sábado, 3 de dezembro de 2011

COMENTÁRIO SOBRE O ROMANCE "TAMBWE-A UNHA DO LEÃO"

Olá António
Recebi com agrado o seu desafio, mas infelizmente, sou a pessoa menos indicada para o corresponder, pois a minha relação com a literatura é, digamos, mais empírica, já que a minha formação académica, o Curso Complementar de Administração e Comércio (nome do antigo curso comercial), já tirado na condição de trabalhador estudante, mais virado para o mundo do trabalho, não me deu asas para poder voar no campo literário.
Sou assim o exemplo mais conseguido do provérbio, “não suba o sapateiro acima da chinela”, já que a leitura para mim não passa duma paixão. Tenho os meus gostos e sem nenhuma dependência de modas, vou lendo o que calha; e se isso é algo bem escrito, tanto melhor. Houve tempos em que um senhor de nome José Olímpio Bento, escrevia uma crónica semanal n’ “A Bola” que eu devorava, porque além duma capacidade descritiva fantástica tinha uma enorme riqueza de vocabulário. E eu estava quase sempre em desacordo com as suas análises, (era tripeiro) mas estava bem escrita!... Por exemplo, apesar de já ter lido creio que nove romances de Saramago, não sou grande apreciador da sua maneira de escrever e até costumo dizer que depois dum Saramago me sabe sempre bem, ler do Eça, nem que seja só uma “carta de Inglaterra”, mas admiro imenso a sua capacidade criativa; e do Torga, na prosa adorei “A Criação do Mundo”, (li todos os volumes) “A Vindima”, mas a poesia, tenho uma gritante incapacidade de a entender. Será porque não estudei Camões nos estabelecimentos de ensino que frequentei, será insensibilidade, ou será tudo junto?
Por isso já vê meu caro, de si, só posso dizer que gostei bastante do romance “A Especiaria”, e do “Tambwé” , que ainda acho mais bem escrito, já que me parece que tentou e conseguiu, qual Ferreira de Castro, que o parágrafo seguinte fosse sempre superior ao antecedente, apesar da sua escrita (perdoe se estou a dizer alguma parvoíce mas é a minha convicção) me fazer lembrar mais o Eça pela riqueza de adjectivação e pelas várias maneiras de contornar um estorvo, ou, como diria um amigo meu, para irem de Lisboa a Almada, ensina sempre três ou quatro caminhos, mesmo que o último seja por Vila Franca. E aquele final à “você decide”, acho muito inovador.
Mas como vê, eu sou um leigo.
Adeus e um abraço.
Mário

MÚSICA PARA O SEU FIM DE SEMANA: NINA SIMONE - TOMORROW

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

FARIA DE OLIVEIRA E CHRISTINE LAGARDE

Faria de Oliveira e Christine Lagarde - Isto não é verdade pois não?‏


E VIVA A CGD

Faria de Oliveira ganha MAIS na CGD que Christine Lagarde no FMI ! O contrario é que seria de admirar !!!! e PORQUÊ ?, ..., no mínimo para ajudar a explicar como se contribuiu para a grave crise económica e financeira e social que Portugal está a viver.

E em media os trabalhadores portugueses ganham menos de 50% em relação aos dos restantes 27 países da EU.

Para que conste! E para que os futuros "Faria de Oliveira e outros possam ser respeitados" repasso o presente e-mail esperando com o mesmo contribuir para a moralização da politica em PORTUGAL!!!


Para que conste, retirado do site da CGD, referente a 2009 (não divulgaram os valores de 2010 nem de 2011...):

Presidente - remuneração base: 371.000,00?;
Prémio de gestão: 155.184,00?;
Gastos de utilização de telefone: 1.652,47?;
Renda de viatura: 26.555,23?;
Combustível: 2.803,02?;
Subsídio de refeições: 2.714,10?;
Subsídio de deslocação: 104,00?;
Despesas de representação: não quantificado (cartão de crédito onde "apenas" são consideradas despesas decorrentes da actividade devidamente documentadas com facturas e comprovativos de movimento)

Christine Lagarde receberá do FMI mais 10% do que Dominique Strauss-Kahn, mas mesmo assim menos que o presidente da Caixa Geral de Depósitos, entre outros gestores portugueses, pelo que a senhora ainda está mal paga pelo padrão de Portugal.

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1897993

A nova directora do FMI, Christine Lagarde, vai ter um rendimento anual líquido de 323 mil euros, a que se somam 58 mil euros para gastar em despesas, o que representa mais 10% do que o seu antecessor, Dominique Strauss-Kahn.

O total de 381 mil euros anuais que Lagarde vai receber (salário mais despesas) é um aumento de 11% relativamente ao que recebia Dominique Strauss-Kahn, o ex-director da instituição acusado de abusar sexualmente de uma camareira de hotel em Nova Iorque.

