quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO, A MULHER QUE PÔS OS REPUBLICANOS NA ORDEM


A MULHER QUE PÔS OS REPUBLICANOS NA ORDEM!
O novo hospital de Loures tem o nome de Beatriz Ângelo. Mas quem foi esta mulher?
Foi, (juntamente com Adelaide Cabede) a primeira médica portuguesa. Mas não só.
Sem direito a qualquer referência, passou em 2011 um século sobre a data em que a primeira mulher portuguesa exerceu o direito de voto. A primeira em Portugal e na Europa. No resto do mundo debatiam-se as Sufragistas e só já votavam as mulheres da Nova Zelândia.. Essa mulher foi Carolina Beatriz Ângelo. Depois de ter metido a Comissão de Eleições, da então jovem República Portuguesa, em Tribunal.
Fora-lhe negado o direito ao recenseamento eleitoral por ser mulher. Beatriz Ângelo meteu a questão em Tribunal. Por sinal, o juiz, pai da activista republicana Ana de Castro Osório, deu-lhe razão.
A lei dizia: "Podem votar os cidadãos portugueses, maiores, pais de família, que saibam ler e escrever." Beatriz Ângelo respondia a todos estes requisitos, pois era viúva e tinha a filha a seu cargo. Os machistas republicanos tiveram de ceder. Vexados, modificaram o artigo, que passou a ser : "Podem votar os cidadãos portugueses do sexo masculino...."
As mulheres deixaram de votar. Um retrocesso de décadas, até que o Estado Novo permitiu o voto a mulheres que tivessem propriedades e identidade fiscal.
Só com o 25 de Abril as mulheres vieram a ter pleno direito ao sufrágio em Portugal.
MJ

Biografia

Frequentou até ao Liceu em sua terra natal, Guarda [3]. Posteriormente ingressou nas Escolas Politécnica e Médico-Cirúrgica em Lisboa, onde concluiu o curso de Medicina em 1902 .

Sufragista, destacou-se como militante da Liga Republicana das Mulheres, fundadora e presidente da Associação de Propaganda Feminista .

O fato de ser viúva permitiu-lhe invocar em tribunal o direito de ser considerada "chefe de família", tornando-se a assim primeira a votar no país, nas eleições constituintes, a 28 de maio de 1911. Por forma a evitar que tal exemplo pudesse ser repetido, a lei foi alterada no ano seguinte, com a especificação de que apenas os chefes de família do sexo masculino poderiam votar.

Cirurgiã e activista dos direitos femininos, Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher a votar em Portugal. Estava-se em 1911, a República acabara de ser implantada em Outubro de 1910, e Carolina «torceu» a seu favor um dos «buracos» da lei ou, se se quiser, da língua portuguesa .

Carolina Beatriz Ângelo nasceu na Guarda em 1877, onde fez os estudos primários e secundários. Em Lisboa, estudou medicina, concluindo o curso em 1902. Nesse mesmo ano, casou-se com Januário Barreto, seu primo e activista republicano. Tornou-se a primeira médica portuguesa a operar no Hospital de São José, dedicando-se mais tarde à especialidade de ginecologia.

A militância cívica iniciou-a em 1906, em conjunto com outras médicas, vindo a aderir a movimentos femininos a favor da paz e da implantação da República e à Maçonaria e tornando-se defensora dos direitos das mulheres, nomeadamente o de votar. Por toda a Europa, e não só, havia anos que as sufragistas reivindicavam ruidosamente este direito para as mulheres e a Nova Zelândia tinha-se tornado o primeiro país a concedê-lo em 1893.

A primeira lei eleitoral da República Portuguesa reconhecia o direito de votar aos «cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família».

Carolina Ângelo viu nesta redacção da lei a oportunidade de a subverter a seu favor, dado que, gramaticalmente, o plural masculino das palavras inclui o masculino e o feminino. Viúva e com uma filha menor a cargo, com mais de 21 anos e instruída, dirigiu ao presidente da comissão recenseadora do 2º bairro de Lisboa um requerimento no sentido de o seu nome «ser incluído no novo recenseamento eleitoral a que tem de proceder-se».

A pretensão foi indeferida pela comissão recenseadora, o que a levou a apresentar recurso em tribunal, argumentando que a lei não excluía expressamente as mulheres. A 28 de Abril de 1911, o juiz João Baptista de Castro proferia a sentença que ficaria para a História: «Excluir a mulher (…) só por ser mulher (…) é simplesmente absurdo e iníquo e em oposição com as próprias ideias da democracia e justiça proclamadas pelo partido republicano. (…) Onde a lei não distingue, não pode o julgador distinguir (…) e mando que a reclamante seja incluída no recenseamento eleitoral».

Assim, a 28 de Maio de 1911, nas eleições para a Assembleia Constituinte, Carolina Beatriz Ângelo tornou-se a primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto. Não sem um pequeno incidente, que a mesma relatou ao jornal A Capital: «No final da primeira chamada, o presidente da assembleia [de voto], Sr. Constâncio de Oliveira, consultou a mesa sobre se deveria ou não aceitar o meu voto, consulta na verdade extravagante, porquanto, estando recenseada em virtude duma sentença judicial, a mesma não tinha competência para se intrometer no assunto».

O seu gesto teria como consequência imediata um retrocesso na lei: o Código Eleitoral de 1913 determinava que «são eleitores de cargos legislativos os cidadãos portugueses do sexo masculino maiores de 21 anos ou que completem essa idade até ao termo das operações de recenseamento, que estejam no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos, saibam ler e escrever português, residam no território da República Portuguesa».

As mulheres portuguesas teriam de esperar por Salazar e pelo ano de 1931 para lhes ser concedido o direito de voto e, ainda assim, com restrições: apenas podiam votar as que tivessem cursos secundários ou superiores, enquanto para os homens continuava a bastar saber ler e escrever.

