha Espanha, com crescente actividade carlista, fazia adivinhar a possibilidade das duas monarquias ibéricas mergulharem no caos, ou, pior, regressarem ao absolutismo.

Assim, nos últimos dias de Maio, forças espanholas, comandadas pelo tenente-general D. Manuel de la Concha, conde de Cancellada, atravessam a fronteira em Trás-os-Montes e avançam até Valongo.

A 25 de Maio uma esquadra inglesa bloqueia o Douro e nos dias imediatos aprisiona no alto-mar os navios que transportavam, rumo à Península de Setúbal, onde iam tentar um desembarque, a divisão patuleia comandada pelo conde das Antas que ali se pretendia unir às forças comandadas pelo conde de Melo, inactivas desde a batalha do Alto do Viso.

A 1 de Junho a Junta do Porto emite uma proclamação em que declara ser forçada a aceitar o armistício devido à intervenção estrangeira.

A 3 de Junho a divisão espanhola entrou no Porto, ocupando militarmente a cidade, ao mesmo tempo que forças inglesas desembarcavam e ocupavam o Forte de São João da Foz.

No cumprimento do acordado com as potências da Quádrupla Aliança, a 10 de Junho a rainha D. Maria II, em proclamação ao país, anuncia uma amnistia geral e promete cumprir com as condições da mediação.
SETÚBAL

A 15 de Junho, Sá da Bandeira e o conde de Melo rendem-se em Setúbal. Com este acto final, a Patuleia desaparece a Sul do Tejo.

Forçados pelas circunstâncias, a 29 de Junho, o Nuno José Severo de Mendonça Rolim de Moura Barreto, então marquês de Loulé, e o general César de Vasconcelos, como representantes da Junta, encontram-se no lugar de Gramido com os comandantes das forças inglesas e espanholas e assinam a convenção que pôs termo à contenda. Mais uma vez a realidade determinada pela geopolítica europeia é imposta a Portugal.
GRAMIDO

(CONTINUA NOS PRÓXIMOS DIAS)