Quando foi nomeado, em 2007, Dominique Strauss-Kahn acordou em receber um salário anual de 291 mil euros, com despesas de representação de 52 mil euros - um total de 343 mil euros. Menos quase 38 mil euros anuais do que vai agora receber a francesa.
Palavras para quê !!!! Isto só se resolvera quando a TROIKA, obrigada a justificar como é que o dinheiro dos contribuintes dos países da EU se gasta na ajuda a PORTUGAL for obrigada a tomar posição.

Tal, também deveria ser abordado nas futuras manifestações de indignação contra as medidas de AUSTERIDADE prevista no Orçamento de Estado para 2012. Gostaria de ver cartazes bem visíveis alusivos a esta situação e, pelo meu lado vou adopta-lo como BOY de estimação a quem dedicarei mentalmente parte do sacrifício, alimentando-o com os meus rendimentos que irão ser confiscado (pensão e outros) na sequência do OE/2012.


Para melhor complementar junto e-mail de arquivo e respeitante ao mesmo assunto:

Comparação de vencimentos de Portugal com o exterior para a mesma função (já repetido)
Mesmo repetida é de divulgar quando se começa a falar de ser imperioso reduzir a despesa do Estado abrangendo também os Institutos e empresas do Estado e municipais (provavelmente a ultrapassar o milhar). Não esquecer que a maioria são empresas que duplicam as funções do Estado ou do poder local (autarquias) e, todas elas com vencimentos e regalias muito superiores ao vencimento dos Deputados e do Presidente da República (PR) e, até Outubro de 2005 com direito a reforma antecipada podendo acumular com outros vencimentos ou reformas. E, é assim que até o PR Cavaco da Silva tem pelo menos mais duas reformas que acumula com o seu vencimento.

Julgo e, quase tenho a certeza que, "se José Sócrates não tivesse tido o desplante de ter acabado com as reformas antecipadas dos políticos e dos gestores políticos em Outubro de 2005" , os processos do Freport, do diploma de Engenheiro e outros nunca teriam tido o eco que tiveram.
E, foi com esta facilidade (legislação imoral mas legal para promover à medida os Job para os Boys, com a agravante de desviar a prioridade da atenção do Gestor para as novas solicitações dos Generais dos Partido do Poder que julgavam também ter direito a um JOB) que a Fátima Felgueiras se escapou da Justiça indo para o Brasil onde viveu com a ajuda da reforma antecipada obtida dois meses antes de se ter sabido por fuga de informação que iria ser detida.

E, é assim que se estima que mais de 50% dos autarcas com mais de 55 anos tenham direito a reformas obtidas por antecipação na mesma função (hoje, também impedidos de acumular com os seus vencimentos):- é tudo uma vergonha com a delapidação dos recursos financeiros que deveriam privilegiar o desenvolvimento ou a amortização da divida publica e externa, que tipifica uma politica neoliberal onde a ganância só tem como limite o céu; ou pior, foi preciso ter sido o mercado externo (com a subida vertiginosa dos juros da divida soberana a dizer que Portugal já não dá confiança para ter empréstimos.
No inicio da entrada de PORTUGAL na União Europeia como se fosse uma Dona Branca e, quando o dinheiro entrava aos montes tudo foi possível sem grandes convulsões e, de vez em quando lá era processado um politico ou gestor que, com raras excepção acabava por ver o seu processo arquivado.
Hoje, o resultado com o apoio da Geração dos "soixante-huitard que ao tempo do 25 Abril eram fanáticos do MAO e outros e, hoje são uns brilhante executantes da partidocracia com laivos neoliberais.
Com um abraço de cidadão preocupado com o futuro de Portugal, incluindo sobretudo os Jovens e desempregados e os empregados pobres (vencimentos na média dos 500€).

Não divulgar é cumplicidade!

É preciso que se saiba que:

"... os portugueses comuns (os que têm trabalho) ganham cerca de metade (55%) do que se ganha na zona euro,

mas os nossos gestores recebem, em média:
- mais 32% do que os americanos;
- mais 22,5% do que os franceses;
- mais 55 % do que os finlandeses;
- mais 56,5% do que os suecos"

(dados de Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 24/10/09)

E têm MORAL para chamar a nossa atenção afirmando:

"os portugueses gastam acima das suas possibilidades".

VÍDEO QUE SERVIU PARA APOIAR A CANDIDATURA DO FADO A PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

CABO VERDE - TITINA, A VOZ

As Memórias Africanas de Titina com Paulo Salvador


Caro amigo,

Já pode ouvir mais uma entrevista das minhas Memórias Africanas. Desta feita com a grande Titina.

