quarta-feira, 8 de junho de 2011

SENEGAL, ILHA DE GORÉE

SONETO DE JOSÉ RÉGIO

Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.

DIVIRTA-SE COM MARTELL ANIMATION

OS SUBMARINOS, A ALEMANHA, A CORRUPÇÃO E OS POLÍTICOS PORTUGUESES

«Neste momento, todas as hipóteses estão em aberto, até a separação do processo» – explica Cândida Almeida. A abertura de um novo inquérito seria uma forma de preservar o sigilo das provas recebidas há algumas semanas das autoridades alemãs, que indiciam o pagamento de ‘luvas’ a militares e políticos portugueses, que em 2004 (no Governo PSD-CDS, de Durão Barroso e Paulo Portas) decidiram adjudicar a compra de dois submarinos ao consórcio GSC.

Nesse despacho, o juiz Carlos Alexandre diz que os factos no inquérito (aberto em 2006) indiciam vários crimes: corrupção passiva para acto ilícito, corrupção activa, prevaricação, participação económica em negócio e branqueamento de capitais.

felicia.cabrita@sol.pt
paula.azevedo@sol.pt

O inquérito já foi instaurado em Julho de 2006, no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), mas só nos últimos meses começaram a ser realizadas diligências.

O processo tem na sua base um conjunto de documentos apreendidos na sede da Escom durante as buscas da Operação Furacão (a mega-investigação de crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais), em Outubro de 2005.

A Escom tem sede nas Amoreiras, em Lisboa, integra o Grupo Espírito Santo (GES), está a ser investigada no processo Furacão e foi a entidade que negociou as contrapartidas do concurso dos submarinos, em 2003, entre o Estado português e o consórcio alemão GSC.

Parte da documentação apreendida foi então remetida ao processo Portucale ? onde o MP já investigava a origem dos donativos ao CDS (todos em numerário e com recibos falsos), mas relacionados com crimes de tráfico de influências. O MP interceptara também conversas telefónicas entre Abel Pinheiro, responsável financeiro do CDS, e Paulo Portas, o líder. Nesses telefonemas, referenciam-se «compromissos» e «acordos» com Luís Horta e Costa, administrador da Escom, além de um pagamento «em Dezembro de 2004».

(SEMANÁRIO SOL, edição online de 7 e 8 de Junho de 2011)

MIGUEL CADILHE DEFENDE PRIVATIZAÇÃO DA CGD E A DEVOLUÇÃO DOS SUBMARINOS AOS ALEMÃES

Ex-ministro de Cavaco Silva traça plano

Miguel Cadilhe defende privatização total da CGD

08.06.2011- JORNAL PÚBLICO

Miguel Cadilhe, ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva, defendeu, em entrevista à Rádio Renascença, a privatização total da Caixa Geral de Depósitos. Cadilhe diz que a medida se justifica, “como último recurso”, por causa da “situação tremenda”, do ponto de vista financeiro, que o país atravessa.

Cadilhe diz que mudou de ideias em relação à Caixa Geral de Depósitos

"Sempre defendi a Caixa Geral de Depósitos no sector público. Agora, estamos numa situação tremenda do ponto de vista financeiro e, portanto, temos que lançar mão de todos os activos que tivermos e vender aqueles que tenham comprador - com algumas excepções”, disse o presidnete do BPN na altura da nacionalização do banco.

Segundo Cadilhe, caso aparecesse uma boa oportunidade de negócio, o Estado devia vender o banco, mas frisa que o calendário de privatizações deveria ser alargado por três ou cinco anos.

O ex-ministro de Cavaco Silva sugere também a venda dos submarinos alemães, e não poupa críticas à Alemanha no processo: “A Alemanha que hoje é tão severa para connosco deveria ter, na altura, ponderado".

Cadilhe diz ainda que o próximo ministro das Finanças será o mais impopular da história da democracia em Portugal e frisa que tem de ser um homem ou uma mulher de mão férrea, temido ou temida pelos outros ministros.

E sobre a carga fiscal admite um imposto extraordinário sobre a riqueza líquida que abarque depósitos, bens imobiliários e acções.

