segunda-feira, 24 de março de 2014

A NOÇÃO DE DITADURA E DE DEMOCRACIA MUDA CONSOANTE OS INTERESSES DAS GRANDES POTÊNCIAS

Os EUA e a “democracia”: discurso esfarrapado

Por 
Nicolas J.S. Davies
 – on 18/03/2014




História: 35 países onde Washington derrubou governos legítimos, aliou-se a ditadores e cometeu genocídios, em nome de seus interesses geopolíticos Por Nicolas J.S. Davies, no Alternet | Tradução: Vinícius Gomes


Um velho clichê político repetiu-se, nas últimas semanas, na Ucrânia e na Venezuela – ainda que com roupagem nova. Em Kiev, um presidente corrupto, porém legítimo, foi deposto após meses de manifestações, comandadas por grupos neonazistas. Em Caracas, Leopoldo López, político de extrema-direita e um dos líderes do golpe de Estado de 2002, apoia-se em dificuldades do governo para pedir sua derrubada antidemocrática. Nos dois casos, os Estados Unidos têm interesse geopolítico claro na queda dos governantes e agiram (agem, na Venezuela) para provocá-la.
O pretexto de Washington é uma concepção particular de “democracia”. Na Ucrânia, o chefe de governo, Viktor Yanukovitch, teria sido afastado por se aproximar da Rússia – adversária dos EUA e, portanto, “antidemocrática” por definição. Na Venezuela, tanto o ex-presidente Hugo Chávez quanto seu sucessor, Nicolas Maduro, promovem políticas de unidade latinoamericana que incomodam Washington. Por isso, seriam, naturalmente, “autoritários”. A mídia aliada ideologicamente à Casa Branca repete tais argumentos de maneira tão maciça (e acrítica) quanto assegurava haver, no Iraque, “armas de destruição em massa”.
Mas qual a autoridade do governo norte-americano para falar em nome da “democracia”? Nos próprios Estados Unidos, parece haver enormes dúvidas. Colaborador de publicações como “Huffington Post”, “Salon”, “ZNet” e “Alternet”, o escritor e jornalista Nicolas J.S. Davies acaba de produzir, para esta publicação, um texto de grande importância e atualidade. Após vasta pesquisa histórica, Davies relacionou uma lista (certamente incompleta) de países em que Washington interveio derrubando governos legítimos por meio de golpes de Estado, apoiando ditaduras ou participando de massacres e genocídios.



São 35 países, contando apenas as intervenções entre pós-II Guerra Mundial e hoje. Os verbetes são densos, porém breves – ou o texto seria interminável. Mas Davies teve o
cuidado de pesquisar e indicar por meio de links, em cada caso, textos que permitem compreender, em detalhes, o contexto e os fatos concretos. O autor adverte: “em nome de sua incansável busca pelo domínio global, Washington criou um longo e contínuo histórico de trabalhar lado a lado com fascistas, ditadores, chefões das drogas e países que patrocinam terrorismo. (…) Os crimes cometidos vão de assassinato a tortura, de golpes a genocídios. A trilha de sangue desse caos e carnificina vai até os degraus da Casa Branca e do Congresso norte-americano”. A seguir o resultado, ordenado alfabeticamente, da pesquisa de Davies. (A.M)




1. Afeganistão
Durante a década de 1980, os EUA trabalharam com o Paquistão e a Arábia Saudita para derrubar o governo socialista do Afeganistão. Eles financiaram, treinaram e armaram forças lideradas por líderes locais conservadores, cujos poderes foram ameaçados pelas reformas do país nas áreas de educação, direitos das mulheres e reforma agrária. Após Mikhail Gorbachev retirar as tropas soviéticas, em 1989, esses senhores da guerra apoiados pelos EUA, despedaçaram o país e aumentaram a produção de ópio a um nível sem precedentes de 2 mil para quase 3.500 toneladas por ano. O governo Talibã cortou tal produção em 95% durante 1999 e 2001, mas a invasão norte-americana colocou os senhores da guerra e chefões das drogas de volta ao poder. O Afeganistão ocupa atualmente o 3º lugar dos mais países mais corruptos do mundo (entre 177) e o 175° em desenvolvimento humano (entre 186). Além disso, desde 2004 sua produção de ópio aumentou para 5.400 toneladas por ano. O irmão do presidente afegão, Ahmed Wali Kharzai era um notório chefão das drogas financiado pela CIA . Após uma grande ofensiva do exército norte-americano na província de Kandahar, em 2011, o coronel Abdul Razziq foi nomeado chefe de polícia local, impulsionando o contrabando de heroína que já lhe rendeu 60 milhões de dólares ao ano, em um dos países mais pobres do planeta.


2. Albânia
Entre 1949 e 1953, os EUA e o Reino Unido aliaram-se para derrubar o governo da Albânia, o menor e mais vulnerável país comunista no Leste Europeu. Exilados foram recrutados e treinados para retornar à Albânia e, estimular dissidentes a planejar um levante armado. Muitos dos exilados envolvidos no plano foram antigos colaboradores da Itália fascista e da Alemanha nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. A lista incluía um antigo Ministro do Interior, Xhafer Deva, que supervisionou as deportações de “judeus, comunistas, partisans e pessoas suspeitas” (como descrito em um documento nazista) para o campo de concentração de Auschwitz. Documentos norte-americanos secretos que se tornaram públicos revelaram desde então que Deva foi um dos 743 fascistas criminosos de guerra que os EUA recrutaram após a guerra.


3. Argentina
Documentos secretos que foram liberados ao público em 2003, detalham conversações de outubro de 1976, entre o então secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, e sua contraparte argentina, o ministro das Relações Exteriores Almirante Guzzetti, pouco tempo depois de a junta militar tomar o poder na Argentina. Kissinger aprovou, explicitamente, a “guerra suja” dos militares sul-americanos, que matou aproximadamente 30 mil pessoas – jovens, em sua maioria – e roubou 400 órfãos de suas famílias. Kissinger disse a Guzzetti: “Veja bem, nossa posição é que você tenha sucesso…quanto mais rápido você tiver sucesso, melhor”. O embaixador dos EUA em Buenos Aires relatou que Guzzetti “saiu da conversa em estado de júbilo, convencido que não haveria nenhum problema por parte do governo norte-americano sobre esse assunto”.



4. Brasil
Em 1964, o general Castelo Branco liderou um golpe que iniciou 20 anos de uma brutal ditadura militar. O adido militar norte-americano, Vernon Walters – mais tarde Diretor Interino da CIA e embaixador na ONU – conhecia bem Castelo Branco desde a Segunda Guerra Mundial, na Itália. Por ter sido um agente da CIA, os relatórios de Walters sobre o Brasil nunca vieram a público, mas a CIA providenciou todo o apoio necessário para garantir o sucesso do golpe de Estado, assim como na Ucrânia e Venezuela, recentemente. Uma força anfíbia dos Marines norte-americanos estava à postos para desembarcar no país, mas não foi necessário. Assim como outras vítimas dos golpes apoiados pelos EUA na América Latina, o presidente eleito João Goulart era um rico latifundiário, não um comunista, mas seus esforços para permanecer neutro durante a Guerra Fria eram inaceitáveis para Washington.


5. Camboja
Quando o presidente Nixon ordenou o bombardeio secreto e ilegal no Camboja, em 1969, os pilotos norte-americanos foram obrigados a falsificar seus manifestos de voo para encobrir seus crimes. O bombardeio matou pelos menos 500 mil de cambojanos, despejando mais bombas no pequeno país asiático do que a Alemanha e o Japão combinados, durante a Segunda Guerra. Quando o grupo Khmer Vermelho ganhou força no país, em 1973, a CIA relatou que “sua propaganda é mais efetiva entre pessoas que sofreram com os bombardeios dos B-52 dos EUA”. Depois de o Khmer Vermelho matar mais de dois milhões de seu próprio povo e, ser finalmente expulso do país pelo exército do Vietnã, em 1979, o Grupo de Emergência de Kampuchea, que tinha como base embaixada norte-americana na Tailândia, organizou-se para apoiar e alimentar os genocidas do Khmer, vistos então como um grupo de “resistência” contra o novo governo cambojano, apoiado pelos vietnamitas. Com a pressão dos EUA, o Programa Mundial de Alimentos providenciou 12 milhões de dólares para alimentar de 20 a 40 mil soldados do Khmer Vermelho. Por pelo menos mais uma década, a inteligência do exército norte-americano forneceu imagens de satélites ao grupo, enquanto forças dos EUA e do Reino Unido treinavam-no para plantar milhões de minas terrestres no oeste do país. Até hoje, elas matam e mutilam centenas de pessoas todos os anos.


