terça-feira, 10 de abril de 2012

OS BOLCHEVISTAS DA AUSTERIDADE

Os bolchevistas da austeridade

por VIRIATO SOROMENHO MARQUES

Quando a Revolução Russa ocorreu, com a tomada do Palácio de Inverno, em Sampetersburgo (então, Petrogrado), a 7 de novembro de 1917, um jovem publicista italiano, Antonio Gramsci, escreveu o texto mais lúcido sobre o significado histórico desse acontecimento. Dizia Gramsci, que a tomada do poder político pelo partido de Lenine e Trotski constituía uma "Revolução contra o Capital". Não o capital, como categoria económica e social, mas contra O Capital (Das Kapital), a obra com que Marx efetuou a mais profunda caracterização da economia de mercado alguma vez realizada pela inteligência humana. Com efeito, para Marx e Engels, as revoluções proletárias, que derrubariam o capitalismo impondo uma nova sociedade e economia de modelo socialista, só poderiam ter sucesso em países de capitalismo avançado: a Grã-Bretanha, os EUA, a Alemanha ou a França. Nunca na Rússia, um atrasado país rural. Os bolchevistas foram uma espécie de marxistas da vontade, da autonomia do político. A realidade seria fraca desde que a vontade fosse forte. O custo do voluntarismo bolchevique não poderá ser feito nunca. Dezenas de milhões de mortos na Rússia, e depois na China, um país ainda mais improvável para o socialismo. Hoje, a mesma cega determinação ideológica governa os círculos monetaristas que dominam em Bruxelas e em Berlim. O seu objetivo é fazer de toda a Europa uma Grande Prússia fiel às regras de disciplina das finanças públicas, ditadas pelo Bundesbank, na altura da criação da União Económica e Monetária. A pressão da Comissão Europeia sobre a Espanha, no sentido desta recorrer ao fundo de resgate para acudir ao sector bancário, é mais um ato de agressão. Para estes ideólogos da "austeridade expansiva", a realidade do sofrimento social é um detalhe negligenciável.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS DE 29-03-2012

CARTA DE DESPEDIDA DO SUICIDA GREGO


CARTA DO SUICIDA GREGO EM 04/04/2012

Leiam a missiva deixada pelo reformado grego que, na passada 4ª feira, encontrou a forma de se opor aos crimes cometidos contra o povo pelos governantes e capitalistas locais e internacionais, por todo o lado empenhados em salvar a sociedade do lucro e da ganância à custa da nossa miséria.

Carta manuscrita pelo companheiro farmaceutico grego, reformado de 77 anos, que se suicidou no passado dia 4, em frente ao Parlamento Grego.

Fê-lo no mesmo local onde passou 3 meses da sua vida com os Indignados.

" O governo de ocupação de Tsolakoglou * aniquilou literalmente os meus meios de subsistência, que consistiam numa reforma digna para a qual me quotizei durante 35 anos (sem qualquer contributo do Estado). Como a minha idade já não me permite uma acção individual mais radical (ainda que não exclua que se um grego tivesse empunhado uma Kalachinikov eu teria sido o segundo), eu não encontro outra solução que não seja uma morte digna, porque recuso procurar alimentos no lixo. Espero que um dia os jovens sem futuro empunharão as armas e pedurarão (enforcarão) os traidores, como fizeram os italianos em 1944 com Mussolini, na Praça Loreto de Milão."



* O general Tsolakoglou, que assinou a amnistia com as forças invasoras alemãs, foi o chefe do primeiro governo grego sob a ocupação nazi (de 30/4/1941 a 02/12/1942). Na Grécia o seu nome é sinónimo de "colaboracionista".

A MORTE EM ATENAS

Há dias, Christine Lagarde, DG do FMI, concedeu uma entrevista à estação televisiva CBS, centrada no tema da dívida grega. Sumariamente, afirmou:
  • A solução correcta, neste momento, é que os responsáveis implementem as políticas “correctas e sólidas”;
  • É o momento em que os partidos políticos “responsáveis” têm de dizer ao povo a verdade;
  • Esses partidos têm de distanciar-se dos partidos populistas, marginais na vida democrática e que rejeitam o caminho correcto;
  • Em democracia, os líderes políticos devem dizer a verdade ao povo;
  • Qual é a alternativa? Mais débito?
No final, ao que se sabe pela comunicação social portuguesa, SIC em especial, Lagarde admitiu a bancarrota e a saída da Grécia do Euro.
Um farmacêutico grego, de 77 anos, suicidou-se na Praça Syntagma em Atenas. Na derradeira carta, deixou clara a razão da opção pela morte: ter sido privado de meios para a sobrevivência. O FMI, de Lagarde, lamentou. Hipocritamente.
Esta morte de Dimitris Chrisoula teve origem na pandemia das medidas do FMI. Efeito, de facto, pandémico que, surda e perfidamente, está a matar silenciosamente muitos europeus do Sul – em Portugal, em 2010, registaram-se 1195 suicídios, acima, das 1135 mortes nas estradas. São indicadores de reflexão obrigatória.
Dimitris, na pátria de Eros e de Fedro, morreu por causas distintas de Aschenbach em Veneza. Tadzio, neste caso, nem se quer existiu como personificação do belo como ante-câmara da morte – Thomas Mann não estava lá para testemunhar. O desespero da miséria, gerada pela crise financeira mundial e agravada pelas medidas do FMI e da CE, foi inequivocamente a razão da morte. Como em múltiplos casos em Portugal, propositadamente não estudados ou ignorados.
Há assassinos de alto coturno por detrás deste género crime. Calçam bota alta e olham os cidadãos comuns com desprezo. Até na morte.
Posted on por   (BLOGUE AVENTAR)