CURIOSIDADES PORTUGUESAS ENTRE 1846 E 1890

Curiosidades - Factos 1846-1913‏

1846
- Crise financeira portuguesa
- Fusão do Banco de Lisboa com a Companhia Confiança Nacional, da qual resulta o Banco de Portugal
- Inauguração do Teatro D. Maria II
- Revolta da Maria da Fonte e consequente queda do governo de Costa Cabral

1849
- Costa Cabral regressa e preside de novo ao governo

1850
- Inauguração, em Lisboa, da iluminação pública a gás (30/07/1850)

1851
- Revolta do marechal Saldanha, Regeneração, com o intuito de derrubar Costa Cabral

1852
- Introdução em Portugal do sistema métrico decimal - É estabelecida a Mala-Posta entre Lisboa e Porto

1853
- Entra em circulação o primeiro selo postal português

1855
- Subida ao trono de D. Pedro V

1856
- Inauguração do troço de linha férrea, Lisboa Stª Apolónia -Carregado [Construção Iniciada em 1853]

1859
- Fundação do Curso Superior de Letras

1860
- Fundação do Hospital Dona Estefânia

1861
- Morte do rei D. Pedro V e subida ao trono de seu irmão, D. Luiz I

1864
- A população portuguesa é de cerca de 3 800 000 habitantes
- Fundação do Diário de Notícias
- Fundação do Banco Nacional Ultramarino
- Publicação do 1º Código Civil português

1865
- Fundação da Companhia União Fabril
- Fundação do Partido Reformista

1866
- Morte de D. Miguel I no exílio

1867
- É abolida a pena de morte para os crimes excepto por traição durante a guerra

1868
- É inaugurado o serviço directo de Lisboa a Madrid, para passageiros de primeira classe.

1869
- Abolida a escravatura em todos os territórios portugueses

1870
- É decretada a extinção definitiva da escravatura em todos os domínios portugueses

1871
- Primeiros movimentos grevistas portugueses

1876
- O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz
- A Cartilha Maternal de João de Deus
- Início da construção da ponte metálica sobre o Tejo em Santarém (1876-1881)
- Fundação do Partido Progressista

1877
- Inauguração da ponte ferroviária D. Maria no Porto permitindo assim a ligação ferroviária entre Lisboa e Porto
- 1ª Travessia entre Angola e a costa do Índico por Serpa Pinto

1878
- Instalação das primeiras iluminações eléctricas em Lisboa

1882
- Inauguração da Linha da Beira Alta

1887
- Início da exploração do Sud-Express, ligando Lisboa-Madrid-Paris e Calais.
- Inauguração da linha férrea Lisboa-Sintra

1888
- Assinatura do contrato de construção das obras do porto de Lisboa, com o construtor francês Hildenert Hersent

1889
- Inauguração da linha férrea Cascais-Pedrouços

1890
- Comemoração, pela primeira vez, do 1.º de Maio em Lisboa
- Chegam a Portugal as primeiras locomotivas "Compound", construídas pela casa inglesa Beyer Peacock, destinadas à Companhia Real
- Inauguração da Estação central do Rossio, em Lisboa

(Amanhã continuaremos a publicar mais factos da história de Portugal)

A UNIÃO FAZ A FORÇA

ADÃO E EVA NA VERSÃO ISLÂMICA

HUMOR EM TEMPO DE CRISE


Divisão de bens entre Adão e Eva‏

Quando Deus criou Adão e Eva, disse aos dois:

- Tenho dois presentes para distribuir entre vocês, um é para fazer xixi em pé e...

Adão ansioso interrompeu gritando:

- Eu! Eu! Eu! Eu! Eu quero, por favor... Senhor, por favor, por favor. Sim? Facilitar-me-ia a vida substancialmente! Por favor! Por favor! Por favor!

Eva concordou e disse que essas coisas não tinham importância para ela.

Então, Deus presenteou Adão.

Adão ficou maravilhado. Gritava de alegria, corria pelo jardim do Éden fazendo xixi em todas as árvores. Correu pela praia fazendo desenhos com seu xixi na areia. Brincava de chafariz. Acendia uma fogueirinha e brincava de bombeiro...

Deus e Eva contemplavam o homem louco de felicidade, até que Eva perguntou a Deus:

- E... qual é o outro presente?