6. Chile
Quando Salvador Allende tornou-se presidente, em 1970, o presidente dos EUA, Richard Nixon prometeu “fazer a economia berrar” no Chile. O maior parceiro do país sul-americano eram os EUA, que cortou o comércio bilateral a fim de causar um caos econômico e falta de suprimentos. A CIA e o Departamento de Estado promoveram sofisticadas operações de propaganda durante uma década, financiando políticos conservadores, partidos, sindicatos, grupos estudantis e todos os veículos de mídia, enquanto expandiam seus laços com os militares. Após o general Augusto Pinochet tomar o poder, a CIA manteve os oficiais chilenos em sua folha de pagamentos e trabalhou em conjunto com o serviço de inteligência chileno, enquanto o governo militar matava milhares de pessoas, prendendo e torturando outras dezenas de milhares. Enquanto isso, os “Chicago Boys”, cerca de 100 estudantes chilenos enviados pelo Departamento de Estado dos EUA para estudar na Universidade de Chicago, sob a égide do economista Milton Friedman, lançaram um programa radical de privatizações, desregulamentação econômica e políticas neoliberais que manteve a economia do Chile berrando para grande parte dos chilenos ao longo da ditadura militar de 16 anos de Pinochet.



7. China
Ao final de 1945, 100 mil soldados norte-americanos estavam lutando lado a lado com o Kuomitang chinês nas áreas dominadas por comunistas no nordeste da China. O Kuomitang e seu líder, o general Chiang Kai-Shek, foram possivelmente os aliados mais corruptos dos EUA. Inúmeros conselheiros norte-americanos na China alertaram que a ajuda que os EUA enviava estava sendo roubada por Chiang e seus comparsas, alguns dos itens enviados sendo até vendidos aos japoneses, mas o compromisso norte-americano com o general estendeu-se pela II Guerra Mundial, sua derrota posterior diante dos comunistas e seu governo em Taiwan. A perigosa diplomacia do Secretário de Estado, Allen Dulles, em apoio a Chiang, quase colocou os EUA, por duas vezes, à beira de uma guerra nuclear com a China – em 1955 e 1958 – por conta de duas pequenas ilhas na costa chinesa, Matsu e Qemoy.


8. Colômbia
Quando forças especiais do exército dos EUA e sua agência de combate às drogas auxiliaram o governo colombiano a caçar e matar o chefão das drogas Pablo Escobar, eles trabalharam com um grupo de justiceiros chamado Los Pepes. Em 1997, Diego Murillo-Bejaran e outros líderes dos Los Pepes fundaram a AUC – as Autodefesas Unidas da Colômbia -, que foi responsável por 75% das mortes violentas de civis no país nos dez anos seguintes.


9. Coreia 
Quando as forças dos EUA chegaram na Coreia, em 1945, foram recepcionadas por oficiais da República Popular da Coreia (KPR, sigla em inglês), formado por grupos de resistência que renderam forças japonesas na II Guerra Mundial e começaram a estabelecer lei e ordem por todo o país. O general Hodge expulsou-os então da metade sul do país e colocou a região sob ocupação militar norte-americanas. Em contraste, forças russas no norte reconheceram a autoridade do KPR – o que resultou na divisão da Coreia. Os EUA então trouxeram Sygnman Rhee, um exilado coreano conservador e o instalaram como presidente da Coreia do Sul. Rhee tornou-se tornou um ditador na cruzada anticomunista; prendeu e torturou suspeitos de serem comunistas; liquidou rebeliões com brutalidade; matou 100 mil pessoas e jurou retomar a Coreia do Norte. Ele foi parcialmente responsável pela “explosão” da Guerra da Coreia e pela decisão aliada de invadir a vizinha do norte. Finalmente, foi forçado a renunciar por um protesto em massa de estudantes, em 1960.


10. Cuba
Os EUA apoiaram a ditadura de Fulgencio Batista, cuja opressão matou mais de 20 mil cubanos e fomentou a revolta que causou a Revolução Cubana. O ex-embaixador Earl Smith testemunhou no Congresso “’que a influência dos EUA em Cuba era tão grande, que o embaixador norte-americano era a segunda pessoa mais importante no país; às vezes até mais que o próprio presidente cubano”. Após a revolução, a CIA iniciou uma campanha de terrorismo contra a ilha, treinando cubanos exilados na Florida, América Central e República Dominicana para cometer assassinatos e atos de sabotagem em Cuba. As operações patrocinadas pela CIA incluíram a tentativa de invasão da ilha pela Baía dos Porcos, em 1961, causando a morte de cem cubanos exilados e quatro norte-americanos; diversos atentados contra Fidel Castro e de outros governantes cubanos; ataques aéreos com bombas e atentados terroristas contra turistas, que incluíram um navio francês aportado em Havana (75 mortos), um ataque biológico com a gripe suína que matou meio milhão de porcos e a explosão de um avião (78 mortos) das linhas aéreas cubanas, planejada por Luis Carlos Posada e Orlando Bosch. Ambos continuam livres nos EUA, apesar de os norte-americanos
estarem em “guerra contra o terrorismo”. Bosch recebeu o perdão presidencial do primeiro George Bush.
11. El Salvador
A guerra civil que arrasou El Salvador na década de 1980 foi um levante popular contra um governo extremamente brutal. Pelo menos 70 mil pessoas foram mortas e milhares de outras desapareceram. A Comissão da Verdade da ONU organizada após a guerra encontrou evidências que 95% das mortes foram causadas pelo governo e esquadrões da morte e apenas 5% pelas guerrilhas do FLMN. As forças governamentais responsáveis por esse massacre unilateral foram praticamente todas montadas, treinadas, armadas e supervisionadas pela CIA, pelas forças especiais dos EUA e pela infame Escola das Américas. A Comissão da ONU descobriu que as unidades que cometeram as piores atrocidades – como o Batalhão Atlacatl, que conduziu o terrível massacre de El Mozote, eram precisamente as mais próximas da supervisão norte-americana. O papel dos EUA na campanha de terrorismo de Estado é agora louvado por oficiais militares mais velhos como um modelo de “contra-insurgência” na Colômbia e outros lugares onde a guerra ao terror dos EUA leva violência e caos pelo mundo.



12. Filipinas
Desde que os EUA lançaram sua suposta guerra ao terror em 2001, uma força-tarefa de 500 soldados das forças especiais conduziu operações secretas no sul das Filipinas. Com Obama, a ajuda militar dos EUA para o país aumentou de 12 milhões de dólares, em 2001, para 50 milhões, neste ano. No entanto, ativistas de direitos humanos filipinos relatam que o aumento da ajuda coincide com o aumento de operações militares de esquadrões da morte contra civis. Nos últimos três anos, pelo menos 158 pessoas foram mortas por esses esquadrões.


13. França
Ao final da II Guerra Mundial, as forças aliadas descobriram que tanto na França como na Itália, Grécia, Indochina, Indonésia, Coreia e Filipinas, as forças de resistência comunista tinham conquistado o efetivo controle de várias áreas e até mesmo do país inteiro, ao passo que as forças alemãs e japonesas retiravam-se ou se rendiam. Na cidade costeira de Marselha, o sindicato de comércio controlado pelos comunistas controlava as docas, que eram essenciais para o comércio dos EUA e o Plano Marshall. A agência norte-americana OSS (antecessora da CIA) já havia trabalhado durante a guerra com a máfia siciliana na Itália e com os gângsteres de Córsega, na França. Quando a OSS transformou-se na CIA, após a guerra, restabeleceu seus antigos contatos e usou os criminosos corsos para acabar com as greves e controlar as docas de Marselha. A CIA passou a proteger os corsos, enquanto eles montavam seus laboratórios de heroína e, inclusive quando despachavam a heroína para Nova York, onde, por sua vez, os sicilianos mafiosos revendiam a droga com a proteção da CIA. Ironicamente, o suprimento de drogas quase foi zerado devido a Revolução Chinesa e o vício em heroína poderia ter sido eliminado, mas a Conexão França da CIA trouxe permitiu uma nova onda de vício, crime organizado e violência relacionada ao tráfico para Nova York e outras cidades do país.