A lei eleitoral de Maio de 1946 alargou o direito de voto aos homens que, sendo analfabetos, pagassem ao Estado pelo menos 100 escudos de impostos e às mulheres chefes de família e às casadas que, sabendo ler e escrever, tivessem bens próprios e pagassem pelo menos 200 escudos de contribuição predial…

Em Dezembro de 1968 foi reconhecido o direito de voto político às mulheres, mas as Juntas de Freguesia continuaram a ser eleitas apenas pelos chefes de família. Só em 1974, já depois do 25 de Abril, seriam abolidas todas as restrições à capacidade eleitoral dos cidadãos tendo por base o género.

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A ver se é disto que precisamos, ou se ainda falta cuspir-nos na cara? Não percebo como o povo ainda é sereno e passivo.

Tudo o que precisa de saber para fazer crescer o seu salário

Aprenda com quem sabe. Argumento para aumentar o seu salário:

Eduardo Catroga vai ter um ordenado de 45 mil euros por mês na EDP, que acumulará com uma pensão de mais de 9600 euros. Questionado se o ímpeto com que se atirou ao pote não é exagerado, o responsável do programa eleitoral do PSD, que também negociou com a troika a privatização da EDP, justificou-se assim:
"Quanto mais ganhar, maior é a receita do Estado com o pagamento dos meus impostos, e isso tem um efeito redistributivo para as políticas sociais".
Caro leitor, exija um aumento imediato de ordenado, sabendo que, ao fazê-lo, está a contribuir para o financiamento das políticas sociais.

ATÉ QUANDO NOS VAIS CONTINUAR A FALTAR ....?

JOSE DO TELHADO - ROUBAR AOS RICOS PARA DISTRIBUIR PELOS POBRES


José do Telhado

O Robin dos Bosques Português? Vida e Aventura


Editor: Plátano Editora

ISBN: 9789727701667
Esta obra sobre o mais célebre salteador português surge após anos de pesquisa, consultando documentos no Arquivo Distrital do Porto, no Tribunal da Relação do Porto e na Biblioteca Nacional. O Autor deslocou-se recentemente, por várias vezes, ao local dos acontecimentos, na região dos vales do Tâmega e Sousa: Amarante, Marco, Penafiel, Lousada, Felgueiras e Paredes. O José do Telhado fez muitos assaltos, mas também ajudava muita gente pobre e era por vezes protegido mesmo por casas ricas. Tudo isto, que se situa num campo social e revelador da pobreza existente, incomodava muito os governantes e os grandes senhores. Para todos os leitores, é interessante verificar como o José do Telhado organizou a sua quadrilha e como executou cada assalto. Finalmente, foi julgado, mas o processo do julgamento desapareceu quase logo a seguir, o que criou grandes suspeitas quanto ao modo como esse julgamento se fez. Em Malange, Angola, onde se encontrava degredado, foi negociante de borracha, cera e sobretudo marfim, tendo mesmo servido de elo de ligação entre as autoridades portuguesas e os sobas negros. Quando faleceu, os negros construíram uma espécie de mausoléu na sua sepultura e, muitos anos depois, ainda lhe faziam romagens de veneração tal foi a sua fama de homem severo mas bondoso e sempre pronto a ajudar os mais necessitados. O livro inclui muitas fotografias, algumas inéditas, desde fotografias antigas da época, e outras actuais, além de certidões de nascimento e casamento.
José do Telhado de José Manuel Castro Pinto

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

RESPEITE OS IDOSOS

COMPANHIAS DE SEGUROS


Identificação de Seguros (pela matrícula de um carro)

Este endereço é para guardar.
Através deste site podem saber qual a seguradora de qualquer veículo.
Basta inserir a matrícula.
É útil para aqueles casos em que o indivíduo bate e foge.
http://www.isp.pt/NR/exeres/019EEB91-E357-4A7C-8BD2-B62293701692.htm

ROBIN HOOD PORTUGUÊS - ROUBAR AOS POBRES PARA DAR AOS RICOS

CATROGA O PENTELHO CHINÊS


OS AVENÇADOS DA NAÇÃO


Os Avençados da Nação
por Daniel Oliveira

"Ó Manuel, a CGD nunca deu dinheiro, dava prestígio. Quem ia para administrador tinha status. Agora vocês abandalharam o banco todo! Meteram lá o Vara e o Bandeira [presidente do BPN e vice-presidente da CGD]! Abandalharam aquilo tudo! Meteram lá o aparelho que controla os movimentos de crédito da CGD. A Caixa está ao serviço de interesses!" Eduardo Catroga contou, há mais de um ano, que terão sidos estas as palavras que dirigiu a Manuel Pinho quando se falava do antigo ministro da Economia para dirigir o banco do Estado. O cavaquista Eduardo Catroga foi o autor do programa eleitoral do PSD. Um programa que era mau mas que nem sequer foi cumprido.

Paulo Teixeira Pinto é autor da proposta de revisão constitucional do PSD. Uma revisão que era escandalosa mas que nem sequer foi feita. O governo optou por violar diariamente a Constituição existente sem que o Presidente fizesse nada. Paulo Teixeira Pinto queria o fim da justa causa para despedimento subsituido-a para uma vaga "razão atendível". Saiu do BCP por razão atendível. Não precisou dela para entrar na EDP.

Celeste Cardona não diz nada há anos. Tornou-se na girl honorária do CDS. Deixa de fazer agora companhia a Nogueira Leite na Caixa Geral de Depósitos, onde chegou sem currículo e com a promessa de uma carreira promissora.

Ilídio Pinho foi patrão de Passos Coelho quando este fazia um intervalo no deserto profissional. Não preciso de dizer mais nada.

A este grupo juntam-se o antigo governador de Macau e ministro da República nos Açores, Rocha Vieira, e o antigo ministro das Finanças, Braga de Macedo, os dois vindos do tempo de Cavaco Silva.