Lagarde admite que o país pode entrar em bancarrota e ter de sair da União Europeia

07/04/12
A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, não afasta a hipótese da Grécia entrar em bancarrota e ter de abandonar o euro e a União Europeia, segundo uma entrevista à CBS que será emitida no domingo.
Na opinião de Lagarde, «ainda falta resolver várias coisas e isso é o que acontece na maioria dos Estados do sul da Zona Euro, mais a Irlanda». Por isso, não descarta a possibilidade da Grécia não evitar a bancarrota e ser forçada a sair do euro e da UE, de acordo com um excerto da entrevista avançado pela estação televisiva.
A entrevista completa vai ser exibida no domingo de manhã e faz parte de uma reportagem do programa «60 minutos», no qual intervém igualmente o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, o qual assegura que a Alemanha se converteu no «bode expiatório» da imprensa grega.
Ao ser questionado sobre a antipatia que os políticos alemães suscitam entre muitos gregos, Schäuble indicou que é uma reação normal numa situação difícil, depois da Grécia ter tido de se submeter a duros cortes e reformas assolada por uma dívida que pertence em grande parte a credores alemães.
«É sempre assim, quando há países e pessoas que vivem acima das suas possibilidades e agora têm de aplicar a austeridade, fazer cortes e reformas no seu mercado laboral, nessa situação tendem a culpar os outros, procuram bodes expiatórios, mas ao mesmo tempo sabem que a sua prosperidades se deve à Europa», assegurou o ministro alemão.
O programa de entrevistas da CBS estará centrado na crise grega e nas causas que levaram esta pequena economia europeia a pôr em risco toda a Zona Euro devido a uma dívida pública equivalente a 168% do seu Produto Interno Bruto (PIB).
Como condição para aceder à ajuda financeira patrocinada pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI, Atenas teve de adotar medidas difíceis de consolidação orçamental, que incluem cortes nas pensões, reduções salarial, subida de impostos e despedimento de 150 mil funcionários públicos.

ISTO É NO BRASIL? PENSO QUE SE ENGANARAM, É EM PORTUGAL!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

À ESPERA DO MILAGRE


À espera do milagre

As contas foram mal feitas, os dossiês mal estudados, a estratégia mal escolhida. Mas o Governo vai prosseguir no mesmo caminho, porque o que eles nunca reconhecerão é que as suas ideias estão erradas: só funcionam em laboratórios onde se cozinham os MBA

Parece ser chegado o momento de o Governo começar a dar alguns sinais de humildade e reconhecer que a sua receita para sair da crise não está a correr conforme previsto. Dialogar sem preconceitos com a oposição (e dialogar não é apenas ouvir e fazer orelhas moucas), explicar o que ninguém entende e corrigir o que está mal, tudo isso é bem mais importante do que a teimosia de tentar demonstrar a justeza de uma agenda ideológica com que alguns teóricos da economia e da política sonharam anos a fio.

O Governo louva-se de três boas notícias: a descida dos juros nos mercados da dívida, a descida acentuada do défice da balança de transacções e os sucessivos aplausos da troika à execução do programa. Tudo argumentos reversíveis. A descida dos juros é impossível não a ligar directamente à maciça disponibilidade de dinheiro fornecido aos bancos a 1% de juros, promovida pelo BCE. O saldo positivo da balança de transacções (que em si é uma boa notícia) dá-se, todavia, pelas piores razões: uma baixa indiscriminada das importações, quer as desnecessárias ou sumptuárias quer as necessárias para estimular o consumo interno, essencial à recuperação ou para manter a importação de bens e equipamento para as empresas funcionarem. E as boas avaliações da troika sobre o cumprimento do programa de ajustamento não escondem duas ordens de preocupações: o atraso de algumas medidas estruturais (as mais difíceis), como o peso excessivo dos lucros do sector eléctrico sobre a economia ou a renegociação das PPP, e os números assustadores do desemprego e da recessão, muito para lá daquilo que o Governo e a troika tinham estimado.