14. Gana
Atualmente parece não haver líderes nacionais inspiradores na África. Mas isso pode ser culpa dos EUA. Nas décadas de 1950 e 1960, existia uma estrela em ascensão em Gana: Kwame Nkrumah. Ele foi primeiro-ministro sobre controle britânico, entre 1952 e 1960. Quando Gana tornou-se independente, assumiu a presidência. Era um socialista, pan-africanista e anti-imperialista; em 1965, escreveu um livro chamado Neo-Colonialismo: O último estágio do imperialismo. Nkrumah foi destituído em golpe da CIA, em 1966. A agência negou na época seu envolvimento, mas a imprensa britânica revelou posteriormente, que 40 oficiais da agência operavam na embaixada dos EUA “distribuindo favores entre os adversários secretos de Nkrumah” – os quais “foram completamente recompensados”. O ex-agente da CIA, John Stockwell, revela bastante sobre o golpe em seu livro Em Busca de Inimigos



15. Grécia
Quando as forças britânicas desembarcaram na Grécia em outubro de 1944, eles descobriram que o país estava sobre controle efetivo do ELAS-EAM, a guerrilha esquerdista formada pelo Partido Comunista Grego em 1941, após a invasão alemã e italiana no país. O ELAS-EAM recebeu de braços abertos os britânicos, mas estes recusaram-se a qualquer entendimento com os comunistas e instalaram um governo que incluía defensores da realeza e colaboradores nazistas. Quando o ELAS-EAM organizou uma manifestação maciça em Atenas, a polícia abriu fogo e matou 28 pessoas. Os britânicos recrutaram membros nazistas versados em combate para caçar e prender membros dos ELAS, que novamente pegaram em armas para lutar como resistência. Em 1947, com uma guerra civil em andamento, a Grã-Bretanha, falida, recorreu aos EUA para ocupar e controlar a Grécia. O papel dos norte-americanos apoiando o incompetente governo fascista grego estava embasado na Doutrina Truman, encarada por muitos historiadores como o início da Guerra Fria. Os membros da ELAS-EAM deixaram suas armas em 1949, após a Iugoslávia retirar seu apoio a eles. Cerca de 100 mil foram executados, exilados ou aprisionados. O primeiro-ministro liberal Georgios Papandreou foi deposto com um golpe orquestrado pela CIA, em 1967, levando a mais sete
anos de ditadura militar. Seu filho Andreas foi eleito o primeiro presidente “socialista”, em 1981, mas muitos membros do ELAS-EAM presos na década de 1940, nunca foram libertados e morreram na prisão.


16. Guatemala
Após sua primeira experiência para derrubar um governo estrangeiro com o Irã, em 1953, a CIA lançou uma operação mais elaborada para remover o governo eleito do liberal Jacobo Arbenz, na Guatemala, em 1954. A CIA recrutou e treinou um pequeno exército de mercenários em conluio com o guatemalteco exilado, Castillo Armas, para invadir o país, contando com o apoio aéreo de 30 aviões não-identificados. O embaixador norte-americano, John Peurifoy, preparou uma lista de guatemaltecos a serem executados e Armas foi instalado como presidente. O reino de terror que se seguiu iniciou os 40 anos de guerra civil no país, que resultou na morte de 200 mil pessoas – indígenas, em sua maioria. O clímax da guerra foi a campanha de genocídio desencadeada na comunidade Ixil, pelo então presidente Rios Montt. Ele foi sentenciado a prisão perpétua em 2013, até que a Suprema Corte da Guatemala anulou o julgamento, a pretexto de uma tecnicalidade. Um novo julgamento está marcado para 2015. Documentos da CIA revelam que o governo Reagan estava totalmente informado da natureza genocida indiscriminada das operações militares dos guatemaltecos quando aprovou uma nova ajuda financeira em 1981, que incluía veículos militares, partes sobressalentes de helicópteros e enviou de conselheiros militares norte-americanos. Os documentos da CIA detalham o massacre e a destruição de vilas inteiras e concluem: “A bem-documentada crença do exército, segundo a qual a população inteira dos índios Ixil é pró-EGP (Exército Guerrilheiro dos Pobres) criou uma situação na qual, espera-se, que o exército não poupe combatentes e nem não-combatentes”.


17. Haiti
Quase 200 anos depois da rebelião dos escravos que criou o Haiti e derrotou os exércitos de Napoleão, a sofrida população do país finalmente elegeu um verdadeiro governo democrático, liderado pelo padre Jean-Bertrand Aristide, em 1991. Mas o governo de Aristide foi derrubado por um golpe militar apoiado pelos EUA, apenas oito meses depois de ter assumido o cargo. Além disso, a agência de inteligência do Pentágono recrutou uma força paramilitar chamada FRAPH com o objetivo de destruir o movimento de Aristide, chamado Lavalas. A CIA colocou o líder do FRAPH, Emmanuel “Toto” Constant, em sua folha de pagamentos e lhe enviou armas pela Florida. Quando o presidente Clinton enviou uma força de ocupação para recolocar Aristide no poder, em 1994, os membros da FRAPH detidos pelos militares norte-americanos foram liberados com ordens de Washington e a CIA manteve a FRAPH como um grupo criminoso para sabotar tanto Aristide, como o Lavalas. Após Aristide ser eleito novamente em 2000, uma força de pelo menos duzentos soldados das forças especiais dos EUA, treinou cerca de seiscentos antigos membros do FRAPH – dentro da República Dominicana para se preparar para um segundo golpe de Estado. Em 2004, eles lançaram uma campanha de violência para desestabilizar o Haiti, crianao novo pretexto para forças dos EUA desembarcarem no país e removerem Aristide do cargo. Pela segudna vez.


18. Honduras
O golpe de 2009 em Honduras iniciou uma era de dura repressão e o assassinato, por esquadrões da morte de oponentes políticos, sindicalistas e jornalistas. Na época, oficiais norte-americanos negaram qualquer participação com o golpe e usaram de semântica para evitar o corte da assistência militar – driblando o que é requerido pelas leis dos EUA. Mas dois vazamentos do Wikileaks revelaram que a embaixada dos EUA era a maior patrocinadora nas gestões, pós-golpe, para a formação de um governo que reprimiu seu próprio povo.

19. Indonésia
Em 1965, o general Suharto tomou o poder do presidente Sukarno sob o pretexto de combater um golpe fracassado. Iniciou, na sequência, uma ondaa de assassinatos em massa, que resultaram na morte de pelo menos meio milhão de pessoas. Diplomatas norte-americanos admitiram posteriormente que proveram listas com os nomes de 5 mil membros do Partido Comunista que seriam mortos. O oficial político Robert Martens disse: “Realmente foi uma grande ajuda para o exército. Eles provavelmente mataram muitas pessoas e eu provavelmente tenho muito sangue em minhas mãos, mas isso não é tão ruim. Há momentos em que você tem agir com força, em um momento decisivo.


20. Irã
O Irã talvez seja o caso mais instrutivo sobre golpes da CIA que causaram uma interminável lista de problemas para os EUA. Em 1953, a CIA e o MI-6 britânico derrubaram o popular governo eleito de Mohammed Mossadegh. O Irã havia nacionalizado sua indústria petrolífera por votação unânime no Parlamento, encerrando o monopólio da British Petroleum (BP), que pagava ao país apenas 16% dos royaties na venda de seu próprio combustível. Por dois anos, o Irã resistiu ao bloqueio naval britânico e sanções econômicas internacionais. Quando o presidente Eisenhower entrou na Casa Branca em 1953, a CIA concordou com um pedido britânico de intervenção. Depois que o primeiro golpe falhou e o Xá Reza Pahlevi voou para a Itália, a CIA pagou milhões de dólares em suborno para oficiais militares e gangsters, que aterrorizaram as ruas de Teerã com violência. Até que Mossadegh finalmente foi removido e o Xá retornou ao poder como um brutal fantoche ocidental, até a Revolução Iraniana, em 1979.



21. Iraque 
Em 1958, após o general Abdul Qasim derrubar a monarquia apoiada pela Grã-Bretanha, a CIA contratou um jovem de 22 anos, chamado Saddam Hussein, para assassiná-lo. Hussein e sua gangue falharam feio na missão e ele fugiu para o Líbano, ferido na perna por um de seus companheiros. A CIA alugou-lhe um apartamento em Beirute. Depois, deslocou-o para Cairo, onde era pago como um agente da inteligência egípcia e era, também, um frequente visitante da embaixada norte-americana. A CIA finalmente assassinou Qasim em um golpe pelo Partido Baath – e, como na Guatemala e Indonésia, entregou ao novo regime uma lista de pelo menos 4 mil membros do Partido Comunista a serem assassinados. No entanto, uma vez no poder, o Baath não se dispôs a ser um fantoche ocidental. Nacionalizou a indústria petrolífera no país, adotou uma política externa nacionalista e criou o melhor sistema educacional e de saúde no mundo árabe. Em 1979, Saddam Hussein tornou-se presidente, após expurgar oponentes políticos. Lançou-se em uma desastrosa guerra contra o vizinho Irã. A inteligência do Pentágono abasteceu Saddam, nesta guerra, com imagens de satélite necessárias para utilizar armas químicas, que o Ocidente ajudou a produzir. Donald Rumsfeld e outros assessores do governo norte-americano enxergavam Hussein como um aliado contra o Irã. Apenas quando o Iraque invadiu o Kuwait e Saddam Hussein tornou-se mais útil como um inimigo, os EUA retularam-no como “um novo Hitler”. Depois que os EUA invadiram o Iraque em 2003, baseando-se em mentiras, a CIA recrutou 27 brigadas da “polícia especial” – unindo a mais brutal das forças de segurança de Hussein com as milícias Badr, treinadas pelo Irã – para criar esquadrões da morte que mataram dezenas de milhares de homens e meninos, de maioria sunitas, em Bagdá e outras cidades, em um reinado de terror que continua até hoje.


22. Israel
Assim como usam seus poderes econômicos e militares, seu sofisticado programa de propaganda e sua posição como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU para violar as leis internacionais com impunidade, os EUA empregam as mesmas ferramentas para criar um escudo protetor a seu aliado israelense, evitando que este tenha que responder por seus crimes. Desde 1966, os EUA usaram 83 vezes seu poder de veto, como membro permanente no Conselho de Segurança – mais do que todos os outros quatro membros combinados. Em 42 casos, estes vetos foram sobre resoluções acerca Israel e/ou Palestina. No início desse ano, a Anistia Internacional publicou um relatório dizendo que “forças israelenses demonstraram uma enorme indiferença com a vida humana, ao matar dezenas de civis palestinos, incluindo crianças, na Faixa de Gaza ocupada nos últimos três anos, com total impunidade”. Richard Falk, o relator especial da ONU sobre Direitos Humanos em Territórios Ocupados, condenou o ataque de 2008 em Gaza como uma “violação maciça da
lei internacional”, salientando que países como os EUA, que “forneceram armas e apoiaram o cerco, eram cúmplices nesses crimes”. A Lei Leahy exige que os EUA cortem assistência militar a forças de segurança que violem os direitos humanos, mas ela nunca foi aplicada a Israel – que continua a construir colônias em territórios ocupados, violando o quarto artigo da Convenção de Genebra, tornando ainda mais difícil o cumprimento das resoluções da ONU que exigem a retirada completa dos territórios ocupados. Mesmo assim, Israel continua acima de lei – protegida de prestar de contas pelo seu poderoso aliado, os EUA.


23. Iugoslávia
O bombardeio aéreo da OTAN na Iugoslávia em 1999 foi um flagrante crime de agressão que violou o Artigo 2.4 da Carta da ONU. Quando o secretário de relações exteriores britânico, Robin Cook, disse à secretária de Estado dos EUA, Caroline Albright, que o Reino Unido estava tendo “dificuldades com seus advogados” a respeito do ataque planejado, ela disse, de acordo com seu assistente James Rubin, que os britânicos deveriam “arrumar novos advogados”. O grupo “terceirizado” pela OTAN para agir em campo contra a Iugoslávia era o Exército de Libertação de Kosovo (KLA), liderado por Hashuim Thaci. Um relatório de 2010 do Conselho da Europa e um livro de Carla Del Ponte, antiga procuradora da Tribunal Internacional de Justiça para a Iugoslávia, alertaram, por muito tempo, que na época da invasão da OTAN, Thaci comandava uma organização criminosa chamado Drenica, que enviou mais de 400 sérvios capturados à Albânia para serem mortos e assim terem seus órgãos retirados e vendidos para transplante. Hashim Thaci é hoje o primeiro-ministro de Kosovo, o protetorado da OTAN.


24. Laos
A CIA começou a fornecer apoio aéreo às forças francesas no Laos, em 1950, e continuou envolvida no país por mais 25 anos. A agência orquestrou pelo menos três golpes de Estado entre 1958 e 1960, com o intuito de manter a crescente esquerda, liderada por Pathet Lao, fora do poder. A CIA também trabalhou com os chefões do tráfico de drogas de direita no Laos, como o general Phoumi Nosavan – transportando ópio entre o Myanmar, Laos e Vietnã – além de proteger seu monopólio no comércio de ópio no Laos. Em 1962, a CIA recrutou um exército clandestino de mercenários que contava com 30 mil soldados veteranos de guerras de guerrilha da Tailândia, Coreia, Vietnã e das Filipinas, para lutar contra Pathet Lao. Como inúmeros soldados norte-americanos se viciaram em heroína, durante a guerra do Vietnã, a Air America, da CIA, transportou ópio do território Hmong, nas montanhas, para os laboratórios de heroína do general Vang Pao, em Long Tieng e Vientiane, para serem embarcadas para o Vietnã. Quando o golpe da CIA contra Pathet Lao falhou, os EUA
bombardearam o Laos, tão brutalmente quanto no Camboja, lançando 2 milhões de toneladas de bomba.

25. Líbia
A ação da OTAN na Líbia construiu a maneira “disfarçada, silenciosa e livre de imprensa” adotada pelo presidente Obama para fazer guerra. A campanha de bombardeio da OTAN foi falsamente vendida ao Conselho de Segurança da ONU como um esforço para proteger civis e o papel dos militares ocidentais e outras forças estrangeiras foi bem disfarçado, mesmo quando as forças especiais do Qatar (incluindo mercenários paquistaneses ex-agentes do ISI) lideraram o ataque final ao quartel-general Bab Al-Azizia, em Trípoli. A OTAN conduziu 7.700 ataques aéreos. Entre 30 e 100 mil pessoas foram mortas. Cidades leais ao governo foram bombardeadas até virar destroços. Hoje, quano o país está em caos, milícias armadas e treinadas pelo Ocidente dominam territórios e instalações de petróleo, por meio da força. Uma delas, a Misrata, é um das mais violentas e poderosas. Há poucos dias, manifestantes entraram atirando no Congresso pela quarta ou quinta vez, em poucos meses e dois representantes eleitos foram mortos enquanto fugiam.
26. México A contagem de mortos nas guerras às drogas no México chegou recentemente a 100 mil vítimas. O mais violento dos cartéis de drogas é conhecido por “Los Zetas”. Oficiais dos EUA dizem que eles são os “mais tecnológicos, avançados e perigosos dos cartéis operando no México”. O cartel dos Zetas foi formado por forças de segurança mexicanas, que por sua vez, foram treinados por forças especiais norte-americanas, na Escola das Américas, em Fort Benning – Geórgia; e em Fort Bragg, Carolina do Norte.

27. Myanmar
Após a Revolução Chinesa, os generais do Kuomitang deslocaram-se para o norte de Myanmar e se tornaram poderosos barões das drogas, contando com a proteção militar da Tailândia, financiados por Taiwan e tendo o suporte logístico e transporte aéreo da CIA. A produção de ópio em Myanmar cresceu de 18 toneladas em 1958, para 600 toneladas em 1970. A CIA manteve essas forças como um bastião na luta contra a China comunista. Ajudou a converter o “Triângulo de Ouro” no maior produtor mundial de ópio. A maioria dessa produção foi transportada por mulas para a Tailândia, onde outros aliados da CIA, embarcavam-na para laboratórios de heroína em Hong Kong e Malásia. O comércio mudou um pouco o foco quando o parceiro da CIA, general Vang Pao, montou novos laboratórios no Laos, para fornecer heroína aos soldados norte-americanos.



28. Nicarágua


A Nicarágua foi governada por Anastasio Somoza por 43 anos como se fosse seu feudo particular. O ditador contou com o apoio incondicional dos EUA, enquanto sua Guarda Nacional cometia todo o tipo de crime imaginável – de assassinatos à tortura, de extorsão a estupro – sempre com completa impunidade. Após Somoza finalmente ser deposto pela Revolução Sandinista, em 1979, a CIA recrutou, treinou e apoiou os mercenários “contras”, que invadiram o país com o objetivo de promover terrorismo e desestabilizar a Nicarágua. Em 1986, a Corte Internacional de Justiça considerou os EUA culpados de agressão contra Nicarágua, por enviarem os “contras” e sabotarem os portos nicaraguenses. A Corte ordenou que os EUA terminassem suas agressões e pagassem reparações de guerra à Nicarágua, mas isso nunca aconteceu. A resposta norte-americana foi dizer que não considerava mais a jurisdição da Corte Internacional – efetivamente colocando-se acima das leis internacionais.

29. Paquistão; 30.Arábia Saudita; 31. Turquia
Após ler o meu último texto no Alternet sobre o fracasso na guerra ao terror, um ex-especialista em terrorismo da CIA e Departamento de Estado, Larry Johnson, disse que “o principal problema sobre enfrentar a ameaça terrorista é definir precisamente o patrocínio do Estado. Os maiores culpados hoje, em contraste ao que ocorria vinte anos atrás, são o Paquistão, a Arábia Saudita e a Turquia. O Irã, apesar das bravatas dos neoconservadores de direita, não está ativamente encorajando e/ou facilitando o terrorismo”. Nos últimos doze anos, a ajuda militar dos EUA ao Paquistão totalizou 18,6 bilhões de dólares. Os EUA acabaram de negociar a maior venda de armas na história com a Arábia Saudita e a Turquia é um velho membro da OTAN. Os três maiores países patrocinadores do terrorismo são todos aliados dos EUA.


32. Panamá
Integrantes da agência antidrogas DEA, nos EUA, queriam prender Manuel Noriega em 1971, quando ele era o chefe da inteligência militar no Panamá. Tinham evidências suficientes para condená-lo por tráfico de drogas, mas ele era ao mesmo tempo, um velho agente e informante da CIA – assim como tantos outros traficantes também foram, de Marselha a Macau. Por isso, era intocável. Foi temporariamente desligado de suas funções durante o governo Carter mas, mesmo assim, continuava a receber seu pagamento anual de 100 mil dólares do Tesouro norte-americano. Quando subiu ao status de governante de fato do país, Noriega tornou-se ainda mais valioso para a CIA – relatando seus encontros com Fidel Castro em Cuba e Daniel Ortega na Nicarágua, além de apoiar as operações secretas dos EUA dentro da América Central. Noriega provavelmente parou de traficar drogas em 1985, muito antes de os EUA o
acusarem publicamente em 1988. O indiciamento em 1989 foi apenas uma desculpa para os EUA invadirem o Panamá, cujo maior propósito era ter um controle ainda maior sobre o país a um custo de 2 mil vidas.


33. Síria
Quando o presidente Obama aprovou em 2011, o envio de armas e de homens da milícia na Líbia para a base do “Exército Livre da Síria”, na Turquia – em voos da OTAN não registrados –, calculou que os EUA e seus aliados poderiam replicar o “sucesso” que foi a mudança de regime na Líbia. Todos os envolvidos no caso compreenderam que, na Síria, o conflito seria longo e sangrento, mas apostaram que, ao final, o resultado seria o mesmo, mesmo com 55% de sírios apoiando publicamente o presidente Assad. Poucos meses depois, os líderes ocidentais sabotaram o plano de paz de Kofi Annan, e usaram o “plano B”, Amigos da Síria. Esse não era um plano alternativo de paz, mas um comprometimento com a escalada da violência, oferecendo apoio garantido, dinheiro e armas para os jihadistas na Síria, garantindo assim que eles ignorassem o plano de Kofi Annan e continuassem lutando. Essa ação selou o destino de milhões de pessoas. Nos últimos dois anos, o Qatar gastou 3 bilhões de dólares enviando armas para a Síria; a Arábia Saudita embarcou armas via Croácia e países ocidentais junto de forças especiais de países árabes, treinaram milhares de jihadistas radicais e fundamentalistas, que hoje são aliados à Al-Qaeda. As conversações na conferência conhecida como “Genebra 2” foram uma meia tentativa de retomar o plano de paz de Kofi Annan, mas a insistência ocidental de que a “transição política” deve envolver a renúncia de Assad revela que os líderes ocidentais valorizam mais a mudança de regime do que a paz. Parafraseando, Phillys Bennis, os EUA e seus aliados ainda estão dispostos a lutar até o último sírio.


34. Uruguai
Muitos dos oficiais estrangeiros com quem os EUA trabalharam em conjunto tiraram proveito pessoal de sua cooperação com os crimes norte-americanos ao redor do mundo. Mas no Uruguai da década de 1970, quando o chefe de polícia, Alejandro Otero, alertou seus superiores de que os norte-americanos estavam treinando uruguaios na arte da tortura, foi rebaixado em hierarquia. O norte-americano de quem ele reclamou era Dan Mitrione, que trabalho para o Escritório de Segurança Pública dos EUA – uma divisão da USAID. As sessões de treinamento de Mitrione incluíam torturar pessoas sem-teto até a morte com choques elétricos, para ensinar os “estudantes” até que limite podiam chegar.


35. Zaire
(República Democrática do Congo) Patrice Lumumba, o presidente do Movimento Nacional Pan-Africano Congolês, tomou parte na pela independência de seu país e se tornou o primeiro governante eleito do Congo, em 1960. Foi deposto por um golpe patrocinado pela CIA e liderado por Joseph-Desire Mobutu, o líder do exército. Mobutu entregou Lumumba para separatistas e mercenários apoiados pela Bélgica, contra quem ele tanto lutara na província de Katanga. Foi executado por um pelotão de fuzilamento. Mobutu aboliu as eleições e se autoproclamou presidente em 1965 – continuando no poder como ditador por mais trinta anos. Matou oponentes políticos em enforcamentos públicos, mandou outros para a tortura até a morte e, ao final, embolsou 5 bilhões de dólares, enquanto o Zaire, nome cunhado por ele, permanecia um dos países mais miseráveis do planeta. Mas o apoio norte-americano a Mobutu continuou. Até mesmo quando presidente Carter distanciou-se dele publicamente, o ditador continuou a receber 50% de toda a assistência militar que os EUA para a África Subsaariana. Quando o Congresso votou para cortar tal ajuda, Carter e os empresários interessados lutaram para restaurá-la. Apenas na década de 1990, os EUA passaram a abandonar seu antigo fantoche e Mobutu foi deposto por outro golpe em 1997, liderado por Laurent Kabila.
Uma enorme sofrimento humano poderia ter sido evitado, e problemas globais resolvidos, se os EUA estivessem genuinamente comprometidos com a defesa dos direitos humanos e o cumprimento da lei – diferente do que fazem, aplicando, de maneira cínica e oportunista, tais princípios a seus inimigos e, nunca, a seus aliados e a si próprios.

sexta-feira, 21 de março de 2014

O VÔO DO MOSCARDO


quarta-feira, 19 de março de 2014

ANTÓNIO LOBO ANTUNES- OS PORTUGUESES SÃO UNS INGRATOS!



 
 
 
 


Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a
vida.

Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda
compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento.

Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos
logo os governos.

Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós,
a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.

Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estoico
silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o
senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da
miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo
ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à
caridade.

O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da
bondade as vezes é hereditário, dúzias deles.

Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos,
reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns
Cristos, que pecado feio, a ingratidão.

O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor
Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura
maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o
nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em
tribunal.
Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de
respeito.


Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto,
com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver:
- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo
que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa
interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores,
que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro,
espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a
bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no
coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores,
aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.

As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem,
penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de
enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas,
ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas
passaremos semdificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos
abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência
deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à
sua frente  indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.
Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia.
Para a Batalha.






Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de
pacotilha com que os livros de História nos enganaram. Que o Dia de Camões
passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja
espírito de medida, haja respeito.
Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de
perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha
contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como
provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda
perseguição pessoal com fins inconfessáveis.

Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de
onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair.

Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era
um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de
Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com
as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar.

Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis
mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.

Agradeçam a Linha Branca.

Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.

Abaixo o Bem-Estar.
Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o
peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas
generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de
cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas
podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das
mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.
Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e
vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos.

Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e,
enquanto vender o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a
Academia Francesa.
Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os
ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar?

O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não
haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda
sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os
processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de
prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos
uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação,
felizes.

António Lobo Antunes



 
 

terça-feira, 18 de março de 2014

DIA MUNDIAL DA POESIA - CULSETE-SETÚBAL

Caríssima/caríssimo,
Na próxima sexta-feira, dia 21 de março, Dia Mundial da Poesia, às 21:30 horas, a Culsete vai realizar no seu espaço o lançamento do livro coletivo Poemas para Manuel Medeiros. A sessão que assumirá a forma de tertúlia, será dirigida por Hélder Moura Pereira e José Teófilo Duarte, os mentores desta homenagem, e contará com a participação de outros poetas presentes no livro, como António Oliveira e Castro, Arlindo Mota, Artur Goulart e Fernando Gandra.
Apareça. Traga os seus amigos e venha ouvir ler e ler poemas para Manuel Medeiros.
 
F.R.M.
 


AJUDE A PROCURAR O AVIÃO DA AIR MALÁSIA, DESAPARECIDO.

AJUDE A PROCURAR O AVIÃO DA AIR MALÁSIA, DESAPARECIDO, ATRAVÉS DE IMAGENS DE SATÉLITE:

ALMOFADA DE PEDRA

Almofada de pedra
 
por VIRIATO SOROMENHO MARQUES
Como é que designaríamos o comportamento de um cidadão que, incapaz de honrar um crédito pessoal a uma taxa de 3,35%, prestes a atingir a maturidade, contraísse um novo empréstimo a uma taxa de 5,11% para pagar o primeiro ("troca de dívida")? Sem dúvida, tratar-se-ia de um comportamento pouco recomendável. E como seria classificado esse comportamento se o cidadão em causa utilizasse parte do novo empréstimo (de 11-02-2014) para antecipar, parcialmente, o pagamento em 19,5 meses do primeiro empréstimo, pagando 102,89 euros por cada 100 euros de dívida ("recompra")? Seria, certamente, uma atitude temerária, pois aumenta a despesa com juros para apenas empurrar a dívida para o futuro. Pois é isso que o Governo pretende fazer hoje. O leitor pode ir ao site eletrónico do IGCP. Abra o boletim mensal de fevereiro sobre "Dívida Pública". Na p. 2, vê que o Estado vai ter de resolver até 2016 cerca de 39 mil milhões de euros de empréstimos. Esse imenso obstáculo tem sido o pretexto para a constituição de uma volumosa "almofada" financeira. Tudo indica que o IGCP quer recomprar, hoje, uma parte de uma série de dívida a dez anos, contraída a partir de outubro de 2005 (ver p. 3). Se o fizer, às taxas mais recentes no mercado secundário, isso significa que, para o montante que for hoje amortizado, vamos pagar mais 3,53% de juros por ano até outubro de 2015 do que antes das duas operações financeiras supracitadas. Será isto uma gestão prudente, ditada pelo interesse nacional, ou estará o Tesouro público em risco para alimentar uma ilusão pré-eleitoral de triunfo? Será esta uma almofada que alivia o País, ou uma pedra amarrada às pernas que o atira para o fundo? Temos direito a saber a lógica com que se joga o dinheiro sonegado aos salários e às pensões. Direito a uma explicação, ou a uma beliscadela que nos acorde deste pesadelo.
 
                ESTAMOS  ENTREGUES  AOS  BICHOS!!!
 

MANIFESTO DOS 70 E O ÓDIO DE MORTE DOS YUPPIES AOS "VELHOS"


A RAIVA QUE O MANIFESTO DOS 70 PROVOCOU - por PACHECO PEREIRA

15 de Março de 2014 às 12:23
É difícil imaginar tanta raiva, tanta vontade de calar, tanto desejo de pura exterminação do outro, como aquele que se abateu sobre o manifesto dos 70 signatários a pretexto da reestruturação da dívida, uma posição expressa em termos prudentes e moderados por um vasto grupo de pessoas qualificadas, quase todas também prudentes e moderadas.
Nem isso poupou os seus signatários a uma série de insultos, acusações ad hominem, insinuações e o que mais adiante se verá. Sobre eles caiu a excomunhão que retira os seus nomes do círculo de ferro da confiança do poder.
Pelo contrário, alguns dos que os atacam ganharam o direito de lá entrar, e os que já estão lá dentro viram reforçada a confiança que lhes permite uma vida almofadada dos custos da crise. São os “responsáveis”, discordam às vezes no secundário, mas portam-se bem. Os 70, pelo contrário, portaram-se muito mal. Num mundo cada vez mais dos “nossos” e dos “deles”, bastante parecido com o paradigma marxista da luta de classes, os signatários cometeram vários pecados mortais, e ficaram do “lado errado”. É com eles que estou e é com eles que quero estar, não tendo assinado o manifesto apenas por incúria minha em responder a tempo ao convite que me foi feito. Mas é como se o tivesse assinado, por isso incluam-me na lista dos insultos, que já estou habituado.


 Veio ao de cima tudo, a começar pelo primeiro-ministro, que os tratou de essa “gente”, ou porque tinham uma “agenda política” ou porque eram “cépticos” por natureza, inúteis para o glorioso esforço nacional de empobrecer como programa de vida. O manifesto era “antipatriótico”, com um timing inaceitável, a dois meses da “libertação” de 1640, feito pelos “culpados” do esbanjamento, pelos “velhos” a defenderem os seus privilégios, pelos defensores do statu quo dos interesses instalados, pelos “jarretas”, pela “geração errada”. O seu objectivo escondido, ao assinarem o manifesto, é outro, é “manter o modelo de negócio que temos, o Estado que temos, e atirar a dívida para trás das costas”, escreve António Costa em editorial do Diário Económico. José Gomes Ferreira é mais claro: “Estará a vossa iniciativa relacionada com alguns cortes nas vossas generosas pensões?”
Os argumentos ad hominem abundam. Alguns dos signatários que são de direita, um bom exemplo é Adriano Moreira, passaram a ter que ser de esquerda, o que é um modo muito interessante de lhes recusar a identidade, esvaziá-los do que foram toda a vida, para substituir essa identidade por aquilo que é, na sua pena, um anátema: “Já cá faltava um manifesto, de espectro partidário amplo, mas com uma ideologia única, de Esquerda”, diz, de novo, um editorial de António Costa no Diário Económico.
Cada vez mais se generaliza em Portugal a idade como insulto, diminuição, culpa, e todos são “velhos” por associação. Falta-lhes a desenvoltura dos “jovens”. José Gomes Ferreira pergunta: “Que tal deixarem para a geração seguinte a tarefa de resolver os problemas gravíssimos que vocês lhes deixaram? É que as vossas propostas já não resolvem, só agravam os problemas. Que tal darem lugar aos mais novos?” De facto, troquem Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Vítor Martins, Sevinate Pinto, o presidente da CIP, Capucho, Sampaio da Nóvoa, Braga da Cruz, Gomes Canotilho, Manuel Porto, Teresa Beleza, e tantos outros, pelos “mais novos”, Relvas, Arnault, Marco António, Passos, pelos yuppies das consultoras financeiras que antes vendiam os swaps, e agora iam negociá-los para o Governo, pelos jovens lobos dos escritórios de advogados que fazem todos os negócios do Estado e vice-versa, sob a batuta de alguns velhos “que estão lá sempre”, pelo jovem que era para ser propagandista do Impulso Jovem, pelos gestores desempoeirados que usam o Twitter todas as horas e que circulam de cargos políticos para a Caixa, para a RTP, para Angola, dos ministérios para as empresas do PSI-20, ou aqueles que os chineses empregam para manter um link, útil, mesmo que caro. Manuela Ferreira Leite é “velha”, Catroga é novo. “Que tal darem lugar aos mais novos?”
Nos comentários dos blogues pró-governamentais, ou seja, no fim da cadeia alimentar, espuma-se de ódio junto com erros de ortografia, alguns dos quais eu corrijo para se perceber, outros ficaram: “Este tipo de "notáveis" (…) sinceramente mentem nojo. Concordo em pleno com o nosso primeiro-ministro com o facto de hoje em dia já nem sequer consegue responder a este tipo de escumalha que hoje em dia aparece na comunicação social, parlamento em fim....por todo lado”; “foi uma ideia idiota que passou pela cabeça de alguns”; “infelizmente estamos já habituados a que figuras da direita se mudem para a ideologia da esquerda irresponsável vá-se lá saber a troco de quê, ou talvez fácilmente se saiba...(…) São gente golpista, que facilmente vende a alma e a dignidade.” E estes são alguns comentários reproduzíveis, a maioria é puro insulto soez.


 A imprensa económica teve nesta fronda contra o manifesto um papel central, enfileirou editoriais furiosos e notícias com títulos críticos sobre como o manifesto de nada valia e como felizmente ninguém ouvia estes “irresponsáveis”, repetindo os argumentos do antipatriotismo, do “timingerrado” que sairia “caro” ao país, caso alguém “ligasse” ao manifesto, que deitaria abaixo o adquirido pelos “sacrifícios” dos portugueses, como disse o primeiro-ministro e eles glosam. José Gomes Ferreira vai mais longe – se as coisas correrem mal, a culpa é vossa: “Mesmo sendo uma proposta feita por cidadãos livres e independentes, pela sua projecção social poderá ter impacto externo e levar a uma degradação da percepção dos investidores, pela qual vos devemos responsabilizar desde já. Se isso acontecer, digo-vos que como cidadão contribuinte vou exigir publicamente que reparem o dano causado ao Estado.” A mensagem essencial é “saiam da frente”, a mesma que está na capa e no título de um livro de Camilo Lourenço, que achava bem que houvesse um novo resgate porque isso “disciplinaria” os preguiçosos dos portugueses.
O que é que tocou esta corda hipersensível de governantes, jornalistas da imprensa económica, homens da banca, alguns empresários e os seus agentes na ideologia “orgânica” do “ajustamento”? Primeiro, voltar ao bom senso e deixar os revolucionarismos de “mudar Portugal”, mostrar que há uma política alternativa, que pode ser difícil, mas é muito mais realista do que a política actual, ou seja, que há alternativas. E, pelo caminho, revelar a grande hipocrisia em que assenta a política governamental, e em nome da qual os portugueses têm vindo a ter a vida estragada: é que para se pagar a dívida, tem que haver folga para o crescimento económico e qualquer outra solução é pura e simplesmente irrealista. A questão é que daqui a uns anos, quando tudo isto desabar, nenhum destes corifeus políticos dos “mercados” vai estar por cá, mas a sua herança estará.
Segundo, que essa alternativa implica uma nova forma de estar na Europa, ou seja, responsabiliza-nos pela acção e não pela submissão. É como num velho ditado gaullista sobre os comunistas: “Só fazem aquilo que lhes permitimos que façam”. E como nós permitimos tudo, fazem tudo. Na Europa é-se mais realista, incluindo nos “mercados”, do que se pensa e seja porque nós actuamos, ou seja a reboque do que pode acontecer na França, Itália ou Espanha, a política vai mudar. Só que, quando mais tarde Portugal o reclamar como membro de parte inteira da União, mais estragado estará o país, maior será o preço.
Terceiro, o manifesto revela que o único consenso transversal existente hoje na vida pública portuguesa, é exactamente aquele que põe em causa a actual política do Governo e dos seus apoiantes. O outro “consenso” assenta num rotativismo entre PS e PSD, obrigados a um pacto que impõe uma política “única” e a aceitação e institucionalização de um colaboracionismo face a uma Europa que pode aceitar “manter-nos”, mas com rédea curta e disciplinados. É apenas a blindagem da actual política em eleições, para que, quer se vote no PSD ou no PS, tudo continue na mesma. Esse seria um enorme risco para a democracia.
Este surto de raiva, com laivos claramente censórios, não me surpreende. Estava à espera dele, na sua magnitude e violência. E não vai acabar, vai-se tornar endémico. Ele é o efeito a curto prazo de uma política que se assume para vinte ou trinta anos de empobrecimento, centrados num único eixo: pagar aos credores, obedecer aos mercados. Essa política não pode ser conduzida em democracia, só pode existir com base num regime autoritário.
(No PÚBLICO de 15 de Março de 2014. José Pacheco Pereira é historiador)