Estas são as pessoas que o governo enfiou na EDP. Foi esta a moeda de troca para vender a parte que era nossa do monopólio energético nacional. Os acionistas escolheram pessoas próximas do poder. Porque é assim, nesta absoluta promiscuidade entre a política e as empresas, que se fazem negócios em Portugal. E depois perguntam: porque não somos competitivos? E sabem como resolver o problema: obrigar os outros a trabalhar meia hora de borla por dia.

Apenas uma diferença em relação aos governos anteriores: estes são os homens que, nos últimos anos, nos explicam que o emprego seguro tinha chegado ao fim. Que defendem a meritocracia. Que cospem no papel do Estado (aquele que se faz com transparência e regras claras, não este que vive da troca de favores e de cromos) na economia. Que olham para os portugueses como se eles fossem um meninos mimados habituados a vida fácil. Vivem num País muito especial. Nesse País, não há carreiras, não há mérito, não há a ansiedade do desemprego e da penúria. Há acumulação de mesadas. Seja no público ou no privado, vivem entre a política e os negócios para se pendurarem no trabalho dos outros. São os avençados da Nação. Recebem um rendimento máximo garantido por nos venderem a austeridade que nunca irão conhecer. Liberais de pacotilha, vivem de expedientes enquanto afundam, há décadas, as esperanças de um povo que trabalha.

RECORDAR A CRISE NA ISLÂNDIA: A PRISÃO DOS POLÍTICOS.E BANQUEIROS


RESPONSÁVEIS PELA CRISE ISLANDESA PRESOS

Aqui, sim, há democracia. Não há maçonarias a controlar a justiça e informação.
Por alguma razão há mais de um ano que não se diz nem se escreve uma palavra sobre a ISLANDIA.


RESPONSÁVEIS PELA CRISE ISLANDESA PRESOS

*Os directores de bancos islandeses que arrastaram o país para a bancarrota em finais de 2009 foram presos por ordem das autoridades, sob a acusação de conduta bancária criminosa e cumplicidade na bancarrota da Islândia.
Os dois arriscam-se a uma pena de pelo menos oito anos de cadeia, bem como à confiscação de todos os bens a favor do Estado e ao pagamento de grandes indemnizações.
A imprensa islandesa avança que estas são as primeiras de uma longa lista de detenções de responsáveis pela ruína do país, na sequência do colapso bancário e financeiro da Islândia.
Na lista de possíveis detenções nos próximos dias e semanas estão mais de 125 personalidades da antiga elite política, bancária e financeira, com destaque para o ex-ministro da Banca, o ex-ministro das Finanças, dois antigos primeiros-ministros e o ex-governador do banco central.
A hipótese de cadeia e confiscação de bens paira também sobre uma dezena de antigos deputados, cerca de 40 gestores e administradores bancários, o antigo director da Banca, os responsáveis pela direcção-geral de Crédito e vários gestores de empresas que facilitaram a fuga de fortunas para o
estrangeiro nos dias que antecederam a declaração da bancarrota.
Em Outubro de 2008, o sistema bancário islandês, cujos activos representavam o equivalente a dez vezes o Produto Interno Bruto do país, implodiu, provocando a desvalorização acentuada da moeda e uma crise económica inédita.

Em Portugal, os responsáveis pela falência do BPN, que já custou milhares de milhões aos contribuintes portugueses, continuam à solta, usufruindo da impunidade que a sua antiga qualidade de políticos, a sua filiação partidária ligada aos partidos do poder, ou o medo que o desfazer da teia de relações e cumplicidades com figuras de topo da hierarquia "democrática" possa revelar, lhes garante.

Prisões na islândia

Publicado a 17 Janeiro 2012 por Rogeriobarroso
PRISÕES NA ISLÂNDIAPRISÕES NA ISLÂNDIAIslândia triplicará o seu crescimento em 2012, após a prisão de políticos e banqueirosJaneiro de 2012
A Islândia conseguiu acabar com um governo corrupto e parasita. Puniu os responsáveis pela crise financeira, mandando-os para a prisão. Começou a redigir uma nova Constituição feita pelo povo e para o povo. E hoje, graças à mobilização, será o país mais próspero de um ocidente submetido a uma tenaz crise de dívida. É a cidadania islandesa, cuja revolta em 2008 foi silenciada na Europa pelo temor de que muitos a percebessem. Mas conseguiram, graças à força de toda uma nação. O que começou por ser uma crise converteu-se em oportunidade. Uma oportunidade que muita gente em redor do planeta observou com atenção e estabeleceu como um modelo realista a seguir.Consideramos que a história da Islândia é uma das melhores noticias dos tempos actuais. Sobretudo depois de se saber que, segundo as previsões da Comissão Europeia, este país do atlântico norte, acabou 2011 com um crescimento de 2,1% e que em 2012, este crescimento será de 1,5%, uma cifra que supera o triplo dos países da zona euro. A tendência ao crescimento aumentará inclusivamente em 2013, quando está previsto que alcance 2,7%. Os analistas asseveram que a economia islandesa segue mostrando sintomas de desequilíbrio e que a incerteza segue presente nos mercados. Porém, voltou a gerar emprego e a dívida pública foi diminuindo de forma palpável. Este pequeno país do periférico ártico recusou salvar os bancos. Deixou-os cair e aplicou a justiça sobre aqueles que tinham provocado certos descalabros e desmandes financeiros. Os matizes da história islandesa dos últimos anos são múltiplos. Apesar de transcender parte dos resultados que todo o movimento social conseguiu, pouco se falou do esforço que este povo realizou, dos limites que alcançou com a crise e das múltiplas batalhas que ainda estão por se resolver. Porém, o que é digno de menção é a história que fala de um povo capaz de começar a escrever seu próprio futuro, sem ficar à mercê do que se decida em gabinetes distantes da realidade do povo. A revolta islandesa não causou as vítimas que os políticos e os homens de finanças costumam divulgar. Não derramou nenhuma gota de sangue. Não houve a tão famosa “Primavera Árabe”. Nem sequer teve acompanhamento nos meios de comunicação social, pois esses meios de comunicação passaram-lhe por cima, em bicos de pés. Mesmo assim, conseguiram seus objectivos de forma limpa e exemplar. Hoje, o seu caso bem pode ser um caminho ilustrativo para os indignados espanhóis e portugueses, para o movimento «Occupy Wall Street» e para aqueles que exigem justiça social e justiça económica em todo o mundo.
PRISÕES NA ISLÂNDIA

CORRUPÇÃO - MARINHO PINTO, OU PORQUE O PODER O ODEIA.



Corrupção (II) - Marinho Pinto (JN - 16-01-2012)
Na crónica que aqui escrevi em 22 de Maio do ano passado abordei o problema da corrupção em Portugal. Analisei então as suas nefastas consequências para a economia e para o desenvolvimento, já que ela distorce as regras da concorrência, promovendo não as melhores empresas mas sim as que proporcionam vantagens aos decisores públicos. A aquisição de bens e serviços pelo estado (em sentido amplo) bem como a adjudicação de obras públicas são os sectores onde a corrupção mais se entranhou sem que se tenha logrado combatê-la com sucesso.

Há, porém, um domínio da soberania nacional em que a corrupção se instalou de forma quase endémica mas da qual poucos falam. Refiro-me aos tribunais, onde o problema atingiu proporções devastadoras para a credibilidade da justiça e do estado de direito democrático. Não se trata de um fenómeno igual ao que ocorre na administração pública (central e local), na instância política ou nas empresas ou institutos públicos, onde a corrupção se deve sobretudo às vantagens patrimoniais directas que proporciona aos decisores ou a terceiros, como familiares, partidos políticos ou clubes de futebol. A corrupção que se instalou nos nossos tribunais é sobretudo uma corrupção moral resultante do facto de a justiça ter sido apropriada pelos magistrados e ser usada ao sabor dos seus interesses corporativos ou mesmo dos seus caprichos pessoais.

Nem só o dinheiro corrompe. O poder também corrompe, por vezes, muito mais do que o dinheiro. E - como é, desde há muito, consabido - o poder absoluto corrompe absolutamente. Ora, o que se passa nos nossos tribunais é, precisamente, isso - a corrupção das consciências de muitos magistrados devido ao poder ilimitado que detêm e que exercem sem qualquer escrutínio democrático ou cívico. Eles escolhem-se uns aos outros, avaliam-se uns aos outros (quase sempre com a nota máxima), julgam-se uns aos outros e absolvem-se (ou exculpam-se) uns aos outros com uma impunidade que choca flagrantemente com o fundamentalismo justiceiro com que julgam os restantes cidadãos. E, quase sempre, com ostensiva pesporrência perante o escândalo causado na sociedade.

É claro que também há casos de magistrados apanhados nas teias da corrupção típica, ou seja, por dinheiro em troca de decisões. Mas esses casos são pontuais e não fazem a primavera nem se devem confundir com a floresta. Já a forma como foram absolvidos ou exculpados é um sintoma escandaloso da referida corrupção moral. Senão, o que devemos pensar quando uma pessoa é condenada num processo porque se provou que entregou dinheiro a um juiz em troca de uma decisão e o juiz em causa é absolvido porque noutro processo não se provou que (ou se provou que não) recebera o dinheiro? Das duas uma: ou nenhum era condenado ou eram ambos. E o que pensar quando magistrados, contra as leis e pareceres dos maiores mestres de direito, decidem isentar de impostos parte significativa das suas próprias remunerações? E o que pensar também quando familiares de magistrados assassinam a sangue frio pessoas indefesas e não vão para a cadeia como iria qualquer outro criminoso? E o que pensar ainda quando tribunais superiores rejeitam recursos bem feitos com a justificação de que têm conclusões a mais e - escreveram-no - conclusões a mais equivalem à ausência de conclusões?

Quer a corrupção propriamente dita quer a corrupção moral derivam da mesma degenerescência do estado de direito e medram devido à mesma anomia da sociedade democrática. As pessoas têm medo de denunciar publicamente o que se passa nos tribunais, porque sabem que sofrerão retaliações, como já aconteceu, inclusive, com magistrados que tiveram a audácia de falar em corrupção na justiça. Em Portugal, qualquer pessoa que se queixe de um juiz ao Conselho Superior da Magistratura corre sérios riscos de vir a ser perseguido criminalmente pelo visado e condenado pelos seus colegas. É (também) por isso que é tão difícil combater a corrupção.

NOTA: Dedico esta crónica aos magistrados incorruptíveis, sobretudo aos juízes honestos, que, anonimamente, um pouco por todo o país, contra ventos e marés, persistem em administrar a justiça vinculados apenas ao Direito.

PORTUGAL E A MOODY`S - "WE ARE NOT IN THE MOODY`S"

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

COMENTÁRIO DE BRISSOS LINO SOBRE TAMBWE-A UNHA DO LEÃO

Um leão feito gato

Dezembro 27, 2011
O recente livro de António Oliveira Castro (“Tambwe – a unha do leão”, Gradiva), é um romance na esteira de África (onde o autor nasceu), da descolonização, do novo poder em Angola e da guerra civil naquela antiga colónia portuguesa.
Tambwe, a unha do leão, representa o misticismo africano que se presta a um universo simbólico e virtual por onde as personagens caminham frequentemente, em especial o protagonista da estória, que corre mundo.
Uma obra interessante de alguém que também correu algum mundo, de Angola à Suécia e daí a Lisboa, acabando por se fixar em Setúbal, onde vive.
Poder-se-ia dizer que se trata de um romance de tipo psicológico em que Eugénio, personagem na qual se desenvolve tal retrato mental e emocional, querendo ser leão acaba por se sentir apenas um gato. Doméstico.
Ilustrado por Nuno David.
(PUBLICADO NO BLOGUE "A OVELHA PERDIDA" DE BRISSOS LINO)

VIAGEM PELO MUNDO EM PORTUGUÊS (CONTINUAÇÃO)- ANDORRA


REINICIAMOS ESTA "VIAGEM EM PORTUGUÊS" COM UM TEXTO SOBRE A ÁFRICA DO SUL (10-01-2012), DEPOIS (11-01-2012) COM UM TEXTO SOBRE A ALEMANHA, PROSSEGUIMOS COM A AMÉRICA LATINA (12-01-2012), HOJE VISITAMOS ANDORRA.
Uma Viagem pelo Mundo em Português

Andorra - Portugal

A história deste país, encravado entre a Espanha e a França nos Pirinéus, está de algum modo ligada a Portugal.

