quarta-feira, 5 de junho de 2013
terça-feira, 4 de junho de 2013
SECRETÁRIO DE ESTADO FUGIU, VAIADO!
Uma manifestação movida por sindicalistas levou esta segunda-feira o secretário de Estado dos Transportes a abandonar uma conferência em Lisboa com o tema A região metropolitana, a mobilidade e a logística. No momento em que Sérgio Monteiro se preparava para intervir, perto de duas dezenas de manifestantes da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) formou um coro de protesto: “Queremos o nosso dinheiro, este Governo para a rua”.
Testemunhada pela reportagem da agência Lusa, a manifestação desta segunda-feira na conferência que contava com a presença de Sérgio Monteiro foi também ilustrada por uma faixa em que se lia “Swaps? Basta de alimentar especuladores com o roubo dos nossos salários”. Promovida pela Comissão Permanente de Transportes e Mobilidade da Assembleia Metropolitana de Lisboa, a conferência visava debater o Plano Estratégico de Transportes.
Exibindo narizes de palhaço, os manifestantes mostrariam ainda cartões vermelhos ao secretário de Estado dos Transportes. A tensão aumentou quando a organização procurou retomar a conferência. O governante ainda tentou repor a ordem dos trabalhos.
“Respeito a liberdade de manifestação e de expressão, mas ela também tem que ser um valor respeitado por vós”, argumentou o secretário de Estado. Sem convencer os manifestantes, que voltariam a clamar “Governo para a rua”. Foi então que Sérgio Monteiro abandonou a sala.
Exibindo narizes de palhaço, os manifestantes mostrariam ainda cartões vermelhos ao secretário de Estado dos Transportes. A tensão aumentou quando a organização procurou retomar a conferência. O governante ainda tentou repor a ordem dos trabalhos.
“Respeito a liberdade de manifestação e de expressão, mas ela também tem que ser um valor respeitado por vós”, argumentou o secretário de Estado. Sem convencer os manifestantes, que voltariam a clamar “Governo para a rua”. Foi então que Sérgio Monteiro abandonou a sala.
ANGOLA - CONVERSAS DO "27 DE MAIO" PARA O JANGO, JÁ!
Conversas do «27 de Maio» imediatamente para o jango!
Por Celso Malavoloneke
Trinta e seis anos se passaram desde que aconteceu o que, hoje por hoje, já é unanimemente aceite como um dos maiores massacres da Angola Independente, curiosamente, apenas dois anitos depois do «11 de Novembro» de 1975. Por causa de divergências ideológicas no seio do MPLA, então Partido-Estado, milhares de pessoas foram mortas, grande parte delas sem certificado de óbito nem local conhecido de enterro. O que, no contexto africano «que estamos com ele», significa dizer que a pessoa não morreu. Ou se morreu, o seu espírito anda vagueando por aí, importunando os sonhos dos seus descendentes, no clamor por um competente «komba», para que as cinzas do óbito voem para o reino dos ancestrais…
Ano sim, ano também, desde 1990, quando o país se abriu aos ventos da democracia, é sempre a mesma coisa. Os descendentes dos mortos e desaparecidos clamam pelas cinzas e paradeiro de parentes, que só o muito tempo mesmo desde a tragédia – e um ou outro boato nunca confirmado – vai insinuando cada vez mais insistente que a vida que o coração reclama é mesmo vida de um morto. Enquanto a vozinha da esperança, cada vez mais ténue, vai insistindo num milagre, sempre possível, que traga com vida o parente há tanto desaparecido. E assim, em milhares de famílias nesta angustiante situação, ninguém ousa chamar o ausente de «falecido». Fica-se pelo meio-termo mais prudente de «desaparecido».
Nem os ensaios algo tímidos das autoridades – afinal ainda as mesmas – de mea culpa embrulhada numa retórica propagandística que torna tudo mais ininteligível – qual mulher apanhada em adultério que desconsegue confessar em linguagem terra-a-terra que andou a se deitar por aí – nem as homenagens póstumas cozinhadas algures em «ga-binetes de pensologia» e nunca conversadas por ninguém; muito menos as conversas de quintais no funje de sábado, depois de uns tintóis a mais essas muito menos), logram desfazer esta angústia que só não resvala em revolta porque há feridas mais recentes por sarar e lembranças «mais piores» por esquecer. Até quando este status quo se vai manter é a questão que fica para gerações menos acoitadas e por isso mais afoitas responderem. Mas, para as quais já houve um aviso: quando o «27» aconteceu, elas sequer haviam nascido, pelo que o que têm a fazer é calar a boca.
Como se a trágica herança tivesse mais ou menos donos nesta «comunidade mwangolénica»; como se os herdeiros directos ou indirectos dos perecidos e perecedores tivessem tempo ou pachorra para prestar atenção a discurso tão esfarrapado…
Por isso, o Semanário Angolense decidiu trazer à ribalta, como nos outros anos – ano sim, ano também – este amargo pendente, cujo «ciclo cíclico» já há muito aconselha uma nova abordagem. Dez anos depois do calar das armas e dois ciclos eleitorais já completados depois disso, o SA propõe um olhar com os olhos de ver a «velha mas sempre nova» questão do «27 de Maio».
E a proposta, desta vez, é que olhemos para a tragédia do ponto de vista do futuro e não do passado. Por outras palavras, não nos desgastemos mais com pensamentos sobre quem matou e quem morreu. Como matou e como morreu. Como podia ter morto e não matou. Como podia ter morrido e sobreviveu.
Em vez disso, propomos uma visão centrada no futuro, pois o passado é passado e não volta mais, como diria o poeta. Como deveremos fazer para que as feridas se sarem. Para que os ódios se esbatam. Para que os ressentimentos desapareçam e com eles as sedes de vingança. Para que
os herdeiros dos mortos, feridos e desaparecidos possam dormir em paz, sem serem importunados por pesadelos de mortos em busca dos seus óbitos ou de lembranças manchadas de dor e de sangue. Numa palavra, enviar o «27 de Maio» para o jango das conversas, para que resolvamos aí o «prubulêma». E quanto mais cedo isso acontecer, maiores serão os ganhos.
Feita a proposta, convidamos os leitores a acompanharem-nos neste dossier, que talvez possa ser o primeiro (?) passo da caminhada rumo à cartase que se impõe, para se exorcisar os demónios que persistem à volta do «27 de Maio». A unidade da Nação assim o exige. ■
segunda-feira, 3 de junho de 2013
ENRICO LETTA DÁ LIÇÕES AO PRIMEIRO-MINISTRO PASSOS COELHO
Colega italiano dá lição a Passos
No sábado, um leitor do italiano La Stampa, Antonio Cascia, publicou uma
carta de despedida a um jovem amigo, que emigrava por não ter trabalho. Ontem,
no mesmo jornal, o primeiro-ministro Enrico Letta pedia desculpa ao "amigo do
Antonio". Claro, caímos na tentação de comparar o incómodo do líder italiano com
as declarações infelizes de Passos sobre o mesmo assunto. Este, logo depois de
ser eleito, disse aos jovens portugueses para sair da sua "zona de conforto",
convidando-os a emigrar, como um gerente de restaurante diz "estamos cheios" a
clientes supérfluos. Se, sim, emigrar pode ser uma solução, não pode ser
incentivada por um líder político. Como ontem o italiano Letta disse, o papel do
político é outro: "(...) o nosso primeiro, irrenunciável, objetivo será
simbolicamente pôr o amigo de Antonio nas condições de escolher ir embora ou
ficar." De conselhos sobre soluções naturais, como emigrar ou respirar, os
portugueses não precisam, está-lhes no ADN. "Ide embora" pode ser desculpa de
restaurador, mas em político é sacudir o capote. E, já agora, há que dizer que
as vítimas principais desta história são capazes de não ser aqueles que partem.
Os peritos em emigração são unânimes em reconhecer que os que partem são os
melhores. Mas desta vez não são os mais fortes da aldeia, é mesmo a elite do
País que emigra, os jovens mais sábios e preparados. Por cá vai ficando uma zona
de desconforto que nos vai ser insuportável.
BERTOLD BRECHT ADAPTADO À ACTUAL SITUAÇÃO EM PORTUGAL - JÁ É TARDE!
Versão antiga adaptada à Versão actual
Bertold Brecht em versão adaptada
Bertold Brecht em versão original
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo
Bertold Brecht em versão adaptada
Primeiro levaram os subsídios aos funcionários públicos
Mas não me importei com isso
trabalho no sector privado
Em seguida acabaram com o serviço de saúde
Mas não me importei com isso
tenho um seguro privado
Depois tiraram as bolsas de estudo
Mas não me importei com isso
os meus filhos estudam num colégio particular
Depois levaram os salários aos trabalhadores do privado
Mas como eu sou profissional liberal
Também não me importei
Agora destruíram toda a economia e fiquei sem trabalho
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo
Bertold Brecht em versão adaptada
Primeiro levaram os subsídios aos funcionários públicos
Mas não me importei com isso
trabalho no sector privado
Em seguida acabaram com o serviço de saúde
Mas não me importei com isso
tenho um seguro privado
Depois tiraram as bolsas de estudo
Mas não me importei com isso
os meus filhos estudam num colégio particular
Depois levaram os salários aos trabalhadores do privado
Mas como eu sou profissional liberal
Também não me importei
Agora destruíram toda a economia e fiquei sem trabalho
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo
Autor(a): Mação 2013 , publicado à(s)
ISTO É UM ASSALTO-NA CULSETE-SETÚBAL
Caríssimas/os,
Terça-feira, dia 4, às 21:30, temos sessão na Culsete.
Trata-se da apresentação do livro Isto é um Assalto, de Francisco Louçã.
Apareçam. Contamos convosco.
E, por favor, divulguem este convite junto dos vossos amigos.
Então até terça-feira,
Fátima Ribeiro de Medeiros
quinta-feira, 30 de maio de 2013
COMBOIO MALANDRO - FAUSTO
Castigo P’ro Comboio Malandro
Esse comboio malandro
passa
passa sempre com a força dele
ué ué ué
hii hii hii
te-quem-tem te-quem-tem te-quem-tem
o comboio malandro
passa
Nas janelas muita gente:
ai bô viaje
adeujo homéé
n'ganas bonitas
quitandeiras de lenço encarnado
levam cana no Luanda p'ra vender
passa
passa sempre com a força dele
ué ué ué
hii hii hii
te-quem-tem te-quem-tem te-quem-tem
o comboio malandro
passa
Nas janelas muita gente:
ai bô viaje
adeujo homéé
n'ganas bonitas
quitandeiras de lenço encarnado
levam cana no Luanda p'ra vender
hii hii hii
aquele vagon de grades tem bois
múu múu múu
aquele vagon de grades tem bois
múu múu múu
tem outro
igual como este dos bois
leva gente,
muita gente como eu
cheio de poeira
gente triste como os bois
gente que vai no contrato.
Tem bois
que morre no viaje
mas preto não morre
canta como é criança,
Mulonde iá Késsua uádibalé
uádibalé uádibalé...
Esse comboio malandro
sozinho na estrada de ferro
passa
passa
sem respeito
ué ué ué
com muito fumo no trás
hii hii hii
te-quem-tem te-quem-tem te-quem-tem
Comboio malandro
o fogo que sai do corpo dele
vai no capim e queima
vai nas casas dos pretos e queima
Esse comboio malandro
já queimou o meu milho,
Se na lavra do milho tem pacaças
eu faço armadilhas no chão,
se na lavra tem kiombos
eu tiro a espingarda de kimbundo
e mato neles
mas se vai lá fogo do comboio malandro
- deixa! -
ué ué ué
te-quem-tem te-quem-tem te-quem-tem
só fica fumo,
muito fumo mesmo.
Mas espera só
Quando esse comboio malandro descarrilar
e os brancos chamar os pretos p'ra empurrar
eu vou
mas não empurro
- nem com chicote -
finjo só que faço força
Comboio malandro
você vai ver só o castigo
vai dormir mesmo no meio do caminho.
igual como este dos bois
leva gente,
muita gente como eu
cheio de poeira
gente triste como os bois
gente que vai no contrato.
Tem bois
que morre no viaje
mas preto não morre
canta como é criança,
Mulonde iá Késsua uádibalé
uádibalé uádibalé...
Esse comboio malandro
sozinho na estrada de ferro
passa
passa
sem respeito
ué ué ué
com muito fumo no trás
hii hii hii
te-quem-tem te-quem-tem te-quem-tem
Comboio malandro
o fogo que sai do corpo dele
vai no capim e queima
vai nas casas dos pretos e queima
Esse comboio malandro
já queimou o meu milho,
Se na lavra do milho tem pacaças
eu faço armadilhas no chão,
se na lavra tem kiombos
eu tiro a espingarda de kimbundo
e mato neles
mas se vai lá fogo do comboio malandro
- deixa! -
ué ué ué
te-quem-tem te-quem-tem te-quem-tem
só fica fumo,
muito fumo mesmo.
Mas espera só
Quando esse comboio malandro descarrilar
e os brancos chamar os pretos p'ra empurrar
eu vou
mas não empurro
- nem com chicote -
finjo só que faço força
Comboio malandro
você vai ver só o castigo
vai dormir mesmo no meio do caminho.
António Jacinto do Amaral Martins (Luanda, 1924 – Lisboa, 1991) é um dos maiores nomes da literatura angolana e da Geração Mensagem (*). Publicou em Notícias do Bloqueio, Itinerário, O Brado Africano. Ativista político, foi preso em 1960 e, desterrado para Campo de Tarrafal, em Cabo Verde, cumpriu pena até 1972. Em 1973 se uniu à guerrilha MPLA (Movimento Popular de Libertação da Angola). Com a independência de Angola, foi co-fundador da notória União de Escritores Angolanos e Ministro da Cultura (1975 - 1978). Entre os prêmios mais importantes que recebeu, destacam-se: Prémio Noma, Prémio Lotus da Associação dos Escritores Afro-Asiáticos e Prémio Nacional de Literatura. António Jacinto é autor de: Poemas (1961 e 1982); Vovô Bartolomeu (1979); Em Kilunje do Golungo (1984); Sobreviver em Trrafal de Santiago (1985 e 1999); Prometeu (1987); Fábulas de Sanji (1988).
(*) “A Geração Mensagem (1950-53) da literatura angolana de expressão portuguesa formou-se na continuidade do movimento dos “Novos Intelectuais de Angola”, cujo lema - “Vamos Descobrir Angola” - operaria uma revolução decisiva na sociedade colonial dos fins da década de 40. Mensagem apresenta-se, assim, como órgão catalisador de um punhado de jovens angolanos dispostos assumirem uma atitude de combate frontal ao sistema sociocultural vigente na época. Foi sem dúvida, o mais forte contributo para a verdadeira busca de uma cultura, de uma literatura autêntica, social e, sobretudo, participada. Segundo os próprios mentores desta Geração, Mensagem pretendia ser o marco iniciador de uma cultura nova, de Angola e por Angola; fundamentalmente angolana. Cultura essa que se desejava que fosse forte, verdadeira, pujante e humana. Por estes motivos, Mensagem proclamava, bem alto, o slogan cultural e político de “redescobrir” Angola.” Texto (fragmento) extraído de Infopédia
(IN BLOGUE-CONVERSAS AO ACASO)
DESABAFO DO ACTOR RUY DE CARVALHO
Desabafo
Senhores Ministros:
Tenho 86 anos, e modéstia à parte, sempre honrei o meu país pela forma como o representei em todos os palcos, portugueses e estrangeiros, sem pedir nada em troca senão respeito, consideração, abertura – sobretudo aos novos talentos -, e seriedade na forma como o Estado encara o meu papel como cidadão e como artista.
Vivi a guerra de 36/40 com o mesmo cinto com que todos os p...ortugueses apertaram as ilhargas. Sofri a mordaça de um regime que durante 48 anos reprimiu tudo o que era cultura e liberdade de um povo para o qual sempre tive o maior orgulho em trabalhar. Sofri como todos, os condicionamentos da descolonização. Vivi o 25 de Abril com uma esperança renovada, e alegrei-me pela conquista do voto, como se isso fosse um epítome libertador.
Subi aos palcos centenas, senão milhares de vezes, da forma que melhor sei, porque para tal muito trabalhei.
Continuei a votar, a despeito das mentiras que os políticos utilizaram para me afastar do Teatro Nacional. Contudo, voltei a esse teatro pelo respeito que o meu público me merece, muito embora já coxo pelo desencanto das políticas culturais de todos os partidos, sem excepção, porque todos vós sois cúmplices da acrescida miséria com que se tem pintado o panorama cultural português.
Hoje, para o Fisco, deixei de ser Actor…e comigo, todos os meus colegas Actores e restantes Artistas destes país - colegas que muito prezo e gostava de poder defender.
Tudo isto ao fim de setenta anos de carreira! É fascinante.
Francamente, não sei para que servem as comendas, as medalhas e as Ordens, que de vez em quando me penduram ao peito?
Tenho 86 anos, volto a dizer, para que ninguém esqueça o meu direito a não ser incomodado pela raiva miudinha de um Ministério das Finanças, que insiste em afirmar, perante o silêncio do Primeiro-Ministro e os olhos baixos do Presidente da República, de que eu não sou actor, que não tenho direito aos benefícios fiscais, que estão consagrados na lei, e que o meu trabalho não pode ser considerado como propriedade intelectual.
Tenho pena de ter chegado a esta idade para assistir angustiado à rapina com que o fisco está a executar o músculo da cultura portuguesa. Estamos a reduzir tudo a zero... a zeros, dando cobertura a uma gigantesca transferência dos rendimentos de quem nada tem para os que têm cada vez mais.
É lamentável e vergonhoso que não haja um único político com honestidade suficiente para se demarcar desta estúpida cumplicidade entre a incompetência e a maldade de quem foi eleito com toda a boa vontade, para conscientemente delapidar a esperança e o arbítrio de quem, afinal de contas, já nem nas anedotas é o verdadeiro dono de Portugal: nós todos!
É infame que o Direito e a Jurisprudência Comunitárias sirvam só para sustentar pontualmente as mentiras e os joguinhos de poder dos responsáveis governamentais, cujo curriculum, até hoje, tem manifestamente dado pouca relevância ao contexto da evolução sociocultural do nosso povo. A cegueira dos senhores do poder afasta-me do voto, da confiança política, e mais grave ainda, da vontade de conviver com quem não me respeita e tem de mim a imagem de mais um velho, de alguém que se pode abusiva e irresponsavelmente tirar direitos e aumentar deveres.