ABRA OS OLHOS E COMBATA O GOVERNO!


Sabias que…

ABRA OS OLHOS E COMBATA ESTE GOVERNO


- 76% dos prejuízos das empresas de transportes públicos deve-se ao pagamento de juros aos bancos?

- Dois terços dos passageiros da Carris têm mais de 65 anos?

- O total de juros pagos pelas empresas é 153% o valor dos salários?

- A CP e o Metro pagam mais em juros do que em salários, incluindo encargos com a Segurança Social?

- Despediram-se 37% dos trabalhadores entre 2001 e 2011?

- O Metro Sul do Tejo (privado) recebe 4 vezes mais indemnizações por cada passageiro do que o Metro de Lisboa (público)?

- A Fertagus (comboios privados) recebe 1,5 vezes mais indemnizações do que a CP?

- Que não há nenhuma empresa de transportes públicos na Europa que dê lucro?

- Até nos EUA a empresas de transporte ferroviário é pública?

- Foram eliminados 900 km de linhas ferroviárias desde 1988 e estão em curso planos para acabar com mais 430 km?

- Em 1988 realizaram-se 231 milhões de viagens de comboio em Portugal e em 2011 apenas 128 milhões?

- Portugal vais gastar 42.395.604.000 euros (42,4 mil milhões de euros) em 16 PPP de estradas até 2050, 2,5 vezes o total da dívida das empresas de transportes públicos acumulada ao longo de décadas?

- O transporte público tem efeitos positivos no ambiente, na saúde, na mobilidade, na poluição sonora e no trânsito?

- O secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações foi assessor da Mota-Engil no polémico caso do Terminal de Contentores de Alcântara, contra o Estado?

 




A NÃO VIOLÊNCIA DE GANDHI... SERÁ QUE ISSO HOJE RESULTA?



~



CONTA-SE AINDA QUE
Quando Gandhi estudava Direito no Colégio Universitário de Londres, um professor de apelido Peters tinha-lhe aversão, mas o estudante nunca baixou a cabeça perante as frequentes provocações.
Um dia o Professor Peters estava a almoçar na sala de refeições da Universidade e o aluno vem com a bandeja e senta-se ao lado do professor.

  O Professor, altivo, diz
- "Sr. Gandhi você não entende ... Um porco e um pássaro, não se sentam
juntos para comer."

  Ao que Gandhi respondeu:
- "Fique o professor tranquilo ... Eu vou voando", e mudou-se pra outra mesa

Mr. Peters ficou cheio de raiva e decidiu vingar-se no teste seguinte, mas o
aluno respondeu de forma brilhante a cada pergunta. Então o professor fez
mais uma pergunta:

- "Mr. Gandhi, você está a andar na rua e encontra um saco, dentro dele está
a sabedoria e uma grande quantidade de dinheiro, qual dos dois tira?"

Gandhi responde sem hesitar: - "É claro professor que tiro o dinheiro!"

O professor Peters sorrindo diz: - "Eu, ao contrário, tinha agarrado a
sabedoria, você não acha?"

- "Cada um tira o que não tem, responde o aluno "

O professor Peters, fica histérico e escreve na folha do teste: Idiota!

E o jovem Gandhi recebe a folha e lê atentamente.

Depois de ler, dirige-se ao professor e diz:
- "Mr. Peters, reparo que assinou a minha folha, mas não colocou a nota".

É preciso saber reagir com serenidade e perspicácia às ofensas que se recebe?
 

sexta-feira, 14 de março de 2014

AVIÃO COM PISO DE VIDRO...É PRECISO CORAGEM PARA VIAJAR AQUI.

Virgin Airlines diz que Airbus A320 adaptado entrará em operação em breve.

A tripulação será treinada a acudir quem tiver crises de pânico.


  
O piso é feito de vidro especial para aviação ( foto: divulgação )
Se você tem medo de altura, fique longe disso: a companhia aérea Virgin Airlines anunciou a criação do primeiro avião do mundo com piso de vidro. A invenção, mantida em segredo até hoje, quer garantir aos passageiros
“uma experiência de voo sem paralelos, e também uma seleção de paisagens de tirar o fôlego que podem ser vistas do conforto de seus assentos”.

O projeto foi criado pelo departamento de inovação da companhia e deve entrar em operação em breve.
O avião é idêntico ao Airbus A320 padrão já usado em linhas domésticas na Grã-bretanha - a diferença é uma faixa de vidro na parte de baixo. O material utilizado é o vidro padrão usado na aviação.
O avião também tem outra diferença: a tripulação será especialmente treinada para acudir passageiros que eventualmente tenham crises de pânico.
 
Veja mais fotos do avião:
 

  

 

HUMOR EM TEMPO DE CRISE


quarta-feira, 12 de março de 2014

NINGUÉM CALA MARINHO PINTO - O PREÇO DA DEMOCRACIA PORTUGUESA

)

ADOLFO MARIA-NOVO LIVRO: ANGOLA SONHO E PESADELO (19-03-1014, ÀS 18HORAS, NA AVENIDA DO CAMPO GRANDE 380-b, LISBOA)






19/03/2014
ANGOLA – SONHO E PESADELO

LANÇAMENTO: dia 19 de Março (4.ª feira), às 18h00, no Auditório “Armando Guebuza” (Univ. Lusófona, Lisboa). Apresentação: Dr.ª Francisca Van Dunem

Por iniciativa conjunta das Edições Colibri e do Departamento de Ciência Política, Segurança e Relações Internacionais da Universidade Lusófona convidamos V.ª Ex.ª para a sessão de apresentação do livro

ANGOLA
SONHO E PESADELO
da autoria de Adolfo Maria


apresentação
Dr.ª Francisca Van Dunem

dia 19 de Março (4.ª feira), às 18h00
Auditório “Armando Guebuza”
Av. do Campo Grande 380-B, Lisboa


   

segunda-feira, 10 de março de 2014

UM QUEBRA-CABEÇAS


Um bom Quebra Cabeças.

Se você consegue armar, tchau Alzheimer...
É muito interessante e relaxante!

Click aqui >>>>>>>:  http://www.brl.ntt.co.jp/people/hara/fly.swf






A LETRA P NA LÍNGUA PORTUGUESA

 A letra P no português.










A língua portuguesa, junto com a francesa, são as ÚNICAS línguas
neolatinas na face da Terra que são completas em todos os sentidos...
quem fala português ou francês de nascimento, é capaz de fazer proezas
como esse texto com a letra "P"... Só o português e o francês permitem
isto...

Pedro Paulo Pereira Pinto,
pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu
para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba,
pintou prateleiras para poder progredir.

Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para
Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres.
Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém
posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.
Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir
permissão para Papai para permanecer praticando pinturas, preferindo,
portanto, Paris. Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois
pretendia pintá-los.

Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos,
preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam
precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas
picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente
pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente,
possantes potrancas. Pisando Paris, permissão para pintar palácios
pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza,
precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos,
preferindo Pedro Paulo precaver-se.
Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando,
porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos
pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal.
Povo previdente! Pensava Pedro Paulo... Preciso partir para Portugal
porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos
portugueses. Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo.

Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir.
Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio
partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois
precisava pedir
permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas.
Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo
permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o
pelo pescoço proferiu: Pediste permissão para praticar pintura, porém,
praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia.
Porque pintas porcarias? Papai proferiu Pedro Paulo, pinto porque
permitiste, porém, preferindo, poderei procurar profissão própria para
poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.

Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos
pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para
praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram
pescar para poderem prosseguir peregrinando.
Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram
pacus, piaparas, pirarucus. Partindo pela picada
próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles
primeiro.
Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo
próximo, pedreiro profissional perfeito.

Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para
Péricles profissionalizar Pedro Paulo. Primeiramente Pedro Paulo pegava
pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava
pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar
prédios. Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas
paredes pintadas. Pobre Pedro Paulo pereceu pintando...

Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para
pensar... Para parar preciso pensar. Pensei. Portanto, pronto pararei.


E você ainda se acha o máximo quando consegue dizer:
'O Rato Roeu a Rica Roupa do Rei de Roma.'?




ATÉ OS CÃES....


O SONHO DO PRIMEIRO-MINISTRO PASSOS COELHO

O sonho de Pedro Passos Coelho
 Um terço é para morrer. 
Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa, se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo.
E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis.
Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre.
Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor.
É por isso que nós não os vamos matar.
Eles é que vão morrendo.
Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos.
E as estatísticas já mostram isso.
O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho.
Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar.
Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde?
Eles lá sabem.
Por isso, joga tudo a nosso favor.
A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência.
Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos.
A natureza faz o resto.
O Paulo Macedo também faz o que pode.
Não é genocídio, é estatística.
Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo.
Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas.
E as escolhas implicam sempre sacrifícios.
Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza.
Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.

 
Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim.
Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.

 
1 _ Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma.
Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade.
Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos.
Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos.
O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento?
Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta.
Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro.
E os deficientes.
Não são todos.
Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade.
Não era justo.
E temos de promover a justiça social.

 
2 _ O outro terço temos de os pôr com dono.
É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca-vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar.
Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente.
Não digo voltar à escravatura, é outro papão de que não se pode falar, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura.
Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam.
A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam, ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós.
O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira.
Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários.
Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda.
Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua.
E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.

 
3 _ O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo.
Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável, tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier, que para eles poderem viver com conforto.
Não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI, e que para pagar a saúde deles, não podemos pagar a saúde dos pobres.

 
_ Um terço da população exterminada.
_ Um terço anestesiado.
_ Um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável.
 
A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável.
E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia.
Não vou ficar em Massamá a vida toda.
O Ângelo diz que, se continuarmos a portarmo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."»

 
José Vítor Malheiros
 
)

HUMOR EM TEMPO DE CRISE





O MISTÉRIO DOS SAPATOS APERTADOS
Um homem usava todos os dias uns sapatos 2 números abaixo. Passava o dia inteiro a trabalhar com esses sapatos calçados, extremamente desconfortáveis, notava-se perfeitamente o sacrifício que ele fazia para aguentar as dores nos pés. Quando um colega lhe perguntou a razão de ele andar sempre com esses sapatos, o homem explicou:
- Não ganho dinheiro quase nenhum, tenho sempre fome, não tenho carro, a minha casa está a cair aos bocados, a minha mulher tem bigode e é feia como um bode … O único prazer que tenho na vida é chegar a casa e tirar os sapatos …

DEPUTADO DO CDS, UM NOVO RELVAS - E SÃO TIPOS DESTES QUE NOS GOVERNAM

JOVEM DEPUTADO DO CDS, COM O 12º ANO, ACHA QUE OS PROFESSORES DEVEM SER TESTADOS.
E OS DEPUTADOS ? NÃO ?
E QUE OS JOVENS DEVIAM TRABALHAR SEM SEGURANÇA SOCIAL.
PORTAS HÁ TEMPOS EXPLICOU O QUE É A POLITICA EM PORTUGAL :
«OS POLÍTICOS NÃO PRECISAM DE MÉRITO, ATÉ SÃO MUITO MEDÍOCRES, MAS NÃO SABEM FAZER MAIS NADA NA VIDA,
PRECISAM DA POLITICA PARA SUBIR NA VIDA.»
 
EIS UM EXEMPLO VIVO... da mediocridade que sobe e sobe na vida :
O deputado do CDS-PP, Michael Seufert, da Comissão de Educação, Ciência e Cultura,
 "Foi considerado um dos 10 portugueses da área política mais influentes no Twitter em 2012..."
E isso é mais importante que qualquer currículo profissional, formação académica ou qualquer ideologia.
Na politica procuram-se pessoas medíocres mas populares, pessoas desonestas mas populares.
É isso que traz votos.

O deputado do CDS Michael Seufert, estudante, defende que os contractos para jovens que procuram o primeiro emprego deviam ser
"mais flexíveis" e "isentos de contribuições para a Segurança Social".
Para este deputado, as empresas conseguiriam assim cortar 30% nos custos com o trabalhador, se os jovens ficarem fora da Segurança Social.
Com 29 anos, é representante desta república. É gente desta, a quem pagamos elevados vencimentos, que nos governa .
São estes parasitas que passaram o tempo nas universidade privadas em festas e a embebedar-se que agora nos representam.
 É também este rapazola , com o 12º ano, que tem a lata de vir defender exames para os professores...
 
Pasme-se perante as suas habilitações:
·         Nome : Michael Lothar Mendes Seufert
·         Data de Nascimento: 1983-04-15
·         Habilitações Literárias: Ensino Secundário.
·          Frequência de Licenciatura em Engenharia Electrotécnica e de Computadores
 ·         Profissão: Estudante
·         Comissões Parlamentares a que pertence:
Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública [Suplente]
Comissão de Educação, Ciência e Cultura [Coordenador GP]
Grupo de Trabalho - Parlamento dos Jovens
Grupo de Trabalho - Regime Jurídico da Partilha de Dados Informáticos
CURRÍCULO PROFISSIONAL:
1.       Guia Turístico (Sandeman & Cia, Sogrape Vinhos SA), 
2.      1999-2009 Deputado à Assembleia de Freguesia de Campanhã (Porto), 
3.      2005-2009 Deputado à Assembleia de Freguesia de Nevogilde (Porto), 
4.      2009-2013 Presidente da Juventude Popular, 2009-2011.
É o maravilhoso mundo da auto-formação.   Um Relvas, que nem se preocupou em disfarçar.
  Aos 47 anos este personagem aparecerá licenciado e doutorado por equivalência. Mas as coisas serão feitas com mais cuidado, pois eles ao longo dos anos aprimoram os seus esquemas. Lá está, aprendem depressa, e assim roubam cada vez mais e melhor, enganam e mentem mais e melhor.         É essa a sua vocação e formação.
Já existe uma petição para o demitir. "Demissão do deputado Michael Lothar Mendes Seufert por falta de qualificações para desempenhar as tarefas que lhe foram atribuídas."
Claro que não vai adiantar nada porque quem valida as petições são os deputados, mas o povo ilude-se a brincar à democracia.
Pequena divagação
É sabido que tudo cujo lucro dependa dos gostos do público, tem que se enquadrar e adaptar a esse público.
É assim com os carros, os conteúdos da TV, das revistas, filmes , etc..
É assim também com a política.
Se o nível dos políticos é cada vez mais baixo, mais rasca, mais desonesto, mais incompetente, menos bem formado... é porque os estudos de aceitação popular, os estudos que ensinam como manipular as massas, mostraram que é disso que o povo gosta e o povo quer.
O produto é feito à medida do cliente alvo.
Os políticos possuem regimentos de psicólogos, markteers, especialistas em várias áreas que trabalham em torno da imagem, aperfeiçoam a manipulação, demagogia, etc. Que estudam passo a passo a popularidade de cada membro.    Qual o mais popular?
Em que momento do discurso o público aplaudiu, delirou ou desgostou. Para saberem o que as pessoas gostam de ouvir e o que não gostam. Tudo é estudado e acautelado, afinal trata-se de um negócio muito lucrativo e que interessa a muitos. Não esquecer que em Portugal é a forma mais rápida e efectiva de se tornar milionário e permanecer milionário, sem mérito, sem esforço e sem a justiça a atrapalhar, com o bónus de ainda se tornar uma vedeta.
Os mafiosos que realmente têm poder nos partidos, já não são os que darão a cara pelo partido, pois muitos jamais teriam hipóteses de ganhar eleições. As vedetas são escolhidas a dedo em testes de popularidade ; o que melhor enganar o povo, manipular as massas, cativar inocentes, será o que terá lugar de destaque no partido e na governação.
Esta situação tem vindo a agravar-se, desde que os partidos perceberam que é dos sacanas que elas gostam mais.
As pessoas estranham que tenhamos corruptos a governar o país. Um politico competente honesto bem formado, mas tímido, ou gago ou feio jamais chegará a governar-nos.
Gostam é do mais popular e mais bandido.     Dêem-lhe então  o bandido, ora essa.      Já no tempo da escola era assim.