Condado de Urgel.
Andorra entre 1278 e 1789 foi governada pelo bispo de Urgel (Aragão/Espanha), sob a concordância dos monarcas franceses. O bispo de Urgel recebeu este poder dos condes de Urgel. Estes condes continuaram a ser determinantes nas grandes decisões sobre Andorra.

Não deixa de ser curioso que o infante de Portugal D. Pedro (1187-1258), filho de D. Sancho I, tenha sido Conde consorte de Urgel (1229-1231) e depois Conde titular de Urgel (1231-1236) pelo casamento com Aurembiaix Armengel. Este infante em 1230, ajudou o bispo de Tarragona a conquistar a ilha de Ibiza aos Mouros. Através de uma manobra palaciana, cedeu o Condado à casa real de Barcelona, recebendo em troca o seu domínio feudal do reino de Maiorca, com as ilhas de Ibiza e Formentera, e ainda os castelos de Pollença, Alaró (ambos nas Baleares) e Almudaina (em Alicante), assumindo o título de Senhor das Baleares (1236 - 1255). Foi desta forma que Andorra passou para o controlo dos catalães.

Século XV.
Não foi o único a estar ligado a Andorra, no século XV, o Infante D. Pedro (1429-1466), 5º condestável de Portugal, filho de D. João I, casou-se com D. Isabel de Urgel, filha de Jaime II conde de Urgel e de D. Isabel de Aragão, tendo sido por essa razão rei de Aragão (Catalunha) com o nome de Pedro V. Ainda no século XV, registe-se o facto do rei português D. João II ser filho de D. Afonso V e de D. Isabel Condessa de Urgel.

Século XX.
Em 1934, un russo chamado Boris de Skossyreff, afirmou-se rei de Andorra e durante alguns dias governou este país até ser preso.Após algumas acções mediáticas em Espanha, acabou por ser expulso para Portugal, tendo vivido durante alguns anos entre Lisboa, Tanger e Gibraltar.

Independência.
Andorra é desde Março de 1993 um estado formalmente independente, sendo o catalão a lingua oficial. O poder, como no século XIII continua a recair sobre o bispo de Seo d’Urgell e o presidente da França. Cerca de 70% da população são estrangeiros, sendo extremamente dificil adquirir a nacionalidade andorrana.
Comunidade portuguesa.
Número estimado de emigrantes portugueses: 11 mil, em 2007 (15% da população). Esta comunidade, a segunda do Estado de Andorra, começou a desenvolver-se depois de 1974 com a vinda de muitos portugueses de África.
Actualmente a maioria são originários dos Norte de Portugal e concentram-se nos principais centros urbanos, exercendo actividades no sector terciário (hotelaria, supermercados, cafés, etc) e construção civil. Existem várias associações portuguesas, mas também cafés, restaurantes, etc . Apenas em 2007, os portugueses conseguiram maiores facilidades para puderem abrir os seus negócios, antes tinham que esperar mais de 20 anos. 
Milhares turistas portugueses todos os anos praticam aqui desportos na neve.

Carlos Fontes

PORTUGAL MARAVILHOSO - PIÓDÃO

ESPELHO MEU, ESPELHO....

HÁ ALGUÉM COM UMA CARA COMO EU?

- HÁ! SURPREENDIDO? A CARDONA E OUTROS!

COMENTÁRIO: CATROGA AFIRMOU, EM ENTREVISTA AO SEMANÁRIO EXPRESSO, QUE OS CHINESES DA EDP O ESCOLHERAM PARA PRESIDENTE DO CONSELHO GERAL DE SUPERVISÃO DA EDP PELA "CARA".
SERÁ QUE OS NOVOS ACCIONISTAS CONFUNDEM CARAS COM COMPETÊNCIA?
SE A COMPETÊNCIA ESTÁ NA RAZÃO DIRECTA DA BELEZA, COMEÇAMOS A PERCEBER PORQUE A ECONOMIA DESTE PAÍS ESTÁ COMO ESTÁ!

O SALÁRIO NUM PAÍS DE LADRÕES


SALÁRIOS PARA TODOS OS GOSTOS (euros)

1º Ministro de Singapura - 1 330 000

Presidente de Singapura -   907 000

EDUARDO CATROGA -  639 000 (EDP, quem paga é o consumidor português de electricidade)

1º Ministro de Hong Kong -  426 000

1º Ministro da Austrália  - 389 000

1º Ministro do Quénia - 335 200

Barack Obama - 314 000

BRASIL, O GIGANTE ADORMECIDO

ANGOLA - CAMINHO DE FERRO DE BENGUELA DE NOVO A FUNCIONAR

C.F.B. COMBOIO CHEGA A HUAMBO Angola


O combóio do C.F.B. chegou ao Huambo em Angola. Começa agora uma nova era de desenvolvimento do planalto, servindo populações a norte e a sul desta linha que um dia chegará Kuito, Luena Luau e ao…

REPITA MIL VEZES

NUNCA MAIS ME QUEIXO DOS MEUS FILHOS....

BOYS DO PSD/PPD- NOVAS NOMEAÇÕES

Mais 29 assessores / adjuntos de Ministérios
A avaliar pelas idades e nível salarial, tratando-se de pessoas sem experiência profissional, só pode conclui-se tratar-se de "boys" do PPD.
ISTO É UMA MÁFIAAAAA!!!