Albertina Rodrigues Almeida é a voz de Cabo Verde que pela primeira vez que veio a Portugal foi trazida por Adriano Moreira, Ministro do Ultramar, para mostrar aos portugueses os encantos da musica das ilhas da Morabeza. Aos 12 anos foi revelado o seu talento. Apaixonou-se por um português e ainda hoje vive ao lado do homem que a "puxou" para fora da sua terra. Mas a voz e a música nunca a abandonaram. Uma entrevista com gargalhadas, memórias, surpresas e revelações. Ao vosso dispor em www.recordarangola.com


POEMA BAR EM COIMBRA

POEMA BAR EM COIMBRA
1 DE DEZEMBRO | BIBLIOTECA JOANINA

 
FESTIVAL DE MÚSICA DE COIMBRA

VIDEO PROMOCIONAL


MIMETISMO - A MUDANÇA EM PORTUGAL

video

terça-feira, 29 de novembro de 2011

COMO FUNCIONA A JUSTIÇA EM PORTUGAL

ESTUDANTES DE COIMBRA

LISBOA - NEM TUDO SÃO MÁS NOTÍCIAS

Qualidade de vida em Lisboa supera a de Madrid e Roma

29 Novembro 2011
Sara Antunes - saraantunes@negocios.pt

Ana Luísa Marques - anamarques@negocios.pt

A capital portuguesa ficou classificada em 41º lugar no "ranking" das cidades com maior qualidade de vida, à frente de Milão, Madrid e Roma.

O estudo "Quality of Living 2011", realizado pela consultora Mercer, revela que Lisboa ocupa a 41ª posição no "ranking" das 211 cidades com maior qualidade de vida a nível mundial. A capital portuguesa ficou classificada em 47º lugar no que diz respeito ao nível de segurança pessoal.

Neste critério, a lista foi liderada pelo Luxemburgo, seguido de Berna, Helsínquia e Zurique, todas em segundo lugar. Viena encontra-se na quinta posição e Genebra e Estocolmo na sexta.

"Bagdade (221) é a cidade menos segura do mundo, seguida de N’Djamena, no Chade (220), Abijão, na Costa do Marfim (219), Bangui, na República Centro-Africana (218), e Kinshasa, na República Democrática do Congo (217)”, revela o estudo da Mercer.

No que diz respeito à qualidade de vida, o "ranking" foi encabeçado pela cidade de Viena. Seguem-se Zurique, Auckland (Nova Zelândia), Munique, Düsseldorf e Vancouver (as duas na quinta posição) e Frankfurt.

As cidades alemãs e suíças dominam o topo da classificação, cada uma com três cidades no top 10. No grupo das 25 cidades com melhor qualidade de vida, 15 são europeias.

Lisboa surge em 41º lugar, imediatamente precedida de Barcelona. A capital portuguesa supera Milão (42º lugar), Madrid (43º lugar) e Roma (52º lugar).

"De modo geral, as cidades europeias continuam a manter elevados níveis de vida, porque gozam de infra-estruturas urbanas modernas e avançadas, combinadas com meios de lazer, recreativos e de saúde de alto nível", afirma o partner da Mercer, Diogo Alarcão, num comunicado da empresa.

No entanto, Diogo Alarcão sublinha que "o elevado nível de desemprego e a falta de confiança nas instituições políticas, dificultam a previsão das posições futuras das cidades europeias. Países como a Áustria, a Alemanha e a Suíça ainda registam um bom resultado nas classificações de qualidade de vida e segurança pessoal, porém, não são imunes a declínios do nível de vida se a incerteza de mantiver".

Canadá lidera qualidade de vida nas Américas

As cidades canadianas dominam o "ranking" das cidades com melhor qualidade de vida nas Américas. Vancouver (na foto) tem a melhor qualidade de vida, seguida de Ottawa, Toronto e Montreal.

Honolulu e São Francisco são as cidades com a classificação mais elevada nos Estados Unidos. Na América Central e do Sul, Pointe-à-Pitre, em Guadalupe, está no topo da classificação, seguida de San Juan, em Porto Rico, e Montevideu, no Uruguai. Port-au-Prince, no Haiti, encontra-se no fundo da classificação.

Na região Ásia-Pacífico, Auckland é cidade com melhor nível de vida, seguida de Sidney, Wellington, Melbourne e Perth. As cidades asiáticas no topo da classificação são Singapura e Tóquio.

Por outro lado, Daca, no Bangladesh, Bishkek, no Quirguistão e Dushanbe, no Tajiquistão, encontram-se no fundo da classificação da região.

"A região da Ásia-Pacífico é extremamente heterogénea. Países como a Austrália, Nova Zelândia e Singapura dominam o topo das classificações geral e de segurança pessoal, em parte por investirem continuamente em infra-estruturas e serviços públicos”, afirma Diogo Alarcão.

"De modo geral, a região registou um maior enfoque no planeamento urbano. Não obstante, muitas cidades asiáticas encontram-se no fundo da tabela, sobretudo devido a instabilidade social, perturbação política, catástrofes naturais, como tufões e tsunamis e falta de infra-estruturas adequadas para expatriados", acrescenta o responsável da Mercer.

Na região do Médio-Oriente e África, o Dubai é a cidade com melhor qualidade de vida, seguida de Abu Dhabi, Port Louis, na Maurícia e Cidade do Cabo, na África do Sul.