Mas, no outro prato da balança, há sinais cada vez mais evidentes de que a cura ameaça matar o doente. Isso torna-se evidente quando se constata (e é confirmado pelo novo orçamento rectificativo), que em 2012, tal como em 2011, o grosso do combate ao défice é feito por via do aumento de receitas e não pela diminuição da despesa. Encerrado o combate eleitoral, passado o tempo da retórica fácil e das soluções milagrosas, a nova maioria, uma vez chegada ao poder e na hora de fazer aquilo que tanto apregoou, dá-se conta de uma incómoda realidade: a estrutura da despesa pública portuguesa é dificilmente movível. A verdade é que, tirando excessos evidentes (como o despesismo das autarquias, que o Governo não se atreverá a enfrentar, como já se percebeu), não há muito mais por onde cortar — a menos que o objectivo final seja a liquidação, pura e simples, do Estado, liquidando as suas principais funções. Chega a ser arrepiante recuperar o discurso do PSD e CDS há apenas um ano, na oposição, e confrontá-lo com o que tem sido agora o seu desempenho governativo. Medidas extraordinárias para maquilhar o défice, por exemplo, nunca mais; orçamentos rectificativos eram sinal de absoluta incompetência no controlo das contas públicas; confusão entre dinheiros públicos e negócios privados jamais. Agora, compare-se isto com a nacionalização do fundo de pensões da banca que serviu para ‘cumprir’ o défice de 2011, acrescentando €6000 milhões ao activo; com o novo orçamento rectificativo, que, entre outras coisas, serve para acrescentar os €500 milhões que custa anualmente (e durante uma boa dúzia de anos), pagar as pensões dos novos reformados da banca e de que, pelos vistos, se tinham esquecido; e compare-se com o negócio de reprivatização do BPN ou com a recente notícia do financiamento da OPA do grupo Mello sobre a Brisa, assumido pela CGD (que também assume o empréstimo de €600 milhões ao BPN ‘privatizado’ e depois vai pedir ao ‘accionista’ — isto é, aos contribuintes — que lhe ‘empreste’ por sua vez €1500 milhões para aumentar o capital, desfalcado por tanta generosidade com estas pequenas e médias empresas).
Manifestamente, as convicções ideológicas do Governo não coincidem com a realidade encontrada. E o Governo reage como os coronéis das ditaduras sul-americanas: “mude-se a realidade!” Se o défice não se consegue baixar ao ritmo que se acreditava possível por via dos cortes na despesa pública, vai-se sangrando a economia. Com certeza, repito, que há muitos excessos por onde cortar, muito despesismo público injustificável, muitos e muitos abusos a que tem de se pôr termo. Infelizmente, porém, tudo somado não chega para compensar sequer aquilo que verdadeiramente é ruinoso para o Estado: a expropriação do 13º e 14º mês dos funcionários públicos, por exemplo, traduz-se numa receita equivalente ao custo de ‘privatizar’ o BPN a favor de Américo Amorim e Isabel dos Santos — e ninguém consegue explicar porque não encerraram o banco, simplesmente (sim, eu li a entrevista da secretária de Estado do Tesouro, aqui no Expresso: fiquei exactamente na mesma). Depois, há cortes na despesa pública que são intoleráveis do ponto de vista social, como pagar subsídio de desemprego apenas a metade dos desempregados e tratá-los como se fossem todos culpados ou suspeitos de viverem, por vontade própria, na tal “zona de conforto” de que falava aquele infeliz membro do Governo.

A tentativa de fazer coincidir a realidade com a utopia, através de uma cega aritmética, está a ser feita à custa da destruição do tecido económico decisivo do país, que são as pequenas e médias empresas, os trabalhadores por conta própria, a economia de proximidade. As grandes empresas e os grandes grupos económicos, quando já não tiveram mais contratos públicos para disputar nem mais favores a esperar, vão-se embora e, de qualquer maneira, pagam impostos onde mais lhes convém. Mas o resto, não. A diminuição da receita fiscal, que já se verifica, não é, ao contrário do que pretende acreditar o Governo, apenas um fenómeno conjuntural: a receita vai continuar a cair, na justa medida em que a economia vai continuar a retrair-se e a fuga fiscal se irá acentuar, quando, depois de tão esticada a corda, só restar a escolha entre pagar ou sobreviver.

Porém, sentindo o bafo gelado do fiasco, o Governo vai fugir em frente, num caminho já sem qualquer racionalidade nem sentido útil. Resulta do orçamento rectificativo, que restam ao Governo €18 milhões (!) de folga orçamental para este ano. Mesmo que o petróleo não suba mais, que a recessão na Europa e em Espanha não se acentue, que as exportações não continuem em queda, não há milagre que nos salve. As contas foram mal feitas, os dossiês mal estudados, a estratégia mal escolhida. Mas o Governo vai prosseguir no mesmo caminho, porque, antes de mais, o que eles nunca reconhecerão é que as suas ideias estão erradas: só funcionam em laboratórios onde se cozinham os MBA. Presumivelmente, o Governo irá assim tornar definitivo o que era excepcional (como os cortes no 13º e 14º mês); irá aumentar a receita fiscal, subindo ainda mais os impostos; irá continuar todos os dias, ministro a ministro, nessa penosa e deprimente tarefa de anunciar novos cortes, com o entusiasmo de quem anuncia missão cumprida. Vai consumar o crime antipatriótico de privatizar a TAP (e, para mais, a preço de saldo), vai vender a água, os aeroportos, tudo o que mexer. E vai privatizar um canal da RTP, apenas porque o ministro Relvas quer e não tem de dar satisfações a ninguém, embora já toda a gente lhe tenha explicado que vai ser um desastre para todos.


Volto ao princípio: começa a faltar um exercício de humildade, de que não se vêem sinais alguns no horizonte. No limite, até poderíamos acreditar que o Governo tivesse razão, ou parte da razão, em teoria. Mas nós não vivemos de teorias. Todos os dias há empresas que fecham, famílias que são mandadas para o desemprego, novos pobres encostados à parede. Os portugueses têm sido absolutamente estóicos a aguentar tudo. Mas só uma cegueira irresponsável permite imaginar que se pode levar as coisas até ao fundo do fundo e depois renascer, em paz e alegria.

MIGUEL SOUSA TAVARES-JORNAL EXPRESSO DE 6-04-2012

PORTUGAL MARAVILHOSO

COMO ATINGIR A CHAMADA POTÊNCIA CEREBRAL/MENTAL ÓPTIMA


Para atingir a chamada Potência Cerebral/Mental Óptima recomendamos as seguintes actividades:

1. Faça uma dieta com baixo teor de gordura (a gordura em excesso prejudica a circulação sanguínea no cérebro e produz radicais livres que envelhecem prematuramente as células nervosas dificultando as funções cognitivas);

2. Alimente-se de nutrientes vitais onde se destacam as vitaminas A (protege as membranas das células contra os radicais livres), B1,B6 e B12 (determinantes para a vitalidade dos neurónios), C (potente antioxidante que intervem na produção de inúmeros neurotransmissores, melhorando a função cognitiva) e a E (sendo um antioxidante protege as células do ataque dos radicais livres libertados pela alimentação), os minerais como o magnésio, o selénio e o zinco e os aminoácidos fenilalanina, glutamina, metionina, arginina e triptofano;

3. Aposte numa dieta com restrição de calorias, pois favorece a longevidade e a destreza mental;

4. Insista numa dieta equilibrada onde estejam presentes todos os tipos de fibras, vegetais, frutas e proteínas não-animais, juntamente com laticínios desnatados e carne magra.

5. Tome suplementos vitamínicos para compensar os desequilíbrios resultantes de refeições pobres e apressadas;

6. Respire bem através de uma postura correcta e de exercícios físicos moderados tais como caminhadas de pelo menos 30 minutos diários para manter a função cerebral activa, em especial os mecanismo implicados na memória;

7. Pratique neuróbica, ou seja, envolva-se em actividades regulares de activação dos sentidos, do pensamento, da criatividade e da inteligência para "muscular" o cérebro e revigorar a mente;

8. Ouça música neurológica, isto é, música instrumental ou coral cujo ritmo, andamento e harmonia atinja todos os níveis da consciência e do inconsciente a fim de repor o equilíbrio da energia psíquica (sugere-se música New Age e outras como Chariots of Fire, de Vangelis, Symphony in C, de Bizet, Symphony Nº4, de Mahler, etc);

9. Entre em "estado de fluxo", isto é, de profunda concentração e desfrute entregando-se a actividades de prazer que lhe permitam perder a noção do tempo e do espaço;

10. Durma o necessário para que o sistema cérebro/mente recupere da energia dispendida ao longo do dia e realize determinadas funções de equilibração, nomeadamente a memória.

GREGO SUICIDA-SE CULPANDO O GOVERNO

O SUICÍDIO É UM ACTO DE CORAGEM.

NO ENTANTO, O SUICÍDIO COMO PROTESTO POLÍTICO É UM GESTO RIDÍCULO POR APENAS CASTIGAR O CIDADÃO DESESPERADO COM A VIOLÊNCIA DO PODER.

POR SI SÓ, O SUICÍDIO É UM ACTO INCONSEQUENTE, FALTA-LHE A DIMENSÃO DA REBELDIA QUE LEVE OS POLÍTICOS A TEMER OS CIDADÃOS E A ADOPÇÃO DAS MEDIDAS QUE LHE ESTRANGULAM A ESPERANÇA.

PARA UM POLÍTICO, PREOCUPADO APENAS COM A GESTÃO ORÇAMENTAL, UM SUICIDA NÃO PASSA DE UM NÚMERO A MENOS, DE UM DESISTENTE INCAPAZ DE RESISTIR À PRESSÃO DOS MERCADOS, ESSE ALTAR PERANTE O QUAL TODOS NOS DEVEMOS AJOELHAR. INSENSÍVEL, ESCUDADO NA SOBERBA DA SUA INFALÍVEL CONTABILIDADE, DA SUA CIÊNCIA E DEMAGOGIA, OLHA PARA O SUICIDA COMO UM COBARDE.

E PORQUÊ? PORQUE FALTA A ESSE CORAJOSO GESTO DE PROTESTO VERDADEIRA DIMENSÃO POLÍTICA.

ANTES DE SE CASTIGAR A SI PRÓPRIO, O CIDADÃO DEVERÁ PROCURAR OS CRIMINOSOS RESPONSÁVEIS PELO DESCALABRO EM QUE NOS MERGULHARAM E SÓ DEPOIS SUICIDAR-SE.

Grego suicida-se culpando Governo
ATENAS - Praça Syntagma voltou a ser palco de violentos confrontos entre manifestantes e a polícia, desde que, na quarta-feira de manhã, um pensionista de 77 anos se matou com um tiro em frente ao Parlamento. Os media gregos referiram que o homem deixou uma carta acusando o Governo de, com tantos cortes, ter praticamente reduzido a zero a sua reforma. O número de suicídios tem aumentado na Grécia à medida que têm sido impostas as medidas de austeridade.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

"TAMBWE- A UNHA DO LEÃO" NA BERTRAND DOLCE VITA COIMBRA

RONCOS DO DIABO

PORTUGAL MARAVILHOSO

OS NOMES DO MAL

Os nomes do mal
por VIRIATO SOROMENHO-MARQUES

DIÁRIO DE NOTÍCIAS DE 5-04-2012

Já o disse aqui muitas vezes. A crise europeia tem a sua raiz principal nos erros sistémicos da construção da União Económica e Monetária. Isso não absolve, contudo, as culpas próprias que levaram o país a ser um dos elos mais fracos da Zona Euro, caindo nas malhas da "ajuda externa". Na verdade, ao longo das últimas décadas, Portugal enveredou por um estilo de governação absolutamente irresponsável. O objetivo principal era o de iludir a disciplina do Pacto de Estabilidade e Crescimento (1997), que funcionaria como a carta condicional para a permanência na Zona Euro. Os governos transformaram a engenharia financeira numa arte de fuga. Primeiro, ao controlo das instâncias europeias, sobretudo em matéria de défice. Depois, como é costume, a mentira acabou por enredar os seus próprios promotores numa vertigem desmedida. O caso das parcerias público-privadas (PPP) é o modelo acabado desse abismo financeiro. Através dessas parcerias, o país endividou-se para as próximas gerações, ainda por cima em muitas obras de interesse duvidoso. O Tribunal de Contas, e a própria Assembleia da República, foram afastados das suas funções constitucionais de inspeção e controlo, através de complexas e dispendiosas armadilhas contratuais, em que o Estado foi sempre lesado. Os dinheiros públicos - estamos a falar de dezenas de milhares de milhões de euros - e os direitos dos nossos filhos foram trocados pelo prato de lentilhas das vantagens económicas de uns, e do "sucesso" eleitoral de outros. Não sei se haverá condições para apurar a responsabilidade penal disseminada na densa teia das PPP. Mas é bom que a Assembleia da República investigue no que lhe compete. Só poderemos progredir na nossa cultura política quando olharmos de frente o mal sem medo de o nomear.

A POLÍTICA DE MENTIRA DO GOVERNO: "DIZ HOJE UMA COISA E AMANHÃ FAZ OUTRA"


O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, criticou quarta-feira a “política de mentira” do Governo, do “diz hoje uma coisa e amanhã faz outra”, numa reacção às declarações do primeiro-ministro sobre os subsídios de Natal e de férias.

Nesta quarta-feira, em entrevista à Rádio Renascença, Pedro Passos Coelho afirmou que os subsídios de férias e de Natal dos trabalhadores do Estado, das empresas públicas e dos pensionistas, que foram suspensos, serão repostos gradualmente a partir de 2015, argumentando que o programa de ajuda externa a Portugal decorre até 2014 e tem uma base anual.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, disse que Pedro Passos Coelho “omitiu a abordagem desse assunto” na reunião que ambos tiveram em São Bento, que precedeu a entrevista à Renascença, e criticou a “política de mentira, de tentativa de enganar o povo português” do Governo.

“O que é mais grave é o facto de estarmos a ser confrontados com uma política em que o primeiro-ministro diz hoje uma coisa e amanhã faz outra”, apontou, lembrando que Passos Coelho admitiu “excepcionalmente” cortes nos subsídios em 2012 e 2013 e agora afirma que “eventualmente” os subsídios serão repostos em 2015.

Para Arménio Carlos, as declarações do primeiro-ministro revelam que “não há confiança rigorosamente nenhuma” de que as medidas de austeridade “tenham sucesso”, estando, ao invés, “condenadas ao fracasso”.

Na entrevista à Rádio Renascença, Pedro Passos Coelho referiu que o Governo pretende “repor gradualmente”, a partir de 2015, os subsídios de Natal e de férias da função pública e dos pensionistas, porque “dificilmente o Estado conseguiria encaixar num ano a reposição de todo esse benefício”.

Horas antes, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, garantira, no Parlamento, que a suspensão dos subsídios de férias e Natal é temporária e só durará durante a vigência do programa acordado com a ‘troika’ internacional (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia).

Está previsto que os cortes nos 13.º e 14.º meses se prolonguem até ao final da vigência do programa de assistência financeira a Portugal, que tem a duração de três anos.

As declarações de Passos Coelho e de Vítor Gaspar ocorreram depois de, na terça-feira, a Comissão Europeia ter admitido a possibilidade de os cortes nos subsídios de Natal e de férias assumirem um carácter permanente, embora ressalvando que tal cenário ainda não fora discutido.