Deus respondeu:

- Cérebro Eva, o cérebro é seu!

terça-feira, 7 de junho de 2011

EFEITO STRAUSS KAHN COM PAULO PORTAS NO GOVERNO

Ana Gomes alerta para “efeito Kahn” com Portas no governo

Luís Rego, em Estrasburgo
07/06/11 12:31

A Eurodeputada socialista, Ana Gomes, alertou hoje para os riscos de nomear Paulo Portas para o novo governo.


“Comportamentos pessoais questionáveis” de Portas deixariam o governo vulnerável a chantagens.

A Eurodeputada socialista, Ana Gomes, alertou hoje para os riscos de nomear Paulo Portas para o novo governo, e ainda mais como ministro dos Negócios Estrangeiros, invocando "comportamentos pessoais questionáveis" do líder do PP. Além disso, Ana Gomes acena com o papel de Portas numa alegada "campanha de desinformação no caso Casa Pia" e o "papel lesivo que [enquanto ministro] teve para o Estado no caso dos submarinos". Portugal arrisca, argumenta a eurodeputada, uma humilhação internacional semelhante à que a França está a atravessar com o caso de alegada violação e rapto de uma empregada de hotel por parte de Dominique Strauss-Kahn, o francês que dirigia o FMI.

"Não está em causa a sua legitimidade do seu partido mas sim do dr. Paulo Portas, pessoalmente pela sua idoneidade pessoal e política em anteriores responsabilidades governamentais, no caso dos submarinos e noutros casos", explicou. É um aviso para o próximo primeiro-ministro e para o provável parceiro de coligação governamental, numa altura em que se fala de Portas como ministro dos negócios estrangeiros. "Os MNE são particularmente vulneráveis à actuação de serviços secretos estrangeiros e de governos estrangeiros com chantagens de todo o tipo e portanto [Portas] está uma posição particularmente vulnerável quando há aspectos questionáveis de comportamento pessoal ou politico e isso deve ser levado em conta". O facto de não haver nada a nível de processos que inibam Portas a ser nomeado não trava a eurodeputada. "Também não havia nada que inibisse o senhor Dominique Strauss-Kahn de ser director do FMI e no entanto toda a gente sabia que ele tinha acções altamente reprováveis na sua vida política e profissional e que podiam ser comprometedoras para o seu país e que hoje passam por uma tremenda humilhação".

O caso dos submarinos, explica Ana Gomes, ainda está em investigação. "Há aspectos que a justiça deverá esclarecer, como a aquisição de submarinos [que é] altamente lesiva para os interesses dos contribuintes português e que está com processos judiciais em curso por corrupção, facturas falsas, fraude evasão fiscal, lavagem de dinheiro, etc, do qual Portas era o principal responsável político". As responsabilidades de Portas, explica, estão ainda por esclarecer e "isso não pode ser ignorado por quem decide politicamente por quem quer formar uma coligação estável e inquestionável".

No caso Casa Pia, "há questões que toda a gente sabe, que vocês jornalistas sabem, por exemplo o papel que teve a central de desinformação junto do então ministro Paulo Portas no tratamento que a imprensa deu ao caso Casa Pia. É preciso que alguém fale e aqui estou a eu a dar a cara. E disponível para enfrentar as consequências do que estou a dizer", avisou a eurodeputada socialista.

ESTAREMOS TODOS ARRUINADOS DENTRO DE 10 ANOS?