África tem 18 cidades entre as 25 classificações mais baixas, incluindo Bangui, na República Centro-Africana, N’Djamena, no Chade, Cartum, no Sudão (217), e Brazzaville, no Congo. Bagdade é a cidade com a classificação mais baixa a nível regional e mundial.

OCDE - ZONA EURO É O MAIOR RISCO À ECONOMIA MUNDIAL


Relatório Economic Outlook

OCDE diz que zona euro é o maior risco à economia mundial e pede acção urgente dos bancos centrais

28.11.2011 - 11:41 Por Ana Rita Faria - PÚBLICO

OCDE sugere que BCE tem de reduzir mais as taxas de juro
(REUTERS/Kai Pfaffenbach)

Organização teme que as autoridades internacionais não vejam a urgência de tomar uma “acção decisiva para enfrentar os riscos reais e crescentes à economia mundial”

No seu relatório Economic Outlook (Perspectivas Económicas), hoje divulgado, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) lança um alerta aos líderes internacionais para agirem o quanto antes e avisa que a zona euro é o maior risco à economia mundial.

A instituição reviu em baixa as suas projecções para a economia mundial e prevê agora que o PIB dos seus 34 países-membros cresça, em média, apenas 1,9% este ano e 1,6% em 2012. Em 2013, o crescimento já deverá ser um pouco mais forte – 2,3%. Mas as previsões para a zona euro são substancialmente piores.

Este ano, os 17 países da moeda única deverão crescer, em média, 1,6% e, em 2012, apenas 0,2%. Para 2013, a previsão de crescimento da OCDE é de 1,4%. Mas estas estimativas, avisa a OCDE, têm como pressupostos que as autoridades irão tomar medidas suficientes para “impedir defaults [incumprimentos] desordenados da dívida soberana, uma contracção forte no crédito, falências sistémicas dos bancos e o excessivo aperto orçamental”.

“Receamos que as autoridades não consigam ver a urgência de tomar uma acção decisiva para enfrentar os riscos reais e crescentes à economia mundial”, afirmou hoje o economista-chefe da OCDE, Pier Carlos Padoan. “A economia americana está a recuperar muito lentamente, a zona euro está a entrar numa recessão moderada e o Japão está a crescer mais rapidamente por causa da reconstrução, mas este estímulo é temporário e vai desvanecer-se”, explica o economista.

Risco de "ruptura" na zone euro

Mas, para a OCDE, o “maior risco” para a economia mundial é mesmo a zona euro. Se as preocupações sobre a sustentabilidade da dívida soberana não forem atenuadas, “o recente contágio a países que sempre foram vistos como tendo finanças públicas relativamente sólidas pode provocar uma ruptura económica”, avisa a instituição, salientando que as crescentes pressões sobre os bancos e as suas dificuldades de financiamento aumentam o risco de uma nova “crise do crédito”.

“As perspectivas apenas melhoram se for rapidamente tomada uma acção decisiva”, considera Pier Padoan, sugerindo um reforço da capacidade do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), o mecanismo que forneceu o resgate da Irlanda e de Portugal e irá dar à Grécia um segundo pacote de ajuda. Além disso, defende a OCDE, é preciso uma maior utilização do balanço do Banco Central Europeu (BCE).

Isto poderá implicar uma nova redução da taxa de juro directora do BCE, que está actualmente em 1,25%, depois do corte feito no início deste mês, ou outro tipo de medidas por parte da autoridade monetária europeia, como a compra de dívida. Numa tentativa de travar de vez a crise da dívida soberana, cada vez mais economistas têm defendido a necessidade de o BCE se tornar um “credor de última instância”, assegurando sempre o financiamento aos países em necessidade, mas esta ideia tem enfrentado a feroz oposição da Alemanha.

A OCDE defende que os bancos centrais a nível mundial devem “fornecer ampla liquidez para acalmar as tensões nos mercados financeiros e preparar planos de contingência para serem implementados rapidamente se for necessário”.

EUA precisam de plano orçamental credível

Além da zona euro, o grande risco à economia mundial é a falta de acção nos Estados Unidos para resolverem os seus problemas orçamentais.

O facto de o super-comité do Congresso americano não ter chegado a um consenso sobre um plano de consolidação orçamental irá fazer com que entrem automaticamente em vigor cortes abruptos da despesa pública. Para a OCDE, isto pode empurrar a maior economia mundial para a recessão, deixando o banco central americano (a Reserva Federal) sem grande margem de manobra para fazer o que quer que seja.

A OCDE realça, por isso, que só será possível melhorar as previsões de crescimento para a economia mundial se houver um programa orçamental de médio prazo credível nos EUA.

Segundo as previsões da instituição, o PIB americano deverá crescer 1,7% este ano e 2% no próximo. Em 2013, a maior economia mundial deverá estar já a crescer acima de 2% (2,5%).