É lamentável que o senhor Ministro das Finanças, não saiba o que são Direitos Conexos, e não queiram entender que um actor é sempre autor das suas interpretações – com diretos conexos, e que um intérprete e/ou executante não rege a vida dos outros por normas de Exel ou por ordens “superiores”, nem se esconde atrás de discursos catitas ou tiradas eleitoralistas para justificar o injustificável, institucionalizando o roubo, a falta de respeito como prática dos governos, de todos os governos, que, ao invés de procurarem a cumplicidade dos cidadãos, se servem da frieza tributária para fragilizar as esperanças e a honestidade de quem trabalha, de quem verdadeiramente trabalha.
Acima de tudo, Senhores Ministros, o que mais me agride, nem é o facto dos senhores prometerem resolver a coisa, e nada fazer, porque isso já é característica dos governos: o anunciar medidas e depois voltar atrás. Também não é o facto de pôr em dúvida a minha honestidade intelectual, embora isso me magoe de sobremaneira. É sobretudo o nojo pela forma como os seus serviços se dirigem aos contribuintes, tratando-nos como criminosos, ou potenciais delinquentes, sem olharem para trás, com uma arrogância autista que os leva a não verem que há um tempo para tudo, particularmente para serem educados com quem gera riqueza neste país, e naquilo que mais me toca em especial, que já é tempo de serem respeitadores da importância dos artistas, e que devem sê-lo sem medos e invejas desta nossa capacidade de combinar verdade cénica com artifício, que é no fundo esse nosso dom de criar, de ser co-autores, na forma, dos textos que representamos.
Permitam-me do alto dos meus 86 anos deixar-lhes um conselho: aproveitem e aprendam rapidamente, porque não tem muito tempo já. Aprendam que quando um povo se sacrifica pelo seu país, essa gente, é digna do maior respeito... porque quem não consegue respeitar, jamais será merecedor de respeito!
RUY DE CARVALHO
Tenho 86 anos, e modéstia à parte, sempre honrei o meu país pela forma como o representei em todos os palcos, portugueses e estrangeiros, sem pedir nada em troca senão respeito, consideração, abertura – sobretudo aos novos talentos -, e seriedade na forma como o Estado encara o meu papel como cidadão e como artista.
Vivi a guerra de 36/40 com o mesmo cinto com que todos os p...ortugueses apertaram as ilhargas. Sofri a mordaça de um regime que durante 48 anos reprimiu tudo o que era cultura e liberdade de um povo para o qual sempre tive o maior orgulho em trabalhar. Sofri como todos, os condicionamentos da descolonização. Vivi o 25 de Abril com uma esperança renovada, e alegrei-me pela conquista do voto, como se isso fosse um epítome libertador.
Subi aos palcos centenas, senão milhares de vezes, da forma que melhor sei, porque para tal muito trabalhei.
Continuei a votar, a despeito das mentiras que os políticos utilizaram para me afastar do Teatro Nacional. Contudo, voltei a esse teatro pelo respeito que o meu público me merece, muito embora já coxo pelo desencanto das políticas culturais de todos os partidos, sem excepção, porque todos vós sois cúmplices da acrescida miséria com que se tem pintado o panorama cultural português.
Hoje, para o Fisco, deixei de ser Actor…e comigo, todos os meus colegas Actores e restantes Artistas destes país - colegas que muito prezo e gostava de poder defender.
Tudo isto ao fim de setenta anos de carreira! É fascinante.
Francamente, não sei para que servem as comendas, as medalhas e as Ordens, que de vez em quando me penduram ao peito?
Tenho 86 anos, volto a dizer, para que ninguém esqueça o meu direito a não ser incomodado pela raiva miudinha de um Ministério das Finanças, que insiste em afirmar, perante o silêncio do Primeiro-Ministro e os olhos baixos do Presidente da República, de que eu não sou actor, que não tenho direito aos benefícios fiscais, que estão consagrados na lei, e que o meu trabalho não pode ser considerado como propriedade intelectual.
Tenho pena de ter chegado a esta idade para assistir angustiado à rapina com que o fisco está a executar o músculo da cultura portuguesa. Estamos a reduzir tudo a zero... a zeros, dando cobertura a uma gigantesca transferência dos rendimentos de quem nada tem para os que têm cada vez mais.
É lamentável e vergonhoso que não haja um único político com honestidade suficiente para se demarcar desta estúpida cumplicidade entre a incompetência e a maldade de quem foi eleito com toda a boa vontade, para conscientemente delapidar a esperança e o arbítrio de quem, afinal de contas, já nem nas anedotas é o verdadeiro dono de Portugal: nós todos!
É infame que o Direito e a Jurisprudência Comunitárias sirvam só para sustentar pontualmente as mentiras e os joguinhos de poder dos responsáveis governamentais, cujo curriculum, até hoje, tem manifestamente dado pouca relevância ao contexto da evolução sociocultural do nosso povo. A cegueira dos senhores do poder afasta-me do voto, da confiança política, e mais grave ainda, da vontade de conviver com quem não me respeita e tem de mim a imagem de mais um velho, de alguém que se pode abusiva e irresponsavelmente tirar direitos e aumentar deveres.
É lamentável que o senhor Ministro das Finanças, não saiba o que são Direitos Conexos, e não queiram entender que um actor é sempre autor das suas interpretações – com diretos conexos, e que um intérprete e/ou executante não rege a vida dos outros por normas de Exel ou por ordens “superiores”, nem se esconde atrás de discursos catitas ou tiradas eleitoralistas para justificar o injustificável, institucionalizando o roubo, a falta de respeito como prática dos governos, de todos os governos, que, ao invés de procurarem a cumplicidade dos cidadãos, se servem da frieza tributária para fragilizar as esperanças e a honestidade de quem trabalha, de quem verdadeiramente trabalha.
Acima de tudo, Senhores Ministros, o que mais me agride, nem é o facto dos senhores prometerem resolver a coisa, e nada fazer, porque isso já é característica dos governos: o anunciar medidas e depois voltar atrás. Também não é o facto de pôr em dúvida a minha honestidade intelectual, embora isso me magoe de sobremaneira. É sobretudo o nojo pela forma como os seus serviços se dirigem aos contribuintes, tratando-nos como criminosos, ou potenciais delinquentes, sem olharem para trás, com uma arrogância autista que os leva a não verem que há um tempo para tudo, particularmente para serem educados com quem gera riqueza neste país, e naquilo que mais me toca em especial, que já é tempo de serem respeitadores da importância dos artistas, e que devem sê-lo sem medos e invejas desta nossa capacidade de combinar verdade cénica com artifício, que é no fundo esse nosso dom de criar, de ser co-autores, na forma, dos textos que representamos.
Permitam-me do alto dos meus 86 anos deixar-lhes um conselho: aproveitem e aprendam rapidamente, porque não tem muito tempo já. Aprendam que quando um povo se sacrifica pelo seu país, essa gente, é digna do maior respeito... porque quem não consegue respeitar, jamais será merecedor de respeito!
RUY DE CARVALHO
terça-feira, 28 de maio de 2013
NAMORO
Namoro
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com a letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mar
e dando calor ao sumo das mangas.
sua pele macia - era sumaúma...
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
tão rijo e tão doce - como o maboque...
Seu seios laranjas - laranjas do Loge
seus dentes... - marfim...
Mandei-lhe uma carta
e ela disse que não.
Mandei-lhe um cartão
que o Maninjo tipografou:
"Por ti sofre o meu coração"
Num canto - SIM, noutro canto - NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou.
Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigénia,
me desse a ventura do seu namoro...
E ela disse que não.
Levei à avó Chica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu...
E o feitiço falhou.
Esperei-a de tarde, à porta da fábrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficamos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos...
falei-lhe de amor... e ela disse que não.
Andei barbado, sujo, e descalço,
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
" - Não viu...(ai, não viu...?) Não viu Benjamim?"
E perdido me deram no morro da Samba.
E para me distrair
levaram-me ao baile do sô Januário
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso às moças mais lindas do Bairro Operário
Tocaram uma rumba dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu!
E a malta gritou: "Aí Benjamim!"
Olhei-a nos olhos - sorriu para mim
pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.
ver definição de com...
e com a letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mar
e dando calor ao sumo das mangas.
sua pele macia - era sumaúma...
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
tão rijo e tão doce - como o maboque...
Seu seios laranjas - laranjas do Loge
seus dentes... - marfim...
Mandei-lhe uma carta
e ela disse que não.
Mandei-lhe um cartão
que o Maninjo tipografou:
"Por ti sofre o meu coração"
Num canto - SIM, noutro canto - NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou.
Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigénia,
me desse a ventura do seu namoro...
E ela disse que não.
Levei à avó Chica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu...
E o feitiço falhou.
Esperei-a de tarde, à porta da fábrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficamos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos...
falei-lhe de amor... e ela disse que não.
Andei barbado, sujo, e descalço,
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
" - Não viu...(ai, não viu...?) Não viu Benjamim?"
E perdido me deram no morro da Samba.
E para me distrair
levaram-me ao baile do sô Januário
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso às moças mais lindas do Bairro Operário
Tocaram uma rumba dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu!
E a malta gritou: "Aí Benjamim!"
Olhei-a nos olhos - sorriu para mim
pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.
Viriato Clemente da Cruz
Poeta angolano, Viriato da Cruz nasceu em 1928, em Porto Amboim, e veio a falecer em 1973, no exílio, em Beijing (Pequim).Considerado um dos mais importantes nomes da geração de poetas pré-angolanos, Viriato da Cruz procurou as suas raízes africanas, sem, no entanto, perder as referências culturais portuguesas. Através do uso da língua portuguesa, se bem que polvilhada de palavras dialetais e adaptando a escrita à fala crioula, buscou incessantemente os símbolos da civilização africana perdida, como elementos regeneradores de todo um povo em busca da sua identidade. Essa ideia está bem expressa no poema Namoro, onde o apaixonado só consegue conquistar a sua amada quando se liberta das símbolos europeus e dança com ela uma rumba bem africana.
Os seus poemas tanto são um grito de esperança (veja-se Mamã Negra, onde clama pelo «dia da humanidade») como um olhar nostálgico sobre os valores africanos (considerem-se os versos de Makèzú: «Todo esse povo / Pegô um costume novo / Qui diz qué civrização: / Come só pão com chouriço / Ou toma café com pão... (...) Pruqué qui vivi filiz / E tem cem ano eu e tu? // - É pruquê nossas raiz / Tem força do makèzú!...»).
Em 1948, Viriato da Cruz lançou o mote: «Vamos descobrir Angola». A frase tornou-se lema para os intelectuais angolanos que, dois anos depois, fundaram o Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, com Viriato da Cruz como um dos elementos mais ativos. Esse movimento foi responsável pela publicação da revista Mensagem, onde o grupo exprimiu o seu entusiasmo pela redescoberta da História e arte popular africanas, como contraponto a uma colonização que, fruto do endurecer da repressão por parte do regime ditatorial de Salazar, estava a sofrer uma contestação cada vez mais exacerbada. Nessa revista foram publicados alguns dos mais conhecidos poemas de Viriato da Cruz, tais como Makèzú ou Mamã Negra.
Vítima dos seus ideais, numa altura em que se intensificava a repressão, Viriato da Cruz publicou apenas poemas dispersos em várias publicações na década de 50, antologiados em 1961 no livro Poemas. A década de 60 foi marcada em Angola pelo início da Guerra Colonial e pelo exílio de grande número de intelectuais angolanos, o que ocasionou o desvanecimento da criação literária que, apenas uma década antes, parecia florescer. A publicação de poemas de Viriato da Cruz - que então circulavam abundantemente de boca em boca - cessou.
Os seus poemas tanto são um grito de esperança (veja-se Mamã Negra, onde clama pelo «dia da humanidade») como um olhar nostálgico sobre os valores africanos (considerem-se os versos de Makèzú: «Todo esse povo / Pegô um costume novo / Qui diz qué civrização: / Come só pão com chouriço / Ou toma café com pão... (...) Pruqué qui vivi filiz / E tem cem ano eu e tu? // - É pruquê nossas raiz / Tem força do makèzú!...»).