JORNAL PÚBICO DE 05-04-2012

BENFICA QUEIXA-SE DA ARBITRAGEM NOS JOGOS COM O CHELSEA


Luís Filipe Vieira classificou o jogo da segunda mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, que o Benfica perdeu com o Chelsea (2-1), como “um escândalo” e prometeu protestar junto da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

“Contrariamente ao que as pessoas diziam, pensámos que íamos eliminar o Chelsea. Tanto lá [em Lisboa] como cá não nos permitirem eliminar o Chelsea. O Benfica foi a melhor equipa e merecia passar, mas além dos factores estranhos que nos prejudicaram gravemente, faltou-nos a pontinha de sorte”, defendeu o presidente benfiquista.

Luís Filipe Vieira considerou que a arbitragem do esloveno Damir Skomina atingiu o ponto de “escândalo”.

“Havemos de voltar aqui [à Champions]. A UEFA e o Platini vão ver outra vez o Benfica nas noites europeias”, prometeu, garantindo que o Benfica foi “condicionado” pelos amarelos mostrados e pela expulsão de Maxi Pereira.

No entanto, as queixas benfiquistas estendem-se também ao jogo da primeira mão, com o máximo responsável do clube da Luz a considerar “revoltante” o lance de Lisboa, “em que só a equipa de arbitragem não viu um penalti” de Terry.

Vieira defendeu ainda que o futebol português é “muito pequenino” e prometeu apresentar queixa à FPF: “O Benfica junto da federação alguma coisa vai fazer. Agora não sei se a federação tem força para conseguir alguma coisa. É tão evidente que isto hoje é um negócio e que não havia vontade que o Benfica passasse”.

O presidente do Benfica considerou ainda que “alguma coisa se passou” para a sua equipa ser afastada das meias-finais com o Barcelona, referindo que agora cabe à FPF reagir.

Elogiando o carácter dos jogadores, Vieira teve ainda oportunidade de desmentir a notícia de que Jorge Jesus será afastado do comando técnico se as “águias” não conquistarem o campeonato.

“Não pode haver fundamento. Tudo o que se possa dizer é para prejudicar, mas já estamos habituados. É um treinador identificado com a equipa e a estrutura está identificada com o treinador. Penso que ele não vai morrer, por isso o que vai suceder é que tem mais um ano de contrato para cumprir”, garantiu.

Sobre o jogo de segunda-feira, com o Sporting, da 26.ª jornada da Liga portuguesa de futebol, Vieira disse ser apenas “mais um jogo”.

“Não é por ser o Sporting que é difícil. Mas de certeza que nos vamos empenhar, de certeza que vai ser um grande espectáculo e penso que as três equipas têm de estar à altura desse espectáculo”, concluiu.

JORNAL PÚBLICO DE 05-04-2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

RONCOS DO DIABO

PORTUGAL MARAVILHOSO

A POETISA ANGOLANA ALDA LARA - NOITE

JOSÉ MOURINHO E O "EL PAÍS"


Madrid não é 'El País' de Mourinho
por FERREIRA FERNANDES

Em Madrid vale tudo contra José Mourinho, se calhar tipo execrável, mete o dedo no olho de um adversário e foge, mas o melhor treinador do mundo. Este ano, quando ele pode tornar-se o único a ganhar campeonatos nacionais em quatro países e o único a ganhar a Champions com três equipas diferentes, movem-lhe uma campanha manhosa, em Espanha. Não seria nada de estranho no mundo de futebol, tão marcado pelo clubismo - basta ler as capas dos nossos diários desportivos também tendenciosas. Mas a campanha a que me refiro não vem dos meios afetos ao Barcelona, seu adversário, mas surpreendentemente do diário El País, jornal sério exceto, agora, no noticiário sobre Mourinho. Ler no El País, assinadas por gente que por lá chamam grandes jornalistas desportivos, sucessivas inventonas sobre problemas entre o treinador e os seus jogadores (em textos que muitas vezes roçam a xenofobia antiportuguesa), espicaça-nos o cinismo: sim, filhos, mas digam lá que ala do Real Madrid que Mourinho afastou é que vos alimenta o ódio... Este jornalismo de compadrio é ainda mais extraordinário porque feito contra uma realidade que todos veem (o clube "em crise" está a bater vários recordes, nomeadamente marcando golos como nunca) e que desmente os desonestos. Quando até num caso de sucesso tão notório um bom jornal se permite campanhas destas acabam-se as ilusões: se hay brujas, haverá também, podem crer, megafones para elas.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS 04-04-2012

O GOVERNO NÃO SABE O QUE FAZ


O Governo não sabe o que faz
por BAPTISTA-BASTOS


Tudo é mau em Portugal. A começar pela vida e a continuar no Governo. E desconhece-se quando e onde o mau vai terminar. O desemprego cresce na directa proporção em que os assaltos aumentam. O poder possui uma visão fantasmagórica do que se passa, e inscreveu as suas decisões numa perspectiva de terror. As diferenças com uma espécie particular de totalitarismo são escassas.