JORNAL THE GUARDIAN - UMA MANEIRA LOUCA DE GERIR A CIVILIZAÇÃO

Dantes, eram apenas os países menos desenvolvidos que tinham de viver sujeitos aos caprichos dos mercados internacionais.
Agora, a força imprevisível dos mercados também se faz sentir nas regiões mais ricas. O Governo grego e as autoridades da Zona Euro acabaram de chegar à conclusão de que a operação de resgate que conceberam há um ano não está a dar resultados - ou seja, não permitiu a reentrada da Grécia nos mercados. Este desfecho da primeira das três operações de resgate não é bom augúrio para os pacotes destinados a Portugal e à Irlanda.
Foram as flutuações desses mercados que desencadearam a crise e que, agora, poderão originar sequelas. Estamos hoje a aprender aquilo que os países mais pobres foram os primeiros a sentir: os investidores internacionais que negoceiam em obrigações determinam, em grande medida, qual o tipo de decisões que os governos democráticos podem tomar.  Essas opções estão longe de ser tão racionais como desejaríamos. É praticamente impossível saber o que irá resultar e quanta dor e austeridade são necessários para evitar a catástrofe.
A lição a retirar não é que os governos devem manter a casa em ordem, do ponto de vista financeiro. Isso sempre foi válido. O que estabelece se a casa está, ou não, em ordem, quando a situação se tornar crítica, é o conjunto de de ideias e rumores a que os investidores recorrem para tentar ganhar tanto dinheiro quanto possível.
O resultado final é que os mercados voláteis e imprevisíveis representam alvos em movimento, para os governos que tentam determinar o que será aceitável para as pessoas que de facto são suas donas.
Daí o jogo complexo, no qual cada Governo tenta emitir os "sinais certos" - e os melhores sinais são, em geral, a boa vontade para realizar cortes na despesa  ou aumentar as taxas de juro -, enquanto os milhares de pessoas que constituem "o mercado" decidem o que estes significam. Que será possível fazer perante aquilo que parece uma maneira louca de gerir a civilização humana (se é que nós, humanos, ainda mandamos)? 
Depois da crise de 2008, a reflexão sobre questões de âmbito mundial voltou a estar na ordem do dia para os debates: governação mundial dos mercados mundiais, um "novo Bretton Woods" e o tipo de cooperação que poderia reduzir a instabilidade. Desde então temo-nos furtado a isso. É um erro.
Não há soluções fáceis e não é provável que, nos tempos mais próximos, as principais potências cheguem a acordo sobre estas questões. Mas isso não nos deve fazer esquecer que os problemas existem. Também ninguém viu a aproximação ao mundo árabe, mas seria bom prestar atenção aos problemas, antes de estes se agravarem e arrastarem as pessoas para as ruas.
(Extrato de um texto de Vincente Bevins, publicado no jornal The Guardian e no Courrier Internacional nº 184 de Junho de 2011)

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - CASA ARRUMADA

A vida é muito mais do que isso...
"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."

Casa arrumada é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta prós amigos, filhos...
Netos, prós vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

Carlos Drummond de Andrade

DIVIRTA-SE COM JEROME MURAT

PORTUGAL - FANDANGO DANÇA DO RIBATEJO

PORTUGAL - DANÇA DOS PAULITEIROS

O PITORESCO DAS SAIAS ESCOCESAS

KIZOMBA EM LISBOA

 KIZOMBA

http://youtu.be/-1clJbhtPJ4



PEDRO CHOY - UM EXEMPLO DE VIDA

Para quem não leu a revista "Nós" de sábado - 27 de Fevereiro 2010, aqui fica um dos textos.
É a história de Pedro Choy.


Olhando para ele, para a forma dominadora como fala, para o modo seguro como trabalha, avaliando as 18 clínicas que tem, espalhadas por todo o país, ostentando o seu nome, metade português, metade chinês, "Clínicas Dr. Pedro Choy", medindo e pesando o homem, o médico, Pedro Choy, ninguém diria, dessa análise precipitada e ligeira, que nasceu pobre. Mas nasceu. Muito pobre. Tão pobre que só teve electricidade aos 15 anos. Tão pobre que as instalações sanitárias da sua pobre casa, em Almeirim, eram no fundo do quintal e consistiam num buraco feito no chão, rodeado por uma cabana de madeira feita por si e pelos irmãos, com tábuas e pregos. Tão pobre que, todos os anos, Pedro Choy e os irmãos tapavam esse buraco com terra e abriam outro buraco ao lado.