A ECONOMIA MUNDIAL TREME - FITCH E A DÍVIDA DOS EUA


Fitch coloca dívida dos EUA em perspectiva negativa

28.11.2011 - 23:13 Por Lusa


A agência denotação financeira Fitch anunciou nesta segunda-feira que admite baixar o “rating” atribuído à dívida dos Estados Unidos e reduziu as perspectivas económicas de estáveis para negativas.

A decisão expressa a “confiança cada vez menor” da Fitch na possibilidade de ver adoptadas “as medidas orçamentais necessárias para colocar as finanças públicas dos Estados Unidos num caminho viável”.

Actualmente, a Fitch atribuiu a nota máxima possível à dívida norte-americana, AAA.

A dívida norte-americana ultrapassou já os 1,5 biliões [milhão de milhões] de dólares, caminhando rapidamente para os cem por cento do produto interno bruto do país.

Sem acordo entre democratas e republicanos no Congresso, as medidas de redução do défice preconizadas pelo presidente Obama continuam em letra morta, situação que levou as agências de “rating” a colocar Washington sob vigilância.

Em Agosto, a Standard and Poor’s reviu em baixa a nota dos Estados Unidos, de AAA para AA+, a segunda melhor nota.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

FADO - PARABÉNS À HUMANIDADE

Parabéns à Humanidade!

por FERREIRA FERNANDES


Esta madrugada, em Nusa Dua, Bali, à porta do hotel onde se reúne a Comissão Intergovernamental para a Salvaguarda da Herança Cultural Imaterial, da UNESCO, parou uma limousine vazia e dela saiu um inexistente porta-voz que proclamou: o fado é Património Imaterial da Humanidade. Foi tudo muito emocionante, porque dito em inglês, língua em que "imaterial" se traduz pelo belo "intangible", ironia premonitória porque as guitarras são as únicas coisas que na língua portuguesa se podem dizer, sem cair no ridículo, que tangem. Escrevo antes da madrugada, não sei se aconteceu assim ou não. Mas é quase igual. Quase, porque a diferença está na proclamação da UNESCO. E igual no essencial: ou o fado ganhou ou o fado não ganhou. Assim, temos desde esta madrugada aquilo que temos tido há mais de um século. Parabéns à Humanidade por se ter dado conta. Eu dei-me, garoto, quando Amália, cantada na rádio das manhãs de domingo em Luanda, falava em "arroz maninho" (era rosmaninho...). Mais tarde, jovem estudante angolano em Lisboa, ouvindo Manuel de Almeida, suspeitei que, afinal, eu era também português. E assim por diante. Até ouvir Camané cantar "Eu Tinha Uma Amiga", palavras de Manuela de Freitas, repetindo o "Não Venhas Tarde", de Carlos Ramos, tal como Eça é uma imitação de Camilo. Ou, continuando em plágios geniais, os dedos de Fontes Rocha, livres numa guitarra como só o conseguem os músicos de um jazz funeral em Nova Orleães.

FADO - AMÁLIA RODRIGUES - GUITARRA TRISTE

UMA VIAGEM PELO MUNDO EM PORTUGUÊS - LUSOTOPIA DE CARLOS FONTES


CONTINUAÇÃO DO TEXTO PUBLICADO EM 16-11-2011



Macau (China)

Território actualmente integrado na China (1999), foi desde 1557 um dos pontos estratégicos dos portugueses no Oriente. Cerca de 100 mil cidadãos portugueses continuam a viver neste território, onde é notória uma forte influência portuguesa.
Madagascar
Os portugueses são os primeiros europeus a chegar à ilha, em 1500. Na parte sul estabeleceram, até meados do século XVI, um ponto de apoio às suas frotas marítimas na rota para o Oriente. Ilhas St. Laurent (Madagascar) - Posto Fortificado. Destinado a recarga das frotas portuguesas que navegavam rumo ao Oriente (1498-1540).

Maurícias, Ilhas
A ilha foi descoberta pelos portugueses em 1505 que aqui se mantiveram até ao século XVII. Fazem parte deste arquipélago as Ilhas Mascarenhas orientais (Ilha Maurícia e Rodrigues) e por dois arquipélagos de ilhotas mais a norte. As Ilhas Mascarenhas receberam em 1512, o nome de Mascarenhas em honra de Pedro de Mascarenhas da visita que as mesmas fez o vice-rei da Índia (portuguesa). Após os portugueses, sucedeu-se o domínio dos holandeses, franceses e ingleses. Os vestígios lusos não desapareceram.


Malásia / Malaca
Pouco depois de terem chegado à India (1498), já os portugueses procuravam dominara este importante entreposto comercial do extremo oriente, o que veio a acontecer em 1509. Após construção de uma imponente fortaleza, intensifica-se a presença dos portugueses. A influência na cultura e na língua local é enorme. Ainda hoje mais de 270 palavras de uso corrente são de origem portuguesa.

Em 1641 acabaram por abandonar o local devido à acção dos holandeses, que também não tardaram em ser expulsos pelos ingleses. Contudo, a presença portuguesa nunca desapareceu em Malaca, ainda hoje se encontra uma curiosa colónia luso-descendentes que procura manter viva as suas raízes.

Malta
A Ordem de Malta tem uma longa história em Portugal (substituiu a antiga Ordem dos Hospitalários de São João).

A presença portuguesa em Malta ocorre no século XVIII, quando foi nomeado grão-mestre o português António Manoel de Vilhena (1672-1736) que revolucionou o urbanismo e a arquitectura desta Ilha. O seu nome foi dado a uma pequena ilha, mas também ao conhecido Teatro Manoel, na capital. A efíge de outro dos grão-mestres português - Emanuel Pinto da Fonseca -, decora a fachada da residência oficial do primeiro-ministro de Malta.  

Maldivas, Ilhas
Foram governadas pelos Portugueses de 1558 a 1573. As Maldivas são hoje um país independente, cuja capital é Malé.

Marrocos
Depois da Espanha é o país que mais próximo de Portugal. Não é pois de estranhar que entre 1415 e 1769, Portugal tenha mantido uma presença contínua neste país, ao qual ficaram ligados muitos episódios marcantes da sua história.

Marquesas, Ilhas
Descobertas pelo navegador português Pedro Fernandes Queirós ao serviço de Espanha.

Martinica, Ilha
Um numeroso grupo de portugueses, em 1654, vindos do Brasil estabeleceu-se em Martinica, tendo-se dedicado ao cultivo da cana do açúcar. Entre eles destaca-se Benjamim da Costa. O governo francês, em 1683, ordenou a sua expulsão, mas muitos acabaram por ficar.

México
Numerosos portugueses integraram a quase expedições espanholas na conquista da América nos séculos XV e XVI. Participaram na conquista do México, fundaram muitas cidades e ocuparam os mais variados cargos.

O primeiro europeu a morrer durante durante a conquista dos Maias foi um português "viejo" (velho).O facto ocorreu em Fevereiro de 1517. Foi feito prisioneiro pelos maias, durante a expedição de Fernando Cordoba, na região de Catoche, Campeche e Potonchán. Foi este singular acontecimento que o fez sair do anonimato.

Moçambique
Uma história comum com mais de cinco séculos.

Moldávia
Na sequência da desagregação da antiga União Soviética (1991), fixou-se em Portugal uma numerosa comunidade de moldavos, muitos dos quais têm vindo a adquirir a nacionalidade portuguesa.

Mongólia
Os portugueses chegaram à India em 1498, mas pouco depois dá-se um acontecimento igualmente decisivo neste país: a invasão dos mongóis. Babur, o imperador mongol , em 1526, conquista Deli, no norte da India, abrindo as portas para a sua expansão pelo sub-continente indiano.

Nigéria
Os portugueses terão chegado à Nigéria em 1444,onde fundaram a cidade de Lagos, a actual capital. Fruto de intensos contactos acabou por se formar uma arte luso-nigeriana. Nas línguas locais ainda hoje persistem muitas palavras portuguesas.

Em finais do século XIX, vindos do Brasil, muitos antigos escravos regressaram à Nigéria. onde fundaram o conhecido " Brazilian Quarter", em Lagos, tendo preservado a língua portuguesa e muitos dos costumes adquiridos no Brasil. Arte Luso-Africana

Noruega
Os vikingues (ou normandos), os povos que habitaram a actual Noruega, Suécia e a Dinamarca tiveram desde o século IX vários contactos com a região de Portugal, nomeadamente devido às suas incursões que aqui realizavam.

Namíbia
Os portugueses chegaram a esta região em 1485, tendo-se estabelecido na Serra Parda (Ponta dos Farilhões), Cabo Padrão (Cape Cross, onde em 1486 Diogo Cão ergueu um padrão), Angra Pequena (1487) e ourtos locais, deparando-se com o imenso deserto da actual Namíbia. A sua longa costa desertica foi denominada pelos portugueses de Costa dos Esqueletos, devido á enorme quantidade de naufrágios e mortes que nela ocorreram.

Novas Hébridas
Descobertas em 1606 pelos portugueses Pedro Fernandes Queirós e Luís Vaz de Torres ao serviço da Espanha. Em 1967 foi descoberta uma fortificação "Nova Jerusalém’ datada da mesma época.

Nova Zelândia
A versão corrente afirma que a Nova Zelandia terá sido descoberta pelo navegador português João Fernandes ao serviço dos reis de Espanha. Os historiadores locais tem vindo a sustentar outra versão.