Começa a ser cada vez mais nítido: o Governo não sabe o que faz, nem possui nenhuma estratégia de solução dos nossos problemas. E o ministro da Finanças dá sinais enervantes de cansaço, a que muitos qualificados economistas designam de desfasamento com a realidade, e outros, de incompetência. Passos Coelho anunciou uma linha ferroviária europeia, que não vai existir porque sem continuação em Espanha; o governador do Banco de Portugal assevera que vamos precisar de mais "austeridade" e o primeiro-ministro diz que não, antes pelo contrário; uma reunião, anteontem, na Concertação Social traduziu-se numa barafunda atroz, na qual o pobre João Proença, esquemático e atrapalhado, surgiu como uma criatura, manipulada pelas suas próprias ambivalências. Então ele não sabia que, depois de subscrever aquele infausto documento, sobre as leis do trabalho, que outras coacções se lhe seguiriam? Os cortes na Saúde, que deixam sem tratamento doentes oncológicos, e a diminuição de dias nas baixas por doença, são capítulos de um processo de reversão que põe em causa o próprio Estado Social. Quem for cúmplice deste projecto de demolição dificilmente poderá dizer-se respeitador da ética progressista e do humanismo.

Os próprios patrões começam a espavorir-se com as "indecisões" do Governo, que nada faz para realizar uma política de crescimento e de desenvolvimento económicos. Além de tentar ser fiel a uma ideologia que põe a Europa em perigo, este Executivo demonstra o desprezo sem limites pelo cidadão e pelas suas ansiedades. Apesar de aproveitar de dispositivos de coerção quase nunca vistos. Estamos a emigrar em massa, como na década de 60; e a despovoar o País sem dó nem piedade. Estamos, sobretudo, a subverter o próprio conceito de identidade, e obrigados a desfazer-nos da narrativa que nos diferenciou.

O PS, por seu turno, ainda não encontrou o enquadramento ideológico que forneça ao debate público um interesse sobrelevante de questões insignificantes. Seguro entrou na questiúncula provocada pelo Marcelo, que teceu, na TVI, uma teia reticular de intriga, tão ao seu gosto e estilo. E o secretário-geral socialista, em vez que resolver o berbicacho com um displicente: "Não comento o que dizem os comentadores", embrenhou-se em explicações desnecessárias. Logo o Marcelo ameaçou responder, no próximo domingo.

Que interesse tem isto para as pessoas?

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - 04-04-2012

terça-feira, 3 de abril de 2012

A UNIÃO FAZ A FORÇA

OS MISTÉRIOS DA CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS - O BANCO DO ESTADO


Os mistérios da Caixa Geral de Depósitos
por PEDRO TADEU

No tempo em que Portugal achava que era rico, a banca privada mandava no Governo, nas empresas e no povo. Mesmo assim, apesar das benesses do Estado, dos financiamentos loucos e da usura para a vida sobre cada português que comprou casa, o maior banco do mercado continuou a ser o do Estado.

Em 2005, a Caixa Geral de Depósitos comprou as seguradoras Império Bonança e Seguro Directo, através da sua Fidelidade Mundial, para meter 343 milhões de euros no BCP, que estava a precisar de fundos. O favor deu à Caixa um terço do mercado segurador português, que este ano será privatizado, apesar de valer 38,9% de todo o lucro do banco. Em 2010 achava-se que a privatização valeria 1,5 mil milhões de euros. Agora, toda a gente duvida.

Também em 2005 a Caixa entrou com 80 por cento dos 426 milhões de euros com que a Sumolis comprou a Compal e a Nutricafés. Três anos depois, a Caixa cedeu parte da sua posição à Sumolis por 397 milhões, ficando com apenas 20 por cento da empresa. Este negócio motiva agora uma investigação do Ministério Público, que suspeita de fuga ao fisco caucionada pela CGD, numa alegada fraude de 5,7 milhões de euros.

Desde a nacionalização do BPN até à anunciada venda ao BIC, por apenas 40 milhões de euros, a Caixa meteu ali 4,2 mil milhões de euros. Há uma promessa de o Estado pagar, até 2020, 3,9 mil milhões pelo favor. O resto logo se vê.

O grupo José de Mello precisa que a banca lhe empreste uns 500 milhões para poder fazer uma OPA à Brisa. Quem vai ajudar na operação? A Caixa, claro, mais uns euros vindos do BCP e do BES.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS-3-04-2012

BAKA BEYOND THE FOREST

ANGOLA - ALDA LARA - POEMAS

segunda-feira, 2 de abril de 2012

CONVITE PARA COIMBRA - "TAMBWE-A UNHA DO LEÃO"

A LIVRARIA BERTRAND DOLCE VITA COIMBRA

E O AUTOR

CONVIDAM-NO

PARA A APRESENTAÇÃO DO LIVRO

TAMBWE-A UNHA DO LEÃO

DE ANTÓNIO OLIVEIRA E CASTRO

A SESSÃO TERÁ LUGAR NO DIA 14 DE ABRIL, PELAS 17 HORAS,

NA LIVRARIA BERTRAND DO CENTRO COMERCIAL DOLCE VITA, EM COIMBRA.

A APRESENTAÇÃO DA OBRASERÁ FEITA PELA DRª CÂNDIDA MIRANDA
E A SESSÃO

CONTARÁ COM A PRESENÇA DO PINTOR NUNO DAVID, AUTOR DAS ILUSTRAÇÕES CONTIDAS NO LIVRO.