Pedro Choy nasceu em Macau e veio com três meses para Portugal, mais concretamente para Almeirim, onde vivia uma avó (mãe do pai). Um ano depois, rebentou a guerra colonial e o pai foi para Macau, onde ficou 14 anos. A mãe de Pedro Choy, chinesa, ficou sozinha com quatro filhos, três rapazes e uma rapariga, numa terra estranha, sem falar uma palavra de português. "A minha mãe, além de ser chinesa, vestia-se de uma forma completamente chinesa. Naquela altura, em Almeirim, nunca ninguém tinha visto um chinês. As pessoas andavam atrás dela como quem vê um extraterrestre. Faziam fila para a ver. A ponto de, um dia, ela ter desatado a fugir e ter caído, porque tinha medo. Por outro lado, o meu pai era o único adulto com quem ela conseguia falar, dado que não falava português. É uma sobrevivente, a minha mãe. Uma mulher muito especial."
Quando chegou a Portugal, e sobretudo a Almeirim, a mãe de Pedro Choy desconfiava que algo de muito sério se passava. Acostumada à densidade populacional da China, estranhava a escassez de pessoas. "O meu pai assegurava-lhe vezes sem conta que não havia nenhuma espécie de guerra, que estava tudo bem. Não havia nem guerra, nem peste, nem epidemias. Porque ela não conseguia acreditar que a população da terra fosse mesmo só aquela, que não estava ninguém escondido."

A avó de Pedro Choy morava numa casa igualmente pobre, com chão em terra e divisões improvisadas pelos netos, com tábuas. Era cauteleira e vidente. Na terra era conhecida como "a bruxa". "Lembro-me de passar de ouvir as pessoas dizer: 'Lá vai o neto da bruxa'. Não foi fácil. Fomos vítimas de chacota, não só por sermos pobres mas também por sermos chineses. No meu caso, por exemplo, inventavam-me nomes. Chamavam-me 'Choy-Roy-Foy-Coy-Moy...', tudo acabado em oy." Mas Pedro foi educado para ser forte. O pai ensinou-o a dar como resposta: "Pois é. É por isso que sou melhor do que tu."

Pedro Choy e os irmãos cresceram e fortaleceram-se, num ambiente hostil. Apesar da pobreza, os "filhos da chinesa" e "netos da bruxa" nunca andaram sujos nem nunca passaram fome: "Podíamos usar roupas usadas, velhas, dadas, mas estavam limpas. Podia não haver dinheiro para comprar carne mas tínhamos, pelo menos, arroz todos os dias. Arroz e leite. Não passávamos fome, do ponto de vista quantitativo."
Passar fome, passou mais tarde, enquanto estudante universitário. Quando pediu uma bolsa de estudo e a viu recusada, Pedro Choy sentiu uma revolta grande. "Eu era a pessoa mais pobre do meu curso. Se eu não tinha direito à bolsa, quem é que tinha? Investiguei e descobri que os bolseiros eram filhos de empresários, que pura e simplesmente não faziam declarações de rendimentos."

E assim, sem bolsa, foi trabalhar. De resto, mesmo antes de entrar para a faculdade, aos 14 anos, prevendo qualquer dificuldade tentou armazenar dinheiro e trabalhou na Compal, em Almeirim. Era higienista, nome pomposo que, na prática, significava lavar a fábrica toda. "Foi o cargo que escolhi porque era o mais bem pago. Tinha um subsídio de risco porque era necessário lavar as máquinas por dentro. E às vezes havia acidentes. Além disso, era preciso carregar às costas sacos de 50 quilos de soda cáustica. E a soda cáustica, como o nome indica, é...cáustica."

Além desse trabalho, teve outros: na apanha do tomate, nas vindimas, como servente de pedreiro. Mas o dinheiro amealhado não foi suficiente e, na universidade de Coimbra, onde foi tirar Medicina, passou fome. "Comia uma vez por dia, ao almoço, na cantina da universidade de Coimbra. Não tocava na maçã e no pão. Embrulhava-os e levava para casa, para me servirem de ceia. É difícil dormir quando se tem fome."

Para dar a volta, rompeu com uma das suas convicções, a de que ensinar karaté devia ser gratuito. "A fome faz repensar algumas convicções". Algum tempo depois de se tornar mestre de karaté, convidaram-no para ser segurança. Foi segurança de discotecas e, mais tarde, foi convidado para ser guarda-costas. "Fui guarda-costas de algumas figuras conhecidas por esse mundo fora. Era contratado para fazer reforço de segurança, ou seja, em circunstâncias de perigo. Isso permitia-me trabalhar durante duas semanas, três semanas, um mês, a remunerações absolutamente impensáveis."