Mais 29 assessores / adjuntos de Ministérios, todos de idade inferior a 30 anos, havendo alguns "especialistas" com idades entre os 24 e os 25 anos. Num momento em que há
em Portugal milhares de jovens sem trabalho, ou que tendo algum não passa de precário, a ganhar o ordenado mínimo ou menos, ainda que detentores de elevado nível académico e boas qualificações, o conhecimento destes níveis salariais atribuídos a estes rapazes é, no mínimo, chocante.
Estou banzado.

"Especialista" aos 24 anos é de morrer a rir... OU A

 CHORAR!

Eis os "Especialistas": 

 
MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL (2)

Cargo: Assessora
Nome: Ana Miguel Marques Neves dos Santos
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33
€

Cargo: Adjunto
Nome: João Miguel Saraiva Annes
Idade:28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.183,63
€

MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS (1)

Cargo: Adjunto
Nome: Filipe Fernandes
Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 2.633,82
€

MINISTÉRIO DAS FINANÇAS (4)

Cargo: Adjunto
Nome: Carlos Correia de Oliveira Vaz de Almeida
Idade: 26 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33
€

Cargo: Assessor
Nome: Bruno Miguel Ribeiro Escada
Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 2.854
€

Cargo: Assessor
Nome: Filipe Gil França Abreu
Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 2.854
€

Cargo: Adjunto
Nome: Nelson Rodrigo Rocha Gomes
Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33
€

MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA (2)

Cargo: Assessor
Nome: Jorge Afonso Moutinho Garcez Nogueira
Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33
€

Cargo: Assessor
Nome: André Manuel Santos Rodrigues Barbosa
Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 2.364,50
€

MINISTRO ADJUNTO E DOS ASSUNTOS PARLAMENTARES (5)

Cargo: Especialista
Nome: Diogo Rolo Mendonça Noivo
Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33
€
Cargo: Adjunto
Nome: Ademar Vala Marques
Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33
€

Cargo: Especialista
Nome: Tatiana Filipa Abreu Lopes Canas da Silva Canas
Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33
€

Cargo: Especialista
Nome: Rita Ferreira Roquete Teles Branco Chaves
Idade: 27 anos Vencimento Mensal Bruto: 3069,33
€

Cargo: Especialista
Nome: André Tiago Pardal da Silva
Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33
€

MINISTÉRIO DA ECONOMIA (8)

Cargo: Adjunta
Nome: Cláudia de Moura Alves Saavedra Pinto
Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34
€

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Tiago Lebres Moutinho
Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34
€

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: João Miguel Cristóvão Baptista
Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34
€

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Tiago José de Oliveira Bolhão Páscoa
Idade: 27 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34
€

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: André Filipe Abreu Regateiro
Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34
€

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Ana da Conceição Gracias Duarte
Idade: 25 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34
€

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: David Emanuel de Carvalho Figueiredo Martins
Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34
€

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: João Miguel Folgado Verol Marques
Idade: 24 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34
€


MINISTÉRIO DA AGRICULTURA (3)

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Joana Maria Enes da Silva Malheiro Novo
Idade: 25 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33
€

Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Antero Silva
Idade: 27 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33
€

Cargo: Especialista
Nome: Tiago de Melo Sousa Martins Cartaxo
Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33
€

MINISTÉRIO DA SAÚDE (1)

Cargo: Adjunto
Nome: Tiago Menezes Moutinho Macieirinha
Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,37
€

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA (2)

Cargo: Assessoria Técnica
Nome: Ana Isabel Barreira de Figueiredo
Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 2.198,80
€

Cargo: Assessor
Nome: Ricardo Morgado
Idade: 24 anos Vencimento Mensal Bruto: 2.505,46
€

SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA (1)

Cargo: Colaboradora/Especialista
Nome: Filipa Martins
Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 1.950,00

TÉCNICAS ESCOLARES CHINESAS A IMPLEMENTAR BREVEMENTE EM PORTUGAL


COM A FALTA DE DINHEIRO PARA A EDUCAÇÃO, O PRIMEIRO-MINISTRO PEDRO PASSOS COELHO PARECE ESTAR A REVELAR-SE UM SEGUIDOR DOS MÉTODOS ESCOLARES CHINESES. VAI SER ASSINADO ENTRE OS MINISTÉRIOS DE EDUCAÇÃO DE PORTUGAL E DA CHINA UM ACORDO DE COOPERAÇÃO QUE EDUQUE OS PROFESSORES PORTUGUESES A ACABAR COM OS "DESPERDÍCIOS" QUE  SOBRECARREGAM O CONTRIBUINTE.

 SERÁ ESTE O ENTENDIMENTO DE PROGRESSO?


REFLEXÃO, AGORA QUE OS CHINESES VIERAM PARA FICAR


REFLEXÃO,,,agora que os chineses vieram para ficar

"Um sujeito estava colocando flores no túmulo de um parente quando vê um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Ele vira-se para o chinês e pergunta:
- Desculpe-me, mas o senhor acha mesmo que o seu defunto virá comer o arroz?
E o chinês responde:
- Sim, geralmente à mesma hora em que o seu vem cheirar as flores !
"Respeitar as opções do outro "em qualquer aspecto" é uma das maiores virtudes que um ser humano pode ter. As pessoas são diferentes, agem diferente e pensam diferente. Nunca julgue. Apenas compreenda".

ANGOLA - A PALANCA NEGRA

2011
03. Relatório Palanca Setembro - Dezembro
Caros amigos,
Os últimos quarto meses do ano tinham criado alguma expectativa, já que o programa de reprodução da palanca no PN Cangandala entrou numa nova e mais entusiasmante etapa. Afinal de contas, e em resultado da bem sucedida operação de capturas que decorreu em Julho e Agosto, tínhamos agora dois grupos reprodutores em dois santuários vedados. Apesar das nossas elevadas expectativas, receio que as coisas na Cangandala nunca decorram de forma suave, e mais uma vez fomos forçados a reagir a eventos inesperados e a mudar o nosso rumo. Na melhor das hipóteses estes últmos meses tiveram um sabor agri-doce.
O principal culpado pelas nossas mais recentes dores de cabeça foi o Ivan “o Terrível”, aquele macho com tanto de impressionante como agressivo que tínhamos recentemente trazido da Reserva do Luando. Ele tinha sido libertado no recinto de 2,800 ha com seis jovens fêmeas e um jovem macho de 2 anos de idade (Miguel), e dentro de uma semana já se tinham todos encontrado. A manada de híbridos estava também neste recinto mas as duas manadas nunca se misturaram. Os dois machos foram vistos juntos algumas vezes, mas na segunda semana a natureza irascível do Ivan tornu-se evidente quando ele perseguiu e matou o Miguel sem piedade. O jovem macho foi perfurado várias vezes e pelo menos duas vezs no peito... deve ter sido um encontro rápido e brutal. Este acontecimento foi obviamente uma grande decepção para todos, até porque tínhamos julgado que o jovem macho era ainda demasiado tenrinho para ser visto como uma ameaça. Machos territoriais são geralmente criaturas intolerantes, frequentemente lutando com competidores, e mortes derivadas destas escaramuças não são raras. Talvez o Miguel tivesse sido tolerado por um outro macho... mas não por Ivan o Terrível. De qualquer das formas, e por muito cruel que isto possa parecer, este jovem macho era o animal menos importante e ti nha sido trazido apenas como plano B, um macho de substituição no caso de alguma coisa acontecer aos machos mais velhos e dominantes. A perda do Miguel não é uma crise para o programa de reprodução.
Mas o Ivan ainda não estava satisfeito, e um par de semanas depois rebentou a vedação à força, abrindo um enorme buraco e escapando do santuário junto do seu limite sul. Levou com ele duas das fêmeas de 1 ano, deixando para trás a terceira fêmea de 1 ano e as três de 2 anos. Porque é que apenas duas das seis fêmeas o acompanharam permanece um mistério, apesar de que é tentador especular que possivelmente as outras não aprovaram os seus modos. A fuga destes animais foi naturalmente visto como mais um golpe nos nossos planos. Especialmente porque logo assumimos que o Ivan daria início a uma migração suicida para sul em busca do seu antigo território no Luando, ou iria pelo menos andar perdido à deriva de forma imprevisível e atravessando as fronteiras do parque de vez com as duas jovens fêmeas. Mas logo quando tínhamos dado por certos estes cenários desoladores, foi quando o Ivan resolveu surpreender-nos pela positiva! O facto é que, uma vez livre das grilhetas do semi-cativeiro, O Ivan decidiu acalmar, estabelecendo o seu novo território em zona contígua ao santuário. Ao longo dos últimos meses temos temos seguido o Ivan através de sinal rádio e ele parece realmente ter-se baseado numa área fixa, sempre a poucos quilómetros da linha de vedação. Infelizmente a sua natureza esquiva tem-no mantido fora de vista, e também decidimos que não seria boa ideia pressioná-lo muito.
Muito embora não tenhamos podido confirmar, tudo indica que o Ivan tem mantido as duas meninas com ele. Igualmente importante, dá-se o caso de que o local onde se estabeleceu o novo território coincide precisamente com a zona habitual de presença da Joana, a velha fêmea pura que tinha escapado por debaixo da vedação em 2009, e que desde essa altura permanece solitária. Não posso deixar de pensar que se trata de mais que simples coincidência que o Ivan se tenha estabelecido junto da Joana... por esta altura já devem ter-se encontrado certamente...e talvez tenha sido a sua presença o que levou Ivan a rebentar a vedação?! Agora, este seria mais um louco capítulo nesta longa estória. Se acabar por ser a Joana a manter o Ivan e as meninas, formando uma nova manada reprodutora, mesmo fora da relativa segurança dos santuários. Pode ainda revelar-se um epílogo melhor e mais natural que o projectado inicialmente!
Considerando o que aconteceu com o Ivan, decidimos abrir imediatamente o santuário menor de 400 ha, ficando assim com apenas um grande recinto vedado com 3,200 ha. Não faria sentido continuar a manter o primeiro núcleo reprodutor contido numa área sub-óptima, quando já não havia segundo macho territorial. Para mais, tínhamos agora um grupo de quatro jovens fêmeas puras a precisarem desesperadamente de uma companhia masculina, de preferência um macho gentil como o nosso velho Duarte.
Entretanto, o macho híbrido castrado “Scar” tinha-se juntado e sido aceite pela manada pura. Não propriamente como “one of the girls”, mas também não propriamente como um garanhão... bem, não sei bem o que deveríamos esperar de um híbrido castrado, mas este certamente que parece e comporta-se de forma peculiar! Tornou-se num indivíduo bastante nervoso e hesitante (estava tentado a dizer que aparenta por vezes ser um bocado histérico...), mas parece ser inofensivo.
Por vezes vemo-lo a correr numa curta perseguição atrás de uma fêmea prenha ou sub-dominante, como se procurasse estabelecer uma posição dentro da hierarquia feminina. Mas mais frequentemente ele segue o Duarte por todo o lado, e gosta de subir ao topo dos grandes morros de salalé (termiteiras) como se montasse guarda enquanto a manada pasta pacificamente. É como se o Scar quisesse ser o assistente particular do Duarte, mas quase sempre é completamente ignorado pelo velho macho, que certamente não vê justificação para gastar energias num confronto com um híbrido capado. Em raras ocasiões, observámos o Scar aproximando-se amaricadamente do macho um pouco mais que o devido, mas quando isso aconteceu este último, nas sua típica maneira descontraída, simplesmente baixou a cabeça mostrando a ponta dos seus longos cornos, e o Scar imediatamente saltou e fugiu para uma distância mais segura.