Omã
A presença dos portugueses na região foi muito intensa nos XVI e XVII. O povo que aqui encontraram vivia na sua maior parte no deserto e tinha técnicas de navegação muito rudimentares. Para controlarem a entrada do Golfo Pérsico, os portugueses construíram aqui um vasto sistema de fortalezas: 1. Moscate ou Mascate (Muscat, Forte de São João (Jalali), Forte Mirani) 1552-1650). 2.Curiate (Kuriyat (Forte, 1507-1648); 3. Matara (Matrah, Forte,1588-1648); 4. Calayate (Qalhat or Kalhat, 1507-1523); 5. Sibo (As Sib, forte); 6.Borca (Barkah of al Batha, forte); 7. Caçapo ou Cassapo (Khasab); 8. Soar (Suhar, 1507-1643). Esta forte implantação só foi possível devido às alianças que fizeram com os pequenos reinos locais (muçulmanos), que temiam domínio do Império Otomano.

A fragilidade militar de Portugal, durante a longa guerra com a Espanha (1640-1668) é aproveitada pelos Otomanos para expulsarem os portugueses da região. O Omã aproveitando as técnicas navais e de guerra aprendidas dos portugueses, acabam por criar um sultanato, expulsam os otomanos e constroem um vasto reino costeiro que se estendeu até Zamzibar (Tanzânia).

Panamá
Desde que Colombo chegou a Portugal vindo das Indias, em 1493, que existem relatos de navegadores portugueses que andavam no contrabando de escravos e outros produtos obtidos nas Indias espanholas, uma actividade que cresceu depois da descoberta, em 1498, da Pária. Uma parte dos produtos das expedições espanholas vinha directamente para Portugal.

A rapina dos contrabandistas portugueses na costa norte da América do Sul, incrementada em 1499, prosseguiu ao longo dos anos. Em 1500-1502, Rodrigo de Bastidas comandou uma expedição às Indias, tendo atingido as costas Colombia e do Panamá. Na região encontrou barcos portugueses que andavam a resgatar escravos Indios e vários produtos. Os portugueses chegaram à região primeiro que os espanhóis. Em 1503, o conhecido navegador Juan de La Cosa, veio a Lisboa para protestar contra estas acções lusas.

Anos depois, no verão de 1513, o rei Fernando de Espanha continuava a protestar pelo facto de Portugal não estar a cumprir o estipulado no Tratado de Tordesilhas. Navios portugueses estavam a explorar " a terra que até aqui se chamou Terra Firme e que agora mandamos chamar Castela do Ouro". Fernando solicitava a D. Manuel I que fizesse justiça. A presença dos portugueses na região em vez de diminuir aumentou.

Estamos perante uma rede clandestina que operava entre as Indias espanholas e Portugal e que envolve ao mais alto nível portugueses.

João Português e Pedro Escobar foram dois dos portugueses que, em 1513, integraram a expedição de Vasco Nunez de Balboa que atingiu o Oceano Pacífico. Outro numeroso grupo de portugueses instalou-se entre 1514 e 1517 no Panamá.

Paraguai (Paraguay)
No principio do século XVI, divulga-se a lenda do "El Dorado", segundo a qual junto às nascentes dos grandes rios que desaguavam no Atlântico, existiam fabulosas minas de ouro e prata. Gonçalo Coelho, em 1502, chegou a um desses rios - o Rio da Prata (nome português) entre a Argentina e o Uruguai. A partir daqui sucederam-se as tentativas de portugueses para o explorar e atingir a sua nascente.

Foi nestas andanças que outro português Aleixo Garcia, em 1525, chegou ao Paraguai, e com a ajuda dos indíos guaranis, atingiu a actual Bolívia, tendo confirmado a existência de enormes riquezas. Estava assim aberta a chamada Rota da Prata que ligava Buenos Aires a Potosi (Bolívia).
Palestina
A história de Portugal durante séculos esteve intimamente ligada à Palestina, na dupla perspectiva de reconquista cristã (Cruzadas) e regresso dos judeus a este território do médio Oriente. Não nos esqueçamos que no final do se´culo XV, cerca de 10% da população portuguesa era judia. O que se tem passado neste território depois da 2ª. Guerra Mundial (1939-1945), nomeadamente as guerras israelo-arabes tem-se reflectido em Portugal.

Perú
Perú era o nome dado pelos portugueses a grande parte da América do Sul ocupada pelos espanhóis. A descoberta de ouro e prata, em finais do século XVI, trouxe à região muitos portugueses de religião cristã ou judaica, estes últimos fugiam da Inquisição.

Polónia
Os polacos garantem que as relações entre Portugal e a Polónia, dois países católicos, datam do século XV. Cavaleiros polacos terão ajudado os portugueses a conquistarem Ceuta (1415).

Porto Rico
As ligações de Portugal às Caraibas (Antilhas) continuam a ser motivo de polémica.
Tudo indica que os portugueses já as conheciam antes de 1492.
Colombo foi o primeiro a testemunhar esta hipótese (consultar). O seu filho Diego de Colon, natural de Lisboa, foi o 2º. Vice-Rei das Indias.