Pedro Choy chegou ao 4º ano de Medicina mas depois interessou-se mais por um curso de Medicina Tradicional Chinesa, na Universidade de Marselha. Os outros dois irmãos são médicos e a irmã é bióloga e uma das mais reputadas investigadoras na área da genética. Uma família de vencedores. Talvez porque o pai sempre lhes tenha exigido o máximo, que fossem os melhores. Talvez porque cresceram a ver a mãe num empenho extraordinário para cuidar de quatro filhos numa terra estranha, onde era vista como um extra-terrestre. Talvez porque sim, porque lhes está na massa do sangue. Pedro Choy tem 18 clínicas, espalhadas por todo o país, ostentando o seu nome, um nome que foi alvo de zombaria e que hoje é um nome de sucesso. Ninguém diria que o homem por detrás do nome nasceu pobre. Mas nasceu. Muito pobre. A prova provada de que é possível mudar o destino. Ou, como diz o provérbio chinês: "É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão."

* Texto publicado na revista Nós, do Jornal i, de Sábado, 27 de Fevereiro de 2010

segunda-feira, 6 de junho de 2011

CRISTÓVÃO COLOMBO ERA PORTUGUÊS

COLOMBO PORTUGUÊS-NOVAS REVELAÇÔES: Prueba que la historia estaba equivocada. 500 años de burla revelados. El navegante era un espía y conspirador, un agente secreto al servicio del rey de Portugal. Colón no buscó financiación en la Corte de los Reyes Católicos porque le hubieran dado calabazas en el país vecino, sino que esta circunstancia obedeció a una hábil y siniestra maniobra: vender a los castellanos un nueva ruta hacia las Indias para dejar libre a los portugueses la vía verdadera sin que hubiera intromisión por parte castellana. Sostiene la imposibilidad de que un tejedor de lana llegue a casarse con Felipa Muñiz, una comendadora de la Orden de Santiago cuyo matrimonio debía aprobar el mismísimo monarca luso. Aunque parezca mentira, no son las únicas revelaciones sorprendentes del nuevo libro de Manuel Rosa (www.1492.us.com). Otra de las novedades como el viaje formaba parte de esa conspiración, Cristóbal Colón dio a su regreso a Castilla medidas erróneas sobre aquellas nuevas tierras de forma deliberada y no por ignorancia, sino para persistir en el engaño y la confusión de quienes le pagaban. -R. PÉREZ BARREDO (Diario de Burgos)

PORTUGAL - O ALENTEJO

PORTUGAL, FILME PROMOCIONAL

A HORA DA POSTROIKA



http://www.youtube.com/watch?v=XcpSBulFFEg&feature=player_embedded

A VITÓRIA DO PSD NAS ELEIÇÕES PORTUGUESAS

Por mais que o PSD grite vitória, a verdade é que o resultado destas eleições é uma vitória de Pirro. Mas a democracia tem destas armadilhas e perversidades: entrega o poder a quem tem mais votos não a quem tem melhor ideologia. Aliás, a ideologia nada vale frente à demagogia. No caso português ganhou quem defende de modo igualmente válido e verdadeiro duas teses opostas: as leis de um mercado predador e ferozmente liberal (na convicção de que só este cria riqueza) e o desenvolvimento social e humano da população.
Nunca os donos do capital abrirão mão dos seus lucros e privilégios a favor daqueles que lhes
prestam serviços. Os trabalhadores nunca deixarão de ser mão de obra, bons quanto mais baratos
forem. É a lógica natural da multiplicação de dividendos que torna impossível conciliar o irreconciliável.  Por isso se tornam necessários governos com preocupações sociais. Os governos, no conflito que opõe classes de cidadãos devem servir de juízes.
É hoje consensual que a actual crise económica mundial, que atirou com centenas de milhões de trabalhadores para o desemprego, se ficou a dever única e exclusivamente à especulação financeira daqueles que, muito justamente (de acordo com a sua ideologia) gostam de multiplicar os números dos lucros a partir do nada. Supremo milagre. Mas todos sabemos, intimamente, que os milagres não passam de fantasia.
O capitalismo moderno passou a considerar arqueologia a criação de riqueza a partir da indústria, da agricultura e das pescas. Produzir bens palpáveis, verdadeiramