sexta-feira, 21 de março de 2014
quarta-feira, 19 de março de 2014
ANTÓNIO LOBO ANTUNES- OS PORTUGUESES SÃO UNS INGRATOS!

Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a
vida.
Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda
compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento.
Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos
logo os governos.
Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós,
a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.
Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estoico
silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o
senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da
miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo
ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à
caridade.
O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da
bondade as vezes é hereditário, dúzias deles.
Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos,
reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns
Cristos, que pecado feio, a ingratidão.
O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor
Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura
maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o
nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em
tribunal.
Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de
respeito.

Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto,
com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver:
- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo
que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa
interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores,
que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro,
espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a
bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no
coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores,
aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.
As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem,
penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de
enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas,
ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas
passaremos semdificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos
abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência
deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à
sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.
Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia.
Para a Batalha.

Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de
pacotilha com que os livros de História nos enganaram. Que o Dia de Camões
passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja
espírito de medida, haja respeito.
Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de
perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha
contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como
provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda
perseguição pessoal com fins inconfessáveis.
Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de
onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair.
Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era
um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de
Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com
as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar.
Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis
mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.
Agradeçam a Linha Branca.
Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.
Abaixo o Bem-Estar.
Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o
peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas
generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de
cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas
podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das
mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.
Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e
vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos.
Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e,
enquanto vender o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a
Academia Francesa.
Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os
ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar?
O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não
haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda
sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os
processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de
prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos
uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação,
felizes.
António Lobo Antunes

terça-feira, 18 de março de 2014
DIA MUNDIAL DA POESIA - CULSETE-SETÚBAL
Caríssima/caríssimo,
Na próxima sexta-feira, dia 21 de março, Dia Mundial da Poesia, às 21:30 horas, a Culsete vai realizar no seu espaço o lançamento do livro coletivo Poemas para Manuel Medeiros. A sessão que assumirá a forma de tertúlia, será dirigida por Hélder Moura Pereira e José Teófilo Duarte, os mentores desta homenagem, e contará com a participação de outros poetas presentes no livro, como António Oliveira e Castro, Arlindo Mota, Artur Goulart e Fernando Gandra.
Apareça. Traga os seus amigos e venha ouvir ler e ler poemas para Manuel Medeiros.
F.R.M.

AJUDE A PROCURAR O AVIÃO DA AIR MALÁSIA, DESAPARECIDO.
AJUDE A PROCURAR O AVIÃO DA AIR MALÁSIA, DESAPARECIDO, ATRAVÉS DE IMAGENS DE SATÉLITE:

ALMOFADA DE PEDRA
Almofada de pedra


por VIRIATO SOROMENHO MARQUES
Como é que designaríamos o comportamento de um cidadão que, incapaz de honrar um crédito pessoal a uma taxa de 3,35%, prestes a atingir a maturidade, contraísse um novo empréstimo a uma taxa de 5,11% para pagar o primeiro ("troca de dívida")? Sem dúvida, tratar-se-ia de um comportamento pouco recomendável. E como seria classificado esse comportamento se o cidadão em causa utilizasse parte do novo empréstimo (de 11-02-2014) para antecipar, parcialmente, o pagamento em 19,5 meses do primeiro empréstimo, pagando 102,89 euros por cada 100 euros de dívida ("recompra")? Seria, certamente, uma atitude temerária, pois aumenta a despesa com juros para apenas empurrar a dívida para o futuro. Pois é isso que o Governo pretende fazer hoje. O leitor pode ir ao site eletrónico do IGCP. Abra o boletim mensal de fevereiro sobre "Dívida Pública". Na p. 2, vê que o Estado vai ter de resolver até 2016 cerca de 39 mil milhões de euros de empréstimos. Esse imenso obstáculo tem sido o pretexto para a constituição de uma volumosa "almofada" financeira. Tudo indica que o IGCP quer recomprar, hoje, uma parte de uma série de dívida a dez anos, contraída a partir de outubro de 2005 (ver p. 3). Se o fizer, às taxas mais recentes no mercado secundário, isso significa que, para o montante que for hoje amortizado, vamos pagar mais 3,53% de juros por ano até outubro de 2015 do que antes das duas operações financeiras supracitadas. Será isto uma gestão prudente, ditada pelo interesse nacional, ou estará o Tesouro público em risco para alimentar uma ilusão pré-eleitoral de triunfo? Será esta uma almofada que alivia o País, ou uma pedra amarrada às pernas que o atira para o fundo? Temos direito a saber a lógica com que se joga o dinheiro sonegado aos salários e às pensões. Direito a uma explicação, ou a uma beliscadela que nos acorde deste pesadelo.
ESTAMOS ENTREGUES AOS BICHOS!!!

ESTAMOS ENTREGUES AOS BICHOS!!!

MANIFESTO DOS 70 E O ÓDIO DE MORTE DOS YUPPIES AOS "VELHOS"
A RAIVA QUE O MANIFESTO DOS 70 PROVOCOU - por PACHECO PEREIRA


15 de Março de 2014 às 12:23
É difícil imaginar tanta raiva, tanta vontade de calar, tanto desejo de pura exterminação do outro, como aquele que se abateu sobre o manifesto dos 70 signatários a pretexto da reestruturação da dívida, uma posição expressa em termos prudentes e moderados por um vasto grupo de pessoas qualificadas, quase todas também prudentes e moderadas.
Nem isso poupou os seus signatários a uma série de insultos, acusações ad hominem, insinuações e o que mais adiante se verá. Sobre eles caiu a excomunhão que retira os seus nomes do círculo de ferro da confiança do poder.
Pelo contrário, alguns dos que os atacam ganharam o direito de lá entrar, e os que já estão lá dentro viram reforçada a confiança que lhes permite uma vida almofadada dos custos da crise. São os “responsáveis”, discordam às vezes no secundário, mas portam-se bem. Os 70, pelo contrário, portaram-se muito mal. Num mundo cada vez mais dos “nossos” e dos “deles”, bastante parecido com o paradigma marxista da luta de classes, os signatários cometeram vários pecados mortais, e ficaram do “lado errado”. É com eles que estou e é com eles que quero estar, não tendo assinado o manifesto apenas por incúria minha em responder a tempo ao convite que me foi feito. Mas é como se o tivesse assinado, por isso incluam-me na lista dos insultos, que já estou habituado.

Veio ao de cima tudo, a começar pelo primeiro-ministro, que os tratou de essa “gente”, ou porque tinham uma “agenda política” ou porque eram “cépticos” por natureza, inúteis para o glorioso esforço nacional de empobrecer como programa de vida. O manifesto era “antipatriótico”, com um timing inaceitável, a dois meses da “libertação” de 1640, feito pelos “culpados” do esbanjamento, pelos “velhos” a defenderem os seus privilégios, pelos defensores do statu quo dos interesses instalados, pelos “jarretas”, pela “geração errada”. O seu objectivo escondido, ao assinarem o manifesto, é outro, é “manter o modelo de negócio que temos, o Estado que temos, e atirar a dívida para trás das costas”, escreve António Costa em editorial do Diário Económico. José Gomes Ferreira é mais claro: “Estará a vossa iniciativa relacionada com alguns cortes nas vossas generosas pensões?”
Os argumentos ad hominem abundam. Alguns dos signatários que são de direita, um bom exemplo é Adriano Moreira, passaram a ter que ser de esquerda, o que é um modo muito interessante de lhes recusar a identidade, esvaziá-los do que foram toda a vida, para substituir essa identidade por aquilo que é, na sua pena, um anátema: “Já cá faltava um manifesto, de espectro partidário amplo, mas com uma ideologia única, de Esquerda”, diz, de novo, um editorial de António Costa no Diário Económico.
Cada vez mais se generaliza em Portugal a idade como insulto, diminuição, culpa, e todos são “velhos” por associação. Falta-lhes a desenvoltura dos “jovens”. José Gomes Ferreira pergunta: “Que tal deixarem para a geração seguinte a tarefa de resolver os problemas gravíssimos que vocês lhes deixaram? É que as vossas propostas já não resolvem, só agravam os problemas. Que tal darem lugar aos mais novos?” De facto, troquem Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Vítor Martins, Sevinate Pinto, o presidente da CIP, Capucho, Sampaio da Nóvoa, Braga da Cruz, Gomes Canotilho, Manuel Porto, Teresa Beleza, e tantos outros, pelos “mais novos”, Relvas, Arnault, Marco António, Passos, pelos yuppies das consultoras financeiras que antes vendiam os swaps, e agora iam negociá-los para o Governo, pelos jovens lobos dos escritórios de advogados que fazem todos os negócios do Estado e vice-versa, sob a batuta de alguns velhos “que estão lá sempre”, pelo jovem que era para ser propagandista do Impulso Jovem, pelos gestores desempoeirados que usam o Twitter todas as horas e que circulam de cargos políticos para a Caixa, para a RTP, para Angola, dos ministérios para as empresas do PSI-20, ou aqueles que os chineses empregam para manter um link, útil, mesmo que caro. Manuela Ferreira Leite é “velha”, Catroga é novo. “Que tal darem lugar aos mais novos?”
Nos comentários dos blogues pró-governamentais, ou seja, no fim da cadeia alimentar, espuma-se de ódio junto com erros de ortografia, alguns dos quais eu corrijo para se perceber, outros ficaram: “Este tipo de "notáveis" (…) sinceramente mentem nojo. Concordo em pleno com o nosso primeiro-ministro com o facto de hoje em dia já nem sequer consegue responder a este tipo de escumalha que hoje em dia aparece na comunicação social, parlamento em fim....por todo lado”; “foi uma ideia idiota que passou pela cabeça de alguns”; “infelizmente estamos já habituados a que figuras da direita se mudem para a ideologia da esquerda irresponsável vá-se lá saber a troco de quê, ou talvez fácilmente se saiba...(…) São gente golpista, que facilmente vende a alma e a dignidade.” E estes são alguns comentários reproduzíveis, a maioria é puro insulto soez.

A imprensa económica teve nesta fronda contra o manifesto um papel central, enfileirou editoriais furiosos e notícias com títulos críticos sobre como o manifesto de nada valia e como felizmente ninguém ouvia estes “irresponsáveis”, repetindo os argumentos do antipatriotismo, do “timingerrado” que sairia “caro” ao país, caso alguém “ligasse” ao manifesto, que deitaria abaixo o adquirido pelos “sacrifícios” dos portugueses, como disse o primeiro-ministro e eles glosam. José Gomes Ferreira vai mais longe – se as coisas correrem mal, a culpa é vossa: “Mesmo sendo uma proposta feita por cidadãos livres e independentes, pela sua projecção social poderá ter impacto externo e levar a uma degradação da percepção dos investidores, pela qual vos devemos responsabilizar desde já. Se isso acontecer, digo-vos que como cidadão contribuinte vou exigir publicamente que reparem o dano causado ao Estado.” A mensagem essencial é “saiam da frente”, a mesma que está na capa e no título de um livro de Camilo Lourenço, que achava bem que houvesse um novo resgate porque isso “disciplinaria” os preguiçosos dos portugueses.
O que é que tocou esta corda hipersensível de governantes, jornalistas da imprensa económica, homens da banca, alguns empresários e os seus agentes na ideologia “orgânica” do “ajustamento”? Primeiro, voltar ao bom senso e deixar os revolucionarismos de “mudar Portugal”, mostrar que há uma política alternativa, que pode ser difícil, mas é muito mais realista do que a política actual, ou seja, que há alternativas. E, pelo caminho, revelar a grande hipocrisia em que assenta a política governamental, e em nome da qual os portugueses têm vindo a ter a vida estragada: é que para se pagar a dívida, tem que haver folga para o crescimento económico e qualquer outra solução é pura e simplesmente irrealista. A questão é que daqui a uns anos, quando tudo isto desabar, nenhum destes corifeus políticos dos “mercados” vai estar por cá, mas a sua herança estará.
Segundo, que essa alternativa implica uma nova forma de estar na Europa, ou seja, responsabiliza-nos pela acção e não pela submissão. É como num velho ditado gaullista sobre os comunistas: “Só fazem aquilo que lhes permitimos que façam”. E como nós permitimos tudo, fazem tudo. Na Europa é-se mais realista, incluindo nos “mercados”, do que se pensa e seja porque nós actuamos, ou seja a reboque do que pode acontecer na França, Itália ou Espanha, a política vai mudar. Só que, quando mais tarde Portugal o reclamar como membro de parte inteira da União, mais estragado estará o país, maior será o preço.
Terceiro, o manifesto revela que o único consenso transversal existente hoje na vida pública portuguesa, é exactamente aquele que põe em causa a actual política do Governo e dos seus apoiantes. O outro “consenso” assenta num rotativismo entre PS e PSD, obrigados a um pacto que impõe uma política “única” e a aceitação e institucionalização de um colaboracionismo face a uma Europa que pode aceitar “manter-nos”, mas com rédea curta e disciplinados. É apenas a blindagem da actual política em eleições, para que, quer se vote no PSD ou no PS, tudo continue na mesma. Esse seria um enorme risco para a democracia.
Este surto de raiva, com laivos claramente censórios, não me surpreende. Estava à espera dele, na sua magnitude e violência. E não vai acabar, vai-se tornar endémico. Ele é o efeito a curto prazo de uma política que se assume para vinte ou trinta anos de empobrecimento, centrados num único eixo: pagar aos credores, obedecer aos mercados. Essa política não pode ser conduzida em democracia, só pode existir com base num regime autoritário.
(No PÚBLICO de 15 de Março de 2014. José Pacheco Pereira é historiador)

Nem isso poupou os seus signatários a uma série de insultos, acusações ad hominem, insinuações e o que mais adiante se verá. Sobre eles caiu a excomunhão que retira os seus nomes do círculo de ferro da confiança do poder.
Pelo contrário, alguns dos que os atacam ganharam o direito de lá entrar, e os que já estão lá dentro viram reforçada a confiança que lhes permite uma vida almofadada dos custos da crise. São os “responsáveis”, discordam às vezes no secundário, mas portam-se bem. Os 70, pelo contrário, portaram-se muito mal. Num mundo cada vez mais dos “nossos” e dos “deles”, bastante parecido com o paradigma marxista da luta de classes, os signatários cometeram vários pecados mortais, e ficaram do “lado errado”. É com eles que estou e é com eles que quero estar, não tendo assinado o manifesto apenas por incúria minha em responder a tempo ao convite que me foi feito. Mas é como se o tivesse assinado, por isso incluam-me na lista dos insultos, que já estou habituado.

Veio ao de cima tudo, a começar pelo primeiro-ministro, que os tratou de essa “gente”, ou porque tinham uma “agenda política” ou porque eram “cépticos” por natureza, inúteis para o glorioso esforço nacional de empobrecer como programa de vida. O manifesto era “antipatriótico”, com um timing inaceitável, a dois meses da “libertação” de 1640, feito pelos “culpados” do esbanjamento, pelos “velhos” a defenderem os seus privilégios, pelos defensores do statu quo dos interesses instalados, pelos “jarretas”, pela “geração errada”. O seu objectivo escondido, ao assinarem o manifesto, é outro, é “manter o modelo de negócio que temos, o Estado que temos, e atirar a dívida para trás das costas”, escreve António Costa em editorial do Diário Económico. José Gomes Ferreira é mais claro: “Estará a vossa iniciativa relacionada com alguns cortes nas vossas generosas pensões?”
Os argumentos ad hominem abundam. Alguns dos signatários que são de direita, um bom exemplo é Adriano Moreira, passaram a ter que ser de esquerda, o que é um modo muito interessante de lhes recusar a identidade, esvaziá-los do que foram toda a vida, para substituir essa identidade por aquilo que é, na sua pena, um anátema: “Já cá faltava um manifesto, de espectro partidário amplo, mas com uma ideologia única, de Esquerda”, diz, de novo, um editorial de António Costa no Diário Económico.
Cada vez mais se generaliza em Portugal a idade como insulto, diminuição, culpa, e todos são “velhos” por associação. Falta-lhes a desenvoltura dos “jovens”. José Gomes Ferreira pergunta: “Que tal deixarem para a geração seguinte a tarefa de resolver os problemas gravíssimos que vocês lhes deixaram? É que as vossas propostas já não resolvem, só agravam os problemas. Que tal darem lugar aos mais novos?” De facto, troquem Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Vítor Martins, Sevinate Pinto, o presidente da CIP, Capucho, Sampaio da Nóvoa, Braga da Cruz, Gomes Canotilho, Manuel Porto, Teresa Beleza, e tantos outros, pelos “mais novos”, Relvas, Arnault, Marco António, Passos, pelos yuppies das consultoras financeiras que antes vendiam os swaps, e agora iam negociá-los para o Governo, pelos jovens lobos dos escritórios de advogados que fazem todos os negócios do Estado e vice-versa, sob a batuta de alguns velhos “que estão lá sempre”, pelo jovem que era para ser propagandista do Impulso Jovem, pelos gestores desempoeirados que usam o Twitter todas as horas e que circulam de cargos políticos para a Caixa, para a RTP, para Angola, dos ministérios para as empresas do PSI-20, ou aqueles que os chineses empregam para manter um link, útil, mesmo que caro. Manuela Ferreira Leite é “velha”, Catroga é novo. “Que tal darem lugar aos mais novos?”
Nos comentários dos blogues pró-governamentais, ou seja, no fim da cadeia alimentar, espuma-se de ódio junto com erros de ortografia, alguns dos quais eu corrijo para se perceber, outros ficaram: “Este tipo de "notáveis" (…) sinceramente mentem nojo. Concordo em pleno com o nosso primeiro-ministro com o facto de hoje em dia já nem sequer consegue responder a este tipo de escumalha que hoje em dia aparece na comunicação social, parlamento em fim....por todo lado”; “foi uma ideia idiota que passou pela cabeça de alguns”; “infelizmente estamos já habituados a que figuras da direita se mudem para a ideologia da esquerda irresponsável vá-se lá saber a troco de quê, ou talvez fácilmente se saiba...(…) São gente golpista, que facilmente vende a alma e a dignidade.” E estes são alguns comentários reproduzíveis, a maioria é puro insulto soez.

A imprensa económica teve nesta fronda contra o manifesto um papel central, enfileirou editoriais furiosos e notícias com títulos críticos sobre como o manifesto de nada valia e como felizmente ninguém ouvia estes “irresponsáveis”, repetindo os argumentos do antipatriotismo, do “timingerrado” que sairia “caro” ao país, caso alguém “ligasse” ao manifesto, que deitaria abaixo o adquirido pelos “sacrifícios” dos portugueses, como disse o primeiro-ministro e eles glosam. José Gomes Ferreira vai mais longe – se as coisas correrem mal, a culpa é vossa: “Mesmo sendo uma proposta feita por cidadãos livres e independentes, pela sua projecção social poderá ter impacto externo e levar a uma degradação da percepção dos investidores, pela qual vos devemos responsabilizar desde já. Se isso acontecer, digo-vos que como cidadão contribuinte vou exigir publicamente que reparem o dano causado ao Estado.” A mensagem essencial é “saiam da frente”, a mesma que está na capa e no título de um livro de Camilo Lourenço, que achava bem que houvesse um novo resgate porque isso “disciplinaria” os preguiçosos dos portugueses.
O que é que tocou esta corda hipersensível de governantes, jornalistas da imprensa económica, homens da banca, alguns empresários e os seus agentes na ideologia “orgânica” do “ajustamento”? Primeiro, voltar ao bom senso e deixar os revolucionarismos de “mudar Portugal”, mostrar que há uma política alternativa, que pode ser difícil, mas é muito mais realista do que a política actual, ou seja, que há alternativas. E, pelo caminho, revelar a grande hipocrisia em que assenta a política governamental, e em nome da qual os portugueses têm vindo a ter a vida estragada: é que para se pagar a dívida, tem que haver folga para o crescimento económico e qualquer outra solução é pura e simplesmente irrealista. A questão é que daqui a uns anos, quando tudo isto desabar, nenhum destes corifeus políticos dos “mercados” vai estar por cá, mas a sua herança estará.
Segundo, que essa alternativa implica uma nova forma de estar na Europa, ou seja, responsabiliza-nos pela acção e não pela submissão. É como num velho ditado gaullista sobre os comunistas: “Só fazem aquilo que lhes permitimos que façam”. E como nós permitimos tudo, fazem tudo. Na Europa é-se mais realista, incluindo nos “mercados”, do que se pensa e seja porque nós actuamos, ou seja a reboque do que pode acontecer na França, Itália ou Espanha, a política vai mudar. Só que, quando mais tarde Portugal o reclamar como membro de parte inteira da União, mais estragado estará o país, maior será o preço.
Terceiro, o manifesto revela que o único consenso transversal existente hoje na vida pública portuguesa, é exactamente aquele que põe em causa a actual política do Governo e dos seus apoiantes. O outro “consenso” assenta num rotativismo entre PS e PSD, obrigados a um pacto que impõe uma política “única” e a aceitação e institucionalização de um colaboracionismo face a uma Europa que pode aceitar “manter-nos”, mas com rédea curta e disciplinados. É apenas a blindagem da actual política em eleições, para que, quer se vote no PSD ou no PS, tudo continue na mesma. Esse seria um enorme risco para a democracia.
Este surto de raiva, com laivos claramente censórios, não me surpreende. Estava à espera dele, na sua magnitude e violência. E não vai acabar, vai-se tornar endémico. Ele é o efeito a curto prazo de uma política que se assume para vinte ou trinta anos de empobrecimento, centrados num único eixo: pagar aos credores, obedecer aos mercados. Essa política não pode ser conduzida em democracia, só pode existir com base num regime autoritário.
(No PÚBLICO de 15 de Março de 2014. José Pacheco Pereira é historiador)

ABRA OS OLHOS E COMBATA O GOVERNO!
Sabias que…

ABRA OS OLHOS E COMBATA ESTE GOVERNO
- 76% dos prejuízos das empresas de transportes públicos deve-se ao pagamento de juros aos bancos?
- Dois terços dos passageiros da Carris têm mais de 65 anos?
- O total de juros pagos pelas empresas é 153% o valor dos salários?
- A CP e o Metro pagam mais em juros do que em salários, incluindo encargos com a Segurança Social?
- Despediram-se 37% dos trabalhadores entre 2001 e 2011?
- O Metro Sul do Tejo (privado) recebe 4 vezes mais indemnizações por cada passageiro do que o Metro de Lisboa (público)?
- A Fertagus (comboios privados) recebe 1,5 vezes mais indemnizações do que a CP?
- Que não há nenhuma empresa de transportes públicos na Europa que dê lucro?
- Até nos EUA a empresas de transporte ferroviário é pública?
- Foram eliminados 900 km de linhas ferroviárias desde 1988 e estão em curso planos para acabar com mais 430 km?
- Em 1988 realizaram-se 231 milhões de viagens de comboio em Portugal e em 2011 apenas 128 milhões?
- Portugal vais gastar 42.395.604.000 euros (42,4 mil milhões de euros) em 16 PPP de estradas até 2050, 2,5 vezes o total da dívida das empresas de transportes públicos acumulada ao longo de décadas?
- O transporte público tem efeitos positivos no ambiente, na saúde, na mobilidade, na poluição sonora e no trânsito?
- O secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações foi assessor da Mota-Engil no polémico caso do Terminal de Contentores de Alcântara, contra o Estado?
A NÃO VIOLÊNCIA DE GANDHI... SERÁ QUE ISSO HOJE RESULTA?
~

CONTA-SE AINDA QUE
Quando Gandhi estudava Direito no Colégio Universitário de Londres, um professor de apelido Peters tinha-lhe aversão, mas o estudante nunca baixou a cabeça perante as frequentes provocações.
Um dia o Professor Peters estava a almoçar na sala de refeições da Universidade e o aluno vem com a bandeja e senta-se ao lado do professor.
O Professor, altivo, diz
- "Sr. Gandhi você não entende ... Um porco e um pássaro, não se sentam
juntos para comer."
Ao que Gandhi respondeu:
- "Fique o professor tranquilo ... Eu vou voando", e mudou-se pra outra mesa
Mr. Peters ficou cheio de raiva e decidiu vingar-se no teste seguinte, mas o
aluno respondeu de forma brilhante a cada pergunta. Então o professor fez
mais uma pergunta:
- "Mr. Gandhi, você está a andar na rua e encontra um saco, dentro dele está
a sabedoria e uma grande quantidade de dinheiro, qual dos dois tira?"
Gandhi responde sem hesitar: - "É claro professor que tiro o dinheiro!"
O professor Peters sorrindo diz: - "Eu, ao contrário, tinha agarrado a
sabedoria, você não acha?"
- "Cada um tira o que não tem, responde o aluno "
O professor Peters, fica histérico e escreve na folha do teste: Idiota!
E o jovem Gandhi recebe a folha e lê atentamente.
Depois de ler, dirige-se ao professor e diz:
O Professor, altivo, diz
- "Sr. Gandhi você não entende ... Um porco e um pássaro, não se sentam
juntos para comer."
Ao que Gandhi respondeu:
- "Fique o professor tranquilo ... Eu vou voando", e mudou-se pra outra mesa
Mr. Peters ficou cheio de raiva e decidiu vingar-se no teste seguinte, mas o
aluno respondeu de forma brilhante a cada pergunta. Então o professor fez
mais uma pergunta:
- "Mr. Gandhi, você está a andar na rua e encontra um saco, dentro dele está
a sabedoria e uma grande quantidade de dinheiro, qual dos dois tira?"
Gandhi responde sem hesitar: - "É claro professor que tiro o dinheiro!"
O professor Peters sorrindo diz: - "Eu, ao contrário, tinha agarrado a
sabedoria, você não acha?"
- "Cada um tira o que não tem, responde o aluno "
O professor Peters, fica histérico e escreve na folha do teste: Idiota!
E o jovem Gandhi recebe a folha e lê atentamente.
Depois de ler, dirige-se ao professor e diz:
- "Mr. Peters, reparo que assinou a minha folha, mas não colocou a nota".
É preciso saber reagir com serenidade e perspicácia às ofensas que se recebe?
É preciso saber reagir com serenidade e perspicácia às ofensas que se recebe?
sexta-feira, 14 de março de 2014
AVIÃO COM PISO DE VIDRO...É PRECISO CORAGEM PARA VIAJAR AQUI.
Virgin Airlines diz que Airbus A320 adaptado entrará em operação em breve.
A tripulação será treinada a acudir quem tiver crises de pânico.

O piso é feito de vidro especial para aviação ( foto: divulgação )
Se você tem medo de altura, fique longe disso: a companhia aérea Virgin Airlines anunciou a criação do primeiro avião do mundo com piso de vidro. A invenção, mantida em segredo até hoje, quer garantir aos passageiros
“uma experiência de voo sem paralelos, e também uma seleção de paisagens de tirar o fôlego que podem ser vistas do conforto de seus assentos”.
O projeto foi criado pelo departamento de inovação da companhia e deve entrar em operação em breve.
O avião é idêntico ao Airbus A320 padrão já usado em linhas domésticas na Grã-bretanha - a diferença é uma faixa de vidro na parte de baixo. O material utilizado é o vidro padrão usado na aviação.
O avião também tem outra diferença: a tripulação será especialmente treinada para acudir passageiros que eventualmente tenham crises de pânico.
Veja mais fotos do avião:
“uma experiência de voo sem paralelos, e também uma seleção de paisagens de tirar o fôlego que podem ser vistas do conforto de seus assentos”.
O projeto foi criado pelo departamento de inovação da companhia e deve entrar em operação em breve.
O avião é idêntico ao Airbus A320 padrão já usado em linhas domésticas na Grã-bretanha - a diferença é uma faixa de vidro na parte de baixo. O material utilizado é o vidro padrão usado na aviação.
O avião também tem outra diferença: a tripulação será especialmente treinada para acudir passageiros que eventualmente tenham crises de pânico.
Veja mais fotos do avião:


quarta-feira, 12 de março de 2014
ADOLFO MARIA-NOVO LIVRO: ANGOLA SONHO E PESADELO (19-03-1014, ÀS 18HORAS, NA AVENIDA DO CAMPO GRANDE 380-b, LISBOA)
![]() 19/03/2014 ANGOLA – SONHO E PESADELO LANÇAMENTO: dia 19 de Março (4.ª feira), às 18h00, no Auditório “Armando Guebuza” (Univ. Lusófona, Lisboa). Apresentação: Dr.ª Francisca Van Dunem Por iniciativa conjunta das Edições Colibri e do Departamento de Ciência Política, Segurança e Relações Internacionais da Universidade Lusófona convidamos V.ª Ex.ª para a sessão de apresentação do livro ANGOLA SONHO E PESADELO da autoria de Adolfo Maria apresentação Dr.ª Francisca Van Dunem dia 19 de Março (4.ª feira), às 18h00 Auditório “Armando Guebuza” Av. do Campo Grande 380-B, Lisboa |

segunda-feira, 10 de março de 2014
UM QUEBRA-CABEÇAS
Um bom Quebra Cabeças.
Se você consegue armar, tchau Alzheimer...
É muito interessante e relaxante!
Click aqui >>>>>>>: http://www.brl.ntt.co.jp/people/hara/fly.swf

A LETRA P NA LÍNGUA PORTUGUESA
A letra P no português.

A língua portuguesa, junto com a francesa, são as ÚNICAS línguas
neolatinas na face da Terra que são completas em todos os sentidos...
quem fala português ou francês de nascimento, é capaz de fazer proezas
como esse texto com a letra "P"... Só o português e o francês permitem
isto...
Pedro Paulo Pereira Pinto,
pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu
para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba,
pintou prateleiras para poder progredir.
Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para
Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres.
Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém
posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.
Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir
permissão para Papai para permanecer praticando pinturas, preferindo,
portanto, Paris. Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois
pretendia pintá-los.
Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos,
preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam
precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas
picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente
pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente,
possantes potrancas. Pisando Paris, permissão para pintar palácios
pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza,
precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos,
preferindo Pedro Paulo precaver-se.
Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando,
porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos
pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal.
Povo previdente! Pensava Pedro Paulo... Preciso partir para Portugal
porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos
portugueses. Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo.
Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir.
Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio
partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois
precisava pedir
permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas.
Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo
permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o
pelo pescoço proferiu: Pediste permissão para praticar pintura, porém,
praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia.
Porque pintas porcarias? Papai proferiu Pedro Paulo, pinto porque
permitiste, porém, preferindo, poderei procurar profissão própria para
poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.
Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos
pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para
praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram
pescar para poderem prosseguir peregrinando.
Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram
pacus, piaparas, pirarucus. Partindo pela picada
próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles
primeiro.
Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo
próximo, pedreiro profissional perfeito.
Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para
Péricles profissionalizar Pedro Paulo. Primeiramente Pedro Paulo pegava
pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava
pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar
prédios. Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas
paredes pintadas. Pobre Pedro Paulo pereceu pintando...
Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para
pensar... Para parar preciso pensar. Pensei. Portanto, pronto pararei.
E você ainda se acha o máximo quando consegue dizer:
'O Rato Roeu a Rica Roupa do Rei de Roma.'?
A língua portuguesa, junto com a francesa, são as ÚNICAS línguas
neolatinas na face da Terra que são completas em todos os sentidos...
quem fala português ou francês de nascimento, é capaz de fazer proezas
como esse texto com a letra "P"... Só o português e o francês permitem
isto...
Pedro Paulo Pereira Pinto,
pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu
para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba,
pintou prateleiras para poder progredir.
Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para
Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres.
Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém
posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.
Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir
permissão para Papai para permanecer praticando pinturas, preferindo,
portanto, Paris. Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois
pretendia pintá-los.
Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos,
preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam
precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas
picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente
pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente,
possantes potrancas. Pisando Paris, permissão para pintar palácios
pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza,
precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos,
preferindo Pedro Paulo precaver-se.
Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando,
porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos
pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal.
Povo previdente! Pensava Pedro Paulo... Preciso partir para Portugal
porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos
portugueses. Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo.
Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir.
Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio
partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois
precisava pedir
permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas.
Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo
permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o
pelo pescoço proferiu: Pediste permissão para praticar pintura, porém,
praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia.
Porque pintas porcarias? Papai proferiu Pedro Paulo, pinto porque
permitiste, porém, preferindo, poderei procurar profissão própria para
poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.
Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos
pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para
praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram
pescar para poderem prosseguir peregrinando.
Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram
pacus, piaparas, pirarucus. Partindo pela picada
próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles
primeiro.
Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo
próximo, pedreiro profissional perfeito.
Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para
Péricles profissionalizar Pedro Paulo. Primeiramente Pedro Paulo pegava
pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava
pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar
prédios. Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas
paredes pintadas. Pobre Pedro Paulo pereceu pintando...
Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para
pensar... Para parar preciso pensar. Pensei. Portanto, pronto pararei.
E você ainda se acha o máximo quando consegue dizer:
'O Rato Roeu a Rica Roupa do Rei de Roma.'?
O SONHO DO PRIMEIRO-MINISTRO PASSOS COELHO
O sonho de Pedro Passos Coelho
Um terço é para morrer.


Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa, se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo.
E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis.
Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre.
Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor.
É por isso que nós não os vamos matar.
Eles é que vão morrendo.
Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos.
E as estatísticas já mostram isso.
O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho.
Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar.
Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde?
Eles lá sabem.
Por isso, joga tudo a nosso favor.
A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência.
Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos.


A natureza faz o resto.
O Paulo Macedo também faz o que pode.
Não é genocídio, é estatística.
Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo.
Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas.
E as escolhas implicam sempre sacrifícios.
Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza.
Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.
Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim.
Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.
1 _ Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma.
Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade.
Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos.
Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos.
O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento?
Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta.
Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro.
E os deficientes.
Não são todos.
Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade.
Não era justo.
E temos de promover a justiça social.

2 _ O outro terço temos de os pôr com dono.
É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca-vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar.
Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente.
Não digo voltar à escravatura, é outro papão de que não se pode falar, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura.
Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam.
A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam, ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós.
O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira.
Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários.
Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda.
Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua.
E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.

3 _ O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo.
Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável, tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier, que para eles poderem viver com conforto.
Não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI, e que para pagar a saúde deles, não podemos pagar a saúde dos pobres.

_ Um terço da população exterminada.
_ Um terço anestesiado.
_ Um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável.
A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável.
E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia.
Não vou ficar em Massamá a vida toda.
O Ângelo diz que, se continuarmos a portarmo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."»
José Vítor Malheiros
HUMOR EM TEMPO DE CRISE
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O MISTÉRIO DOS SAPATOS APERTADOS
Um homem usava todos os dias uns sapatos 2 números abaixo. Passava o dia inteiro a trabalhar com esses sapatos calçados, extremamente desconfortáveis, notava-se perfeitamente o sacrifício que ele fazia para aguentar as dores nos pés. Quando um colega lhe perguntou a razão de ele andar sempre com esses sapatos, o homem explicou:
- Não ganho dinheiro quase nenhum, tenho sempre fome, não tenho carro, a minha casa está a cair aos bocados, a minha mulher tem bigode e é feia como um bode … O único prazer que tenho na vida é chegar a casa e tirar os sapatos …
DEPUTADO DO CDS, UM NOVO RELVAS - E SÃO TIPOS DESTES QUE NOS GOVERNAM
JOVEM DEPUTADO DO CDS, COM O 12º ANO, ACHA QUE OS PROFESSORES DEVEM SER TESTADOS.
E OS DEPUTADOS ? NÃO ?
E QUE OS JOVENS DEVIAM TRABALHAR SEM SEGURANÇA SOCIAL.
PORTAS HÁ TEMPOS EXPLICOU O QUE É A POLITICA EM PORTUGAL :
«OS POLÍTICOS NÃO PRECISAM DE MÉRITO, ATÉ SÃO MUITO MEDÍOCRES, MAS NÃO SABEM FAZER MAIS NADA NA VIDA,
PRECISAM DA POLITICA PARA SUBIR NA VIDA.»


EIS UM EXEMPLO VIVO... da mediocridade que sobe e sobe na vida :
O deputado do CDS-PP, Michael Seufert, da Comissão de Educação, Ciência e Cultura,
"Foi considerado um dos 10 portugueses da área política mais influentes no Twitter em 2012..."
E isso é mais importante que qualquer currículo profissional, formação académica ou qualquer ideologia.
Na politica procuram-se pessoas medíocres mas populares, pessoas desonestas mas populares.
É isso que traz votos.
O deputado do CDS Michael Seufert, estudante, defende que os contractos para jovens que procuram o primeiro emprego deviam ser
"mais flexíveis" e "isentos de contribuições para a Segurança Social".
Para este deputado, as empresas conseguiriam assim cortar 30% nos custos com o trabalhador, se os jovens ficarem fora da Segurança Social.
Com 29 anos, é representante desta república. É gente desta, a quem pagamos elevados vencimentos, que nos governa .
São estes parasitas que passaram o tempo nas universidade privadas em festas e a embebedar-se que agora nos representam.
É também este rapazola , com o 12º ano, que tem a lata de vir defender exames para os professores...
Pasme-se perante as suas habilitações:
· Nome : Michael Lothar Mendes Seufert
· Data de Nascimento: 1983-04-15
· Habilitações Literárias: Ensino Secundário.
· Frequência de Licenciatura em Engenharia Electrotécnica e de Computadores
· Profissão: Estudante
· Comissões Parlamentares a que pertence:
Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública [Suplente]
Comissão de Educação, Ciência e Cultura [Coordenador GP]
Grupo de Trabalho - Parlamento dos Jovens
Grupo de Trabalho - Regime Jurídico da Partilha de Dados Informáticos


CURRÍCULO PROFISSIONAL:
1. Guia Turístico (Sandeman & Cia, Sogrape Vinhos SA),
2. 1999-2009 Deputado à Assembleia de Freguesia de Campanhã (Porto),
3. 2005-2009 Deputado à Assembleia de Freguesia de Nevogilde (Porto),
4. 2009-2013 Presidente da Juventude Popular, 2009-2011.
É o maravilhoso mundo da auto-formação. Um Relvas, que nem se preocupou em disfarçar.
Aos 47 anos este personagem aparecerá licenciado e doutorado por equivalência. Mas as coisas serão feitas com mais cuidado, pois eles ao longo dos anos aprimoram os seus esquemas. Lá está, aprendem depressa, e assim roubam cada vez mais e melhor, enganam e mentem mais e melhor. É essa a sua vocação e formação.
Já existe uma petição para o demitir. "Demissão do deputado Michael Lothar Mendes Seufert por falta de qualificações para desempenhar as tarefas que lhe foram atribuídas."
Claro que não vai adiantar nada porque quem valida as petições são os deputados, mas o povo ilude-se a brincar à democracia.
Pequena divagação
É sabido que tudo cujo lucro dependa dos gostos do público, tem que se enquadrar e adaptar a esse público.
É assim com os carros, os conteúdos da TV, das revistas, filmes , etc..
É assim também com a política.
Se o nível dos políticos é cada vez mais baixo, mais rasca, mais desonesto, mais incompetente, menos bem formado... é porque os estudos de aceitação popular, os estudos que ensinam como manipular as massas, mostraram que é disso que o povo gosta e o povo quer.
O produto é feito à medida do cliente alvo.
Os políticos possuem regimentos de psicólogos, markteers, especialistas em várias áreas que trabalham em torno da imagem, aperfeiçoam a manipulação, demagogia, etc. Que estudam passo a passo a popularidade de cada membro. Qual o mais popular?
Em que momento do discurso o público aplaudiu, delirou ou desgostou. Para saberem o que as pessoas gostam de ouvir e o que não gostam. Tudo é estudado e acautelado, afinal trata-se de um negócio muito lucrativo e que interessa a muitos. Não esquecer que em Portugal é a forma mais rápida e efectiva de se tornar milionário e permanecer milionário, sem mérito, sem esforço e sem a justiça a atrapalhar, com o bónus de ainda se tornar uma vedeta.
Os mafiosos que realmente têm poder nos partidos, já não são os que darão a cara pelo partido, pois muitos jamais teriam hipóteses de ganhar eleições. As vedetas são escolhidas a dedo em testes de popularidade ; o que melhor enganar o povo, manipular as massas, cativar inocentes, será o que terá lugar de destaque no partido e na governação.
Esta situação tem vindo a agravar-se, desde que os partidos perceberam que é dos sacanas que elas gostam mais.
As pessoas estranham que tenhamos corruptos a governar o país. Um politico competente honesto bem formado, mas tímido, ou gago ou feio jamais chegará a governar-nos.
Gostam é do mais popular e mais bandido. Dêem-lhe então o bandido, ora essa. Já no tempo da escola era assim.
segunda-feira, 3 de março de 2014
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
AS MENTIRAS DO PRIMEIRO MINISTRO - PENNE ALLA PUTANESCA
Penne alla putanesca