Em 1948, Viriato da Cruz lançou o mote: «Vamos descobrir Angola». A frase tornou-se lema para os intelectuais angolanos que, dois anos depois, fundaram o Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, com Viriato da Cruz como um dos elementos mais ativos. Esse movimento foi responsável pela publicação da revista Mensagem, onde o grupo exprimiu o seu entusiasmo pela redescoberta da História e arte popular africanas, como contraponto a uma colonização que, fruto do endurecer da repressão por parte do regime ditatorial de Salazar, estava a sofrer uma contestação cada vez mais exacerbada. Nessa revista foram publicados alguns dos mais conhecidos poemas de Viriato da Cruz, tais como Makèzú ou Mamã Negra.
Vítima dos seus ideais, numa altura em que se intensificava a repressão, Viriato da Cruz publicou apenas poemas dispersos em várias publicações na década de 50, antologiados em 1961 no livro Poemas. A década de 60 foi marcada em Angola pelo início da Guerra Colonial e pelo exílio de grande número de intelectuais angolanos, o que ocasionou o desvanecimento da criação literária que, apenas uma década antes, parecia florescer. A publicação de poemas de Viriato da Cruz - que então circulavam abundantemente de boca em boca - cessou.
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segunda-feira, 27 de maio de 2013
A COLUNA VERTEBRAL
Passem o Rato ao longo das 24 vértebras da coluna vertebral.
Façam-no lentamente, e poderão ver uma demonstração de como a nossa coluna vertebral afecta todo o nosso corpo e organismo.
Movam o Rato sobre os ossos das Costas e poderão ver as áreas do corpo que são afectadas.
Este mail é muito interessante e pode ajudar-nos a perceber melhor o que se passa " dentro " de nós, se não cuidarmos bem da nossa " espinha "
Cliquem abaixo:
http://www.chiroone.net/why_chiropractic/index.html
Façam-no lentamente, e poderão ver uma demonstração de como a nossa coluna vertebral afecta todo o nosso corpo e organismo.
Movam o Rato sobre os ossos das Costas e poderão ver as áreas do corpo que são afectadas.
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INDEPENDENTEMENTE DA POSIÇÃO...É UMA DELÍCIA
Segundo estudos recentes:
...Ler é sempre um prazer!!!...
DEFINITIVAMENTE, LER LEVA A DESFRUTAR DA IMAGINAÇÃO...
em pé, fortalece a coluna;
de cabeça baixa, estimula a circulação do sangue;
de barriga para cima é mais prazeroso;
sozinho, é estimulante, mas egoísta;
Em grupo, pode até ser divertido;
no banho, pode ser arriscado;
No automóvel, é muito perigoso...
com frequência, desenvolve a imaginação;
entre duas pessoas, enriquece o conhecimento;
de joelhos, o resultado pode ser doloroso...
sobre a mesa ou no escritório,
antes de comer ou depois da sobremesa,
sobre a cama ou na rede,
nus ou vestidos,
sobre o sofá ou no tapete,
com música ou em silêncio,
entre lençóis ou no "closet":
de cabeça baixa, estimula a circulação do sangue;
de barriga para cima é mais prazeroso;
sozinho, é estimulante, mas egoísta;
Em grupo, pode até ser divertido;
no banho, pode ser arriscado;
No automóvel, é muito perigoso...
com frequência, desenvolve a imaginação;
entre duas pessoas, enriquece o conhecimento;
de joelhos, o resultado pode ser doloroso...
sobre a mesa ou no escritório,
antes de comer ou depois da sobremesa,
sobre a cama ou na rede,
nus ou vestidos,
sobre o sofá ou no tapete,
com música ou em silêncio,
entre lençóis ou no "closet":
sempre é um acto de amor e de enriquecimento.
Não importa a idade, nem a raça, nem a crença, nem o sexo,
nem a posição socioeconómica...
nem a posição socioeconómica...
...Ler é sempre um prazer!!!...
DEFINITIVAMENTE, LER LEVA A DESFRUTAR DA IMAGINAÇÃO...
E VOCÊ ACABOU DE EXPERIMENTAR ESSE FACTO...
VÁ PROCURAR UM LIVRO!
sexta-feira, 24 de maio de 2013
ANGOLA - LÍDER DA UNITA AVISA PARA BANHO DE SANGUE
A situação é preocupante!
UNITA avisa para banho de sangue em Angola
foto SIPHIWE SIBEKO/REUTERS
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Líder da UNITA, Isaías Samakuva
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O líder da UNITA, principal partido da oposição em Angola, Isaías Samakuva, alertou, esta sexta-feira, em Madrid, para o risco de um novo conflito sangrento caso não haja democracia no país.
Samakuva está em Madrid no âmbito de uma viagem a vários países para pedir à comunidade internacional pressão sobre o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, no sentido de se cumprir os acordos de paz que puseram fim à guerra civil e continuar a aprofundar o processo democrático, o que, de acordo com o líder partidário, está a sofrer uma reviravolta.
O presidente da UNITA, citado pela agência EFE, denunciou a falta de liberdade e corrupção no país, e acrescentou que os recursos nacionais, especialmente da indústria de diamantes e petróleo, só beneficiam "um pequeno grupo de dirigentes".
Para Samakuva, a UNITA tem servido de "contenção" e considerou que uma revolta em Angola "faria correr muito sangue" e "desencadearia um conflito de dimensões imprevisíveis".
"É melhor superarmos isto com o diálogo do que entrar novamente em conflito, o que destruiria o progresso que temos alcançado", disse.
Angola é um país rico em recursos naturais e, desde o fim da guerra civil em 2002, tem um forte crescimento económico, que, denunciou o líder da oposição, "não beneficia as pessoas, que não têm água, incluindo Luanda, nem um sistema de saúde que funcione".
Samakuva também denunciou o contínuo atraso do Governo e do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA, no poder e com maioria superior a dois terços no parlamento, após as eleições gerais realizadas a 31 de agosto de 2012) na realização de eleições locais e na execução do primeiro censo desde a independência de Angola de Portugal em 1975.
Por essa razão, Samakuva expressou ceticismo sobre o começo provisório do censo anunciado na quinta-feira em Angola e que devia realizar-se de forma definitiva em 2014.
Sublinhando que o seu país oferece "muitas oportunidades" de investimento, o líder da UNITA lamentou que os investidores estrangeiros estão "totalmente desanimados" quando "veem as condições do país, onde não há transparência e a corrupção é alta".
Durante a sua viagem, com paragens nos EUA, Londres, Bruxelas, Roterdão, Paris, Madrid e Lisboa, o objetivo de Samakuva é expor o que está acontecer no seu país, porque, sustenta, "o Governo monopolizou os meios de comunicação públicos para transmitir uma informação que não corresponde à realidade".
Questionado sobre as relações de Angola com Portugal, Samakuva disse que "alguns setores portugueses estão preocupados com Eduardo dos Santos e a sua filha, que estão a comprar grandes empresas".
E acrescentou que o Presidente angolano e a sua família têm uma participação maioritária em bancos portugueses e estão interessados na televisão pública RTP.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
83.ª FEIRA DO LIVRO DE LISBOA, DE 23 DE MAIO A 10 DE JUNHO DE 2013
O "TAMBWE-A UNHA DO LEÃO" E O AUTOR ESTARÃO PRESENTES NOS PAVILHÕES DA GRADIVA, DIA 8 DE JUNHO ÀS 15 HORAS.
APAREÇA PARA CONVERSARMOS
83.ª Feira do Livro de Lisboa
A APEL, como entidade organizadora da 83.ª edição da Feira do Livro de Lisboa informa que a mesma decorrerá, tal como nos anos anteriores, no Parque Eduardo VII, de 23 de maio a 10 de junho de 2013, uma data que marca o retorno à tradição.
A Feira do Livro é a maior montra da edição em Portugal – com perto de cem mil títulos distribuídos por mais de duas centenas de pavilhões e centenas de editores, chancelas, alfarrabistas e livreiros presentes. Esta edição promete trazer novidades apetecíveis para os visitantes, nomeadamente ao nível de uma cada vez mais, enriquecida programação cultural para toda a família ou de novos espaços de restauração.
A HOLANDA PODE PROVOCAR O FIM DO EURO
A Holanda pode provocar o colapso do Euro
A Holanda pode provocar o colapso do euro
A bolha imobiliária estourou, o país está em recessão, o desemprego sobe e a dívida dos consumidores é 250% do rendimento disponível. O grande aliado da Alemanha na imposição da austeridade por todo o continente começa a provar o amargo da sua própria receita.
Por Matthew Lynn, El Economista
Artigo | 13 Maio, 2013 - 20:57
A Holanda começa a provar o amargo da austeridade que o seu ministro das Finanças quer aplicar em toda a Europa.
Foto By Rijksoverheid.nl [CC0], via Wikimedia Commons
Que país da zona euro está mais endividado?
- Os gregos esbanjadores, com as suas generosas pensões estatais?
- Os cipriotas e os seus bancos repletos de dinheiro sujo russo?
- Os espanhóis tocados pela recessão ou os irlandeses em falência?
Pois curiosamente são os holandeses sóbrios e responsáveis. A dívida dos consumidores nos Países Baixos atingiu 250% do rendimento disponível e é uma das mais altas do mundo. Em comparação, a Espanha nunca superou os 125%.
A Holanda é um dos países mais endividados do mundo. Está mergulhada na recessão e demonstra poucos sinais de estar a sair dela. A crise do euro arrasta-se há três anos e até agora só tinha infetado os países periféricos da moeda única. A Holanda, no entanto, é um membro central tanto da UE quanto do euro. Se não puder sobreviver na zona euro, estará tudo acabado.
O país sempre foi um dos mais prósperos e estáveis de Europa, além de um dos maiores defensores da UE. Foi membro fundador da união e um dos partidários mais entusiastas do lançamento da moeda única. Com uma economia rica, orientada para as exportações e um grande número de multinacionais de sucesso, supunha-se que tinha tudo a ganhar com a criação da economia única que nasceria com a introdução satisfatória do euro. Em vez disso, começou a interpretar um guião tristemente conhecido. Está a estourar do mesmo modo que a Irlanda, a Grécia e Portugal, salvo que o rastilho é um pouco mais longo.
Bolha imobiliária
Os juros baixos, que antes do mais respondem aos interesses da economia alemã, e a existência de muito capital barato criaram uma bolha imobiliária e a explosão da dívida. Desde o lançamento da moeda única até o pico do mercado, o preço da habitação na Holanda duplicou, convertendo-se num dos mercados mais sobreaquecidos do mundo. Agora explodiu estrondosamente. Os preços da habitação caem com a mesma velocidade que os da Flórida quando murchou o auge imobiliário americano.
Atualmente, os preços estão 16,6% mais baixos do que estavam no ponto mais alto da bolha de 2008, e a associação nacional de agentes imobiliários prevê outra queda de 7% este ano. A não ser que tenha comprado a sua casa no século passado, agora valerá menos do que pagou e inclusive menos ainda do que pediu emprestado por ela.
Por tudo isso, os holandeses afundam-se num mar de dívidas. A dívida dos lares está acima dos 250%, é maior ainda que a da Irlanda, e 2,5 vezes o nível da da Grécia. O governo já teve de resgatar um banco e, com preços da moradia em queda contínua, o mais provável é que o sigam muitos mais. Os bancos holandeses têm 650 mil milhões de euros pendentes num sector imobiliário que perde valor a toda a velocidade. Se há um facto demonstrado sobre os mercados financeiros é que quando os mercados imobiliários se afundam, o sistema financeiro não se faz esperar.
Profunda recessão
As agências de rating (que não costumam ser as primeiras a estar a par dos últimos acontecimentos) já se começam a dar conta. Em fevereiro, a Fitch rebaixou a qualificação estável da dívida holandesa, que continua com o seu triplo A, ainda que só por um fio. A agência culpou a queda dos preços da moradia, o aumento da dívida estatal e a estabilidade do sistema bancário (a mesma mistura tóxica de outros países da eurozona afetados pela crise).
A economia afundou-se na recessão. O desemprego aumenta e atinge máximos de há duas décadas. O total de desempregados duplicou em apenas dois anos, e em março a taxa de desemprego passou de 7,7% para 8,1% (uma taxa de aumento ainda mais rápida que a do Chipre). O FMI prevê que a economia vai encolher 0,5% em 2013, mas os prognósticos têm o mau costume de ser otimistas. O governo não cumpre os seus défices orçamentais, apesar de ter imposto medidas severas de austeridade em outubro. Como outros países da eurozona, a Holanda parece encerrada num círculo vicioso de desemprego em aumento e rendimentos fiscais em queda, o que conduz a ainda mais austeridade e a mais cortes e perda de emprego. Quando um país entra nesse comboio, custa muito a sair dele (sobretudo dentro das fronteiras do euro).
Até agora, a Holanda tinha sido o grande aliado da Alemanha na imposição da austeridade por todo o continente, como resposta aos problemas da moeda. Agora que a recessão se agrava, o apoio holandês a uma receita sem fim de cortes e recessão (e inclusive ao euro) começará a esfumar-se.
Os colapsos da zona euro ocorreram sempre na periferia da divisa. Eram países marginais e os seus problemas eram apresentados como acidentes, não como prova das falhas sistémicas da forma como a moeda foi estruturada. Os gregos gastavam demasiado. Os irlandeses deixaram que o seu mercado imobiliário se descontrolasse. Os italianos sempre tiveram demasiada dívida. Para os holandeses não há nenhuma desculpa: eles obedeceram a todas as regras.
Desde o início ficou claro que a crise do euro chegaria à sua fase terminal quando atingisse o centro. Muitos analistas supunham que seria a França e, ainda que França não esteja exatamente isenta de problemas (o desemprego cresce e o governo faz o que pode, retirando competitividade à economia), não deixa de continuar a ser um país rico. As suas dívidas serão altas mas não estão fora de controlo nem começaram a ameaçar a estabilidade do sistema bancário. A Holanda está a chegar a esse ponto.
Talvez se tenha de esperar um ano mais, talvez dois, mas a queda ganha ritmo e o sistema financeiro perde estabilidade a cada dia. A Holanda será o primeiro país central a estourar e isso significará demasiada crise para o euro.
O país sempre foi um dos mais prósperos e estáveis de Europa, além de um dos maiores defensores da UE. Foi membro fundador da união e um dos partidários mais entusiastas do lançamento da moeda única. Com uma economia rica, orientada para as exportações e um grande número de multinacionais de sucesso, supunha-se que tinha tudo a ganhar com a criação da economia única que nasceria com a introdução satisfatória do euro. Em vez disso, começou a interpretar um guião tristemente conhecido. Está a estourar do mesmo modo que a Irlanda, a Grécia e Portugal, salvo que o rastilho é um pouco mais longo.
Bolha imobiliária
Os juros baixos, que antes do mais respondem aos interesses da economia alemã, e a existência de muito capital barato criaram uma bolha imobiliária e a explosão da dívida. Desde o lançamento da moeda única até o pico do mercado, o preço da habitação na Holanda duplicou, convertendo-se num dos mercados mais sobreaquecidos do mundo. Agora explodiu estrondosamente. Os preços da habitação caem com a mesma velocidade que os da Flórida quando murchou o auge imobiliário americano.
Atualmente, os preços estão 16,6% mais baixos do que estavam no ponto mais alto da bolha de 2008, e a associação nacional de agentes imobiliários prevê outra queda de 7% este ano. A não ser que tenha comprado a sua casa no século passado, agora valerá menos do que pagou e inclusive menos ainda do que pediu emprestado por ela.
Por tudo isso, os holandeses afundam-se num mar de dívidas. A dívida dos lares está acima dos 250%, é maior ainda que a da Irlanda, e 2,5 vezes o nível da da Grécia. O governo já teve de resgatar um banco e, com preços da moradia em queda contínua, o mais provável é que o sigam muitos mais. Os bancos holandeses têm 650 mil milhões de euros pendentes num sector imobiliário que perde valor a toda a velocidade. Se há um facto demonstrado sobre os mercados financeiros é que quando os mercados imobiliários se afundam, o sistema financeiro não se faz esperar.
Profunda recessão
As agências de rating (que não costumam ser as primeiras a estar a par dos últimos acontecimentos) já se começam a dar conta. Em fevereiro, a Fitch rebaixou a qualificação estável da dívida holandesa, que continua com o seu triplo A, ainda que só por um fio. A agência culpou a queda dos preços da moradia, o aumento da dívida estatal e a estabilidade do sistema bancário (a mesma mistura tóxica de outros países da eurozona afetados pela crise).
A economia afundou-se na recessão. O desemprego aumenta e atinge máximos de há duas décadas. O total de desempregados duplicou em apenas dois anos, e em março a taxa de desemprego passou de 7,7% para 8,1% (uma taxa de aumento ainda mais rápida que a do Chipre). O FMI prevê que a economia vai encolher 0,5% em 2013, mas os prognósticos têm o mau costume de ser otimistas. O governo não cumpre os seus défices orçamentais, apesar de ter imposto medidas severas de austeridade em outubro. Como outros países da eurozona, a Holanda parece encerrada num círculo vicioso de desemprego em aumento e rendimentos fiscais em queda, o que conduz a ainda mais austeridade e a mais cortes e perda de emprego. Quando um país entra nesse comboio, custa muito a sair dele (sobretudo dentro das fronteiras do euro).
Até agora, a Holanda tinha sido o grande aliado da Alemanha na imposição da austeridade por todo o continente, como resposta aos problemas da moeda. Agora que a recessão se agrava, o apoio holandês a uma receita sem fim de cortes e recessão (e inclusive ao euro) começará a esfumar-se.
Os colapsos da zona euro ocorreram sempre na periferia da divisa. Eram países marginais e os seus problemas eram apresentados como acidentes, não como prova das falhas sistémicas da forma como a moeda foi estruturada. Os gregos gastavam demasiado. Os irlandeses deixaram que o seu mercado imobiliário se descontrolasse. Os italianos sempre tiveram demasiada dívida. Para os holandeses não há nenhuma desculpa: eles obedeceram a todas as regras.
Desde o início ficou claro que a crise do euro chegaria à sua fase terminal quando atingisse o centro. Muitos analistas supunham que seria a França e, ainda que França não esteja exatamente isenta de problemas (o desemprego cresce e o governo faz o que pode, retirando competitividade à economia), não deixa de continuar a ser um país rico. As suas dívidas serão altas mas não estão fora de controlo nem começaram a ameaçar a estabilidade do sistema bancário. A Holanda está a chegar a esse ponto.
Talvez se tenha de esperar um ano mais, talvez dois, mas a queda ganha ritmo e o sistema financeiro perde estabilidade a cada dia. A Holanda será o primeiro país central a estourar e isso significará demasiada crise para o euro.
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