LEITURA DE EXCERTOS DO LIVRO POR ADELAIDE CASTRO.

VIAGEM MUSICAL COM ENSEMBLE VOCT.

SEGUIR-SE-Á UMA SESSÃO DE AUTÓGRAFOS.
O mais recente romance de António Oliveira e Castro, Tambwe – A unha do leão (Lisboa: Gradiva, 2011), com ilustrações de Nuno David, é uma história que prende o leitor ao trajecto de uma personagem como Eugénio, figura que, ora procura a morte, ora assume o seu trajecto sozinho, ora peregrina até às raízes. A história é intensa e o leitor é convidado a passar por paisagens diversas, europeias (Portugal, França) ou africanas (Angola), por corredores diversificados de uma sociedade que nem sempre se rege pelos melhores princípios, convivendo com figuras da baixa política, com revolucionários, com mercenários, e tendo momentos de paragem, também fortes, em pensares de tempos de solidão ou em reflexão com figuras que constroem e se alojam na identidade.
É uma história dramática, em que o narrador dialoga com o leitor, tentando convencê-lo da verosimilhança das situações e levando-o a pensar a actualidade, o papel da política, o encaminhamento do mundo, o ser cidadão. É uma história dolorosa, com desvios e demandas, mortes e utopias, caos e ordem, poesia e horror, em que a liberdade e a prisão coexistem e a fragilidade do mundo e dos sistemas é posta à prova. É a história de uma solidão sempre e sempre testada, numa fuga ao tormento.
Sublinhados
Palavras – “As palavras, por maior que seja o seu conteúdo, não têm peso, sustentam-se de aparentes levezas, da aragem dos êxtases.”
Mistério – “Nem sempre o universo do homem se pode resumir ao encontro com a razão, na equação entram outras incógnitas, indecifráveis e misteriosas.”
Faltas – “O que mais há na terra é paisagem e o que mais falta é o amor.”
Escrever – “Nenhum escritor escreve sobre acontecimentos insignificantes, procura sempre o lado sombrio, sujo, sanguinolento, colérico e escondido do Homem; descreve os campos de batalha onde se fuzilam os inocentes e assinam acordos de paz com os generais; o artífice da palavra relata, com a emoção de que é capaz, a loucura dos heróis, o medo dos cobardes; leva-nos até aos que jazem, na agonia da morte, debruçados sobre a terra que lhes escuta o lamento; faz-nos tropeçar nos corpos dilacerados que se espalham sobre os degraus dos edifícios em ruínas.”
Amor – “O amor é um fenómeno muito mais complexo que a morte; enquanto um regenera, o outro remete para o esquecimento.”
Vida – “Mesmo a vida mais verdadeira não passa do resultado do acaso, a que só a fé dos homens confere normalidade.”
Gerações – “O mundo acaba apenas para velhos que já não são capazes de se transformar, continua para os jovens generosos e sonhadores, que precisam de mudança.”
Futuro – “Nada, nada mesmo, obedece à lógica; apenas a aventura, o perigo, o risco, o sucesso imprevisto comandam o futuro.”
Castigo – “Os castigos são sempre subjectivos. Dependem de quem está no poder. Herói se vencer, traidor se for derrotado.”
História – “A história despreza os seus actores, reescreve-lhes o drama a seu bel-prazer; a qualquer instante pode matar num jogo de contradições, de paradoxos, de ironias, de injustiças; oportunista, caminha sobre uma estrada de cadáveres.”
Guerra – “A guerra não distingue os homens; tanto se lhe dá que sejam honestos ou assassinos, jovens ou velhos, pouco lhe importa que se encontrem exaustos ou frescos. Aliás, a violência tem especial predilecção pelos mais incautos, pelos mais fracos.”
Actor – “Apenas quando encarnam personagens que um qualquer dramaturgo inventou, os actores são belos, sedutores, insuspeitos, assim que abandonam o palco e a ribalta regressam à miserável condição humana que os agasalha.”
Pátria – “Para que precisamos de nações? Os cidadãos precisam é de paz!”
Povo – “A história dos povos tem as suas regras, o seu tempo lento, mas as mudanças são muito mais definitivas quando a violência da guerra se torna conselheira da razão e das emoções.”
Trincheira – “Nas trincheiras, sempre morreram os jovens crédulos, cadáveres condecorados com a crueldade do martírio. Indiferentes à hecatombe, os proprietários da pátria, latifúndio com milhares de hectares, que fazem crer ser também nossa, oferecem-nos o privilégio de lhes amanharmos o solo, de lhes produzirmos a riqueza.”
Horizonte – “A dimensão dos homens vê-se para onde olham, se para o umbigo, se para a montanha.”
Ambição – “Os homens, quando guiados apenas pela ambição, perdem a noção da realidade, escutam o umbigo quando tudo à volta se desmorona.”

O PROBLEMA DO MUNDO DE HOJE

VICE-PRESIDENTE DA ORGANIZAÇÃO TRANSPARÊNCIA E INTEGRIDADE ACUSA O PARLAMENTO DE SER FONTE DE CORRUPÇÃO

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