Como já era esperado, e uma vez removida a vedação separadora, não levou muito tempo até que a manada reprodutora aproveitasse devidamente o maior santuário, e o grupo dos híbridos foi rapidamente absorvido. Afinal de contas, esta área era já bem conhecida das velhas fêmeas, e os híbridos eram também a sua própria descendência. Também não foi surpresa verificar que as quatro jovens fêmeas do Luando não foram aceites na manada. As palancas vivem em sistemas matriarcais, nos quais as manadas são lideradas por fêmeas dominantes, geralmente as mais velhas, e fêmeas “estranhas” são raramente aceites no grupo. Ironicamente, as nossas velhas fêmeas sentem-se mais confortáveis na companhia de um punhado de aberrantes e feios híbridos, do que junto destas novas e bonitas palanquinhas do Luando! Em relação aos híbridos, não interessa o que é que as pessoas dizem, eles sempre serão lindos para as mamãs deles!
De qualquer das formas, o facto de não se terem juntado todos os animais numa única grande manada não é problemático, e poderá até ser irrelevante. Tudo o que precisamos é que o macho, de vez em quando, possa passar algum tempo “útil” com as meninas. E nem de propósito, o Duarte foi já visto fora da manada grande e juntando-se às outras quatro fêmeas.
Em relação à performance reprodutora da manada original, ainda permanence muito abaixo dos mínimos exigíveis, e não temos novas crias confirmadas para anunciar. Por outro lado, e agora que entrámos no terceiro ano, um nítido padrão parece emergir. Das sete fêmeas, apenas três estão a reproduzir. A estrela da companhia tem sido a mais velha (e também dominante), a Neusa, que seguindo o ciclo natural de reprodução da palanca negra gigante nos deu duas crias em dois meses de Maio sucessivos (2010 e 2011, embora infelizmente em ambos os casos as crias tenham sido do sexo masculino). E mais uma vez em Setembro/Outubro últimos ela estava novamente no cio, já que pudémos testemunhar o Duarte excitado cheirando a sua urina e até fazendo uma tímida tentativa para a montar. Esperemos que este esforço não seja demasiado para ela, até porque parecia agora um pouco mais frágil e foi vista a coxear.
Depois temos duas outras fêmeas, Luísa e Teresa, que também têm reproduzido se bem que seis meses desfasadas do ciclo normal. Entraram no cio tardiamente reflectindo-se em gravidez fora de época. Isto não é necessariamente grave, desde que se mantenham a reproduzir. De facto, ambas as fêmeas estavam “muito” prenhes em 2010, embora apenas a Luísa tenha produzido uma cria. Assumimos que a Teresa deve ter perdido a cria pouco depois desta nascer. Já em 2011, ambas se encontravam obviamente prenhes em Outubro e Novembro, e em Dezembro último a Luísa tinha abandonado a manada (presumivelmente estaria a parir), ao passo que a Teresa mostrava-se bastante nervosa e com um úbere notavelmente inchado, pelo que esperamos que esta também já tenha parido.
Tudo isto seria muito aceitável, não fora o facto das restantes quatro fêmeas não terem ainda mostrado qualquer sinal claro de gravidez, muito embora pareçam bem alimentadas, saudáveis e tranquilas. Assim, e pelo segundo ano consecutivo, tivemos uma só fêmea reprodutora e no tempo certo, tivemos depois duas fêmeas a reproduzir fora de ciclo, e quatro outras sem qualquer sinal de reprodução! Isto não pode ser coincidência, e parece-me claro agora que não deveremos culpar o macho nem quaisquer outros fenómenos exógenos. Em circunstâncias normais, a reprodução das fêmeas de palanca negra gigante deveria ser bastante bem sincronizada (com a maioria das fêmeas a parirem quase simultaneamente, por voltas de Maio/ Junho), e a taxa de fertilidade deveria rondar pelo menos 90%, pelo que algo está errado.
Acreditamos que a explicação para esta anormal taxa reprodutora, é quase de certeza o resultado de uma década de produção de híbridos e ausência frequente de reprodução. Nem uma só das fêmeas teve aquilo a que podemos chamar de um historial reprodutivo saudável, e as consequências tornam-se agora dolorosamente óbvias, com mais de metade das fêmeas a nem sequer entrarem em ciclo de cio.
Se as nossas suspeitas se confirmarem esta situação terá de ser atacada em 2012, possivelmente anestesiando e administrando um tratamento hormonal, e dessa forma tentar induzir o cio nessas problemáticas quatro fêmeas.
Fotos podem ser vistas através deste link:
Finalmente, devo referir que o ano de 2011 terminou da forma mais trágica, quando inesperadamente o nosso querido amigo Kalunga Lima, faleceu. Ele era um notável realizador de cinema e fotógrafo que até estava a finalizar o seu documentário sobre o projecto da palanca. Tínhamos feito várias expedições juntos no mato, na Cangandala e Luando, e sinto-me privelegiado por ter partilhado eses momentos com o Kalunga. Se eu perdi um grande e verdadeiro amigo, a palanca negra giante perdeu certamente um dos seus mais entusiásticos e relevantes apoiantes. E o país perdeu, simplesmente, o melhor profissional no seu ramo, alguém que não poderá ser substituído tão cedo.
Cumprimentos,
Pedro

O AMOR TEM DESTAS COISAS

APRENDAM MEUS AMIGOS O AMOR TEM DESTAS COISAS !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
O amor
Ele disse para ela:
"Posso não ser rico, não ter dinheiro, apartamentos de luxo, carros importados ou empresas como o meu amigo João Pedro, mas amo-te muito, adoro-te, sou louco por ti".

Ela olhou-o com lágrimas saindo dos seus olhos, abraçou-o como se não existisse o amanhã, e disse bem baixinho ao seu ouvido:
...
...
...
...
"Se me amas de verdade,
apresenta-me o João Pedro"...