Muitos outros portugueses aparecem ligados às Caraibas, como Cristovão de Sotomayor (ou Sotomaior). Acompanhou D. Diego Colón às Indias, em 1509. Foi o Aguacil de Ponce de León (1460-1521), o explorador de Porto Rico e das costas da Flórida. Cristovão de Sotomayor morreu durante o levantamento indio de 1511, em Porto Rico. Este português foi o fundador em 1510 da Vila de Tavora (actual Guánica), nome que atribuiu em honra da sua mãe Dona Teresa de Tavora, Condessa de Caminha, no norte de Portugal. As pragas de mosquitos obrigaram os habitantes de Tavora a mudaram-e para outro local junto à foz do Rio Añasco ou Aguada. A nova povoação recebeu o nome de Vila de Sotomayor.

Quénia
No actual Quénia, os portugueses construíram no século XVI duas importantes fortalezas: Mombaça e Melinde. Melinde foi o primeiro local onde os portugueses se fixaram, sendo a partir daqui que se deslocaram para Mombaça.

Reino Unido ( Grã-Bretanha )
Desde a Idade Média que se regista a presença regular de portugueses em Inglaterra pelos motivos mais diversos (económicos, políticos, etc).

Roménia
A roménia foi um antigo bastião cristão na Europa Oriental. Desde o século XV que existem relatos na ligação entre portugueses e romenos. O Infante D. Pedro, em 1427, foi à Transsilvânia com um exercíto para apoiar o principe romeno Dan IIo na luta contra os Turcos otomanos que se tinham instalado na Valáquia.

Rússia
Os relações diplomáticas entre Portugal e a Rússia datam de 1779, no entanto os contactos comerciais e culturais são muitos anteriores.

Seychelles
O arquipélago foi descoberto nos princípios do século XVI pelos portugueses (Vasco da Gama). Em meados do século XVIII foi a vez da França o ocupar..
A PUBLICAÇÃO DESTE TEXTO
CONTINUARÁ
NOS PRÓXIMOS DIAS

CARLOS DO CARMO - UM HOMEM NA CIDADE

CONVITE - O TAMBWE-A UNHA DO LEÃO EM SETÚBAL

Amiga / o,
No próximo sábado, 3 de Dezembro, pelas 16:00 horas, voltamos a abrir as portas da Livraria Culsete para apresentar um novo romance, Tambwe – A Unha do Leão, numa sessão com a presença do autor, António Oliveira e Castro.
O convite segue em anexo. O livro será apresentado pelo escritor e ensaísta Fernando Gandra. A sessão conta ainda com as participações do ator José Nobre e do saxofonista Rafael Lopes.
Vai ser outra grande tarde na Culsete. Apareça. E traga os seus amigos.
Um abraço,
Manuel Pereira Medeiros / LV

COMENTÁRIO SOBRE O LIVRO TAMBWE-A UNHA DO LEÃO

COMENTÁRIO DE UM PORTUGUÊS EM JAKARTA (INDONÉSIA) SOBRE O ROMANCE TAMBWE-A UNHA DO LEÃO.






“Tambwe a Unha do Leão” – Conta a história de Eugénio, um inadaptado ao Ocidente actual, que, graças ao dom/maldição de ser capaz de pensar, tem tanta dificuldade em aceitar a sua realidade como em se manter visível e material.
O livro começa de forma abrupta e violenta. Eugénio toma a decisão de encontrar a morte antes que ela o encontre e acabar assim com o seu permanente enjoo, fruto da falta de significado da sua existência. Será esta a escolha que irá pautar toda a acção.
Partimos, então, para uma jornada que oscila através de diversos espaços, tempos e misticismos que acompanham Eugénio ao longo da sua vida, o transformam e nos dão a conhecer o mundo através dos olhos do personagem. Mundo corrompido pelo próprio Ser Humano e pelas suas criações. O personagem anseia por um lugar mais simples e puro, com tempo para o Homem e os Idealismos. Um mundo onde caibam os misticismos e as culturas de humanismo, em oposição à frieza da tecnologia, à crueldade financeira e à violência da guerra.
Durante a jornada, o autor transporta-nos, numa escrita envolvente e intensa, por vários lugares e profundos personagens. Cada personagem, carrega simbologias próprias e representativas das facetas do Homem, desde a ganância de generais Angolanos, aos traiçoeiros e cínicos mercenários Franceses, à Integridade de soldados soviéticos, mas também a capacidade de sonhar implícita na relação que mantém com a amante Afrodite.
Por fim, Eugénio encontra o que procurava. A paz. Consegue livrar-se dos seus tormentos e viajar para um lugar melhor. Para onde e como, depende do leitor.
Tambwe é um livro sobre o estranho Eugénio, criatura pensante e permanentemente insatisfeita. Insatisfação que o leva a auto-destruir-se em busca de uma realidade perdida. É também um livro sobre a Questão. Livro sobre o eterno porquê e incompreensível significado da vida e da realidade com que nos confrontamos. Livro que questiona e que nos leva a questionar realidades, dogmas e futuros.
Jakarta-Henrique Castro 23-11-2011