Que queres, responde Subir, esta é a minha vida, vais ver que daqui a 10 anos Portugal estará melhor. Entupi, de estupor.
Encontrei Subir Lall neste fim-de-semana, de regresso ao hotel, após um jogging vigoroso no corredor de Monsanto. Velho conhecimento de uma missão conjunta Fundo/Banco aquando da derrocada financeira da Tasmânia, apertámos os ossos e rememorámos um famoso jantar de penne alla putanesca no final de uma horrível primeira semana de missão.
Reconhecerás, responde Subir, que aniquilámos parte das rendas das produtoras eléctricas, restaurámos o equilíbrio financeiro nos transportes públicos e forçámos a redução de funcionários. E até ajudámos o governo a negociaras parcerias rodoviárias. Como te enganas, Subir, tens que ver mais longe do que te contam: a electricidade subiu mais que a inflação e poucos sabem das ajudas sociais existentes, os transportes públicos esse cancro urbano, nunca chegarão a pagar a dívida que transitou para as costas de todos os contribuintes e não parece que o Governo esteja interessado em os reestruturar e passar aos municípios, continuando a gerar risco moral. No que toca a funcionários, os que saíram do activo passaram todos à reforma, deixaram de contribuir, apenas custam um pouco menos. Quanto às parcerias, só foi negociado o corte de encargos com a manutenção de estradas, o que nos vai deteriorar o parque em poucos anos.
Mas tens bons resultados nas exportações, que já cruzaram as importações, devolve Subir. É verdade, respondi, mas foi à custa da refinaria de Sines, da renovação nas papeleiras, da poupança de combustíveis pelo aumento das renováveis, tudo obras do Sócrates. Pode ser verdade, responde Subir, mas eu não cuido de nomes, cuido de países, somos poupados nos elogios e justos nos temores de que tudo desande: a exportação de combustíveis é conjuntural, pode estar perto da saturação, o aumento de consumo interno fará necessariamente crescer as importações e desequilibrar de novo a balança.
Eu sei que o vosso relatório foi cauteloso, Subir, coisa que tanto desagradou a Portas e tão grossa fez a voz de Passos Coelho, ao ponto de ter anunciado mais austeridade logo na primeira sessão do congresso do seu partido. Sei também que alertaste para riscos sociais e económicos do desemprego elevado, sobretudo de jovens e diplomados, para as dívidas das empresas privadas – que já vão em 255% do PIB – para a enorme quebra do investimento, para a fraca competitividade da economia, afinal, tudo factores que a política restritiva do Fundo tanto agravou. Melhor seria terem dado ouvidos às recomendações dos vossos dirigentes, como Mme Lagarde, aliviando o arrocho. Pois é, responde Subir, fica-lhe bem, para consumo externo, criticar a família, mas se fosse eu o indiano Subir, mero chefe de missão, a formular tal comentário, seria de imediato transferido e colocado na lista negra. Também serviste no Banco, sabes como é, viste como o Stieglitz foi triturado e ostracizado, só sobrevivendo por deter um Nobel, mesmo assim passa por nós à distância dos leprosos. Caro Amigo, aqui cumpro ordens, apenas.
Já agora, Subir, diz-me cá como vais conseguir que o Governo corte mais 2,5 milhares de milhões de 2014 para 2015, no gasto público, para fazer baixar o défice de 4 para 2,5%? Ah, isso não é comigo, é com o teu governo. Mas uma coisa é certa: livrem-se de aventuras eleitorais como essa tontice de baixarem impostos em 2015, podem deitar tudo a perder. A mim pouco importa que o primeiro-ministro se chame Coelho ou Seguro, que tenha ou não Portas, com o seu ridículo relógio em count-down à ilharga, ou que as finanças estejam a cargo de Gaspar, Maria Luís ou Trigo Pereira. Sou imune a pessoas e ideologias. E sempre te digo, isto está tão embaraçado que pouco diferirão na prática, uns e outros.
Fiquei fulo com tamanha frieza, esbracejei: para ti é tudo igual, apertar os fracos ou aliviar os ricos? Que queres, responde Subir, esta é a minha vida, vais ver que daqui a 10 anos Portugal estará melhor. Entupi, de estupor.
So long, Amigo, keep cool e não aceites cargos em nenhum governo, perderás o pouco cabelo que te resta. Soube-me a vingança de um calvo, mas aguentei: adeus Subir, bom trabalho nos teus países do Norte onde regressas.
P.S. Como se pode depreender, qualquer semelhança dos actores com realidade é pura coincidência, nem Subir será insensível, nem eu terei pouco cabelo.
Deputado do PS ao Parlamento Europeu
Então Subir, estás a terminar a tua missão e desejoso de largar este maravilhoso País? Desejoso, não, responde, porque gosto do vosso peixe e do vinho branco, mas um pouco farto de trabalho ingrato. Os resultados não são maus, mas as reformas profundas ainda estão longe: a laboral já com ganhos de competitividade salarial, a das rendas de casa ainda com poucos resultados e a dos tribunais muito à espera deles.
Subir Amigo, a laboral não aumenta a competitividade, sem nova mentalidade dos empresários, rigorosa mas também audaciosa, por enquanto só reduz consumo. A do inquilinato está ainda para mostrar resultados, sim há mais casas para arrendar, mas os 28% de impostos sobre a renda só incentivam a não declaração. Se lhe somares o IMI tens composto o quadro de incentivos para a venda ao desbarato, a Espanhóis, Chineses e Angolanos. Quanto aos tribunais, veremos se o fecho de alguns não acumula trabalho e demoras nos outros. Meu caro, responde Subir, os detalhes não são comigo, deixo-os para o teu Governo, apenas te lembro que com a rigidez anterior não havia nem mobilidade, nem criação de emprego. Pois é, retorqui, agora até surgem novos pequenos empregos a trinta horas, a ¾ do salário mínimo, sem que os trabalhadores tenham coragem para largar o trabalho à hora contratual.Reconhecerás, responde Subir, que aniquilámos parte das rendas das produtoras eléctricas, restaurámos o equilíbrio financeiro nos transportes públicos e forçámos a redução de funcionários. E até ajudámos o governo a negociaras parcerias rodoviárias. Como te enganas, Subir, tens que ver mais longe do que te contam: a electricidade subiu mais que a inflação e poucos sabem das ajudas sociais existentes, os transportes públicos esse cancro urbano, nunca chegarão a pagar a dívida que transitou para as costas de todos os contribuintes e não parece que o Governo esteja interessado em os reestruturar e passar aos municípios, continuando a gerar risco moral. No que toca a funcionários, os que saíram do activo passaram todos à reforma, deixaram de contribuir, apenas custam um pouco menos. Quanto às parcerias, só foi negociado o corte de encargos com a manutenção de estradas, o que nos vai deteriorar o parque em poucos anos.
Mas tens bons resultados nas exportações, que já cruzaram as importações, devolve Subir. É verdade, respondi, mas foi à custa da refinaria de Sines, da renovação nas papeleiras, da poupança de combustíveis pelo aumento das renováveis, tudo obras do Sócrates. Pode ser verdade, responde Subir, mas eu não cuido de nomes, cuido de países, somos poupados nos elogios e justos nos temores de que tudo desande: a exportação de combustíveis é conjuntural, pode estar perto da saturação, o aumento de consumo interno fará necessariamente crescer as importações e desequilibrar de novo a balança.
Eu sei que o vosso relatório foi cauteloso, Subir, coisa que tanto desagradou a Portas e tão grossa fez a voz de Passos Coelho, ao ponto de ter anunciado mais austeridade logo na primeira sessão do congresso do seu partido. Sei também que alertaste para riscos sociais e económicos do desemprego elevado, sobretudo de jovens e diplomados, para as dívidas das empresas privadas – que já vão em 255% do PIB – para a enorme quebra do investimento, para a fraca competitividade da economia, afinal, tudo factores que a política restritiva do Fundo tanto agravou. Melhor seria terem dado ouvidos às recomendações dos vossos dirigentes, como Mme Lagarde, aliviando o arrocho. Pois é, responde Subir, fica-lhe bem, para consumo externo, criticar a família, mas se fosse eu o indiano Subir, mero chefe de missão, a formular tal comentário, seria de imediato transferido e colocado na lista negra. Também serviste no Banco, sabes como é, viste como o Stieglitz foi triturado e ostracizado, só sobrevivendo por deter um Nobel, mesmo assim passa por nós à distância dos leprosos. Caro Amigo, aqui cumpro ordens, apenas.
Já agora, Subir, diz-me cá como vais conseguir que o Governo corte mais 2,5 milhares de milhões de 2014 para 2015, no gasto público, para fazer baixar o défice de 4 para 2,5%? Ah, isso não é comigo, é com o teu governo. Mas uma coisa é certa: livrem-se de aventuras eleitorais como essa tontice de baixarem impostos em 2015, podem deitar tudo a perder. A mim pouco importa que o primeiro-ministro se chame Coelho ou Seguro, que tenha ou não Portas, com o seu ridículo relógio em count-down à ilharga, ou que as finanças estejam a cargo de Gaspar, Maria Luís ou Trigo Pereira. Sou imune a pessoas e ideologias. E sempre te digo, isto está tão embaraçado que pouco diferirão na prática, uns e outros.
Fiquei fulo com tamanha frieza, esbracejei: para ti é tudo igual, apertar os fracos ou aliviar os ricos? Que queres, responde Subir, esta é a minha vida, vais ver que daqui a 10 anos Portugal estará melhor. Entupi, de estupor.
So long, Amigo, keep cool e não aceites cargos em nenhum governo, perderás o pouco cabelo que te resta. Soube-me a vingança de um calvo, mas aguentei: adeus Subir, bom trabalho nos teus países do Norte onde regressas.
P.S. Como se pode depreender, qualquer semelhança dos actores com realidade é pura coincidência, nem Subir será insensível, nem eu terei pouco cabelo.
Deputado do PS ao Parlamento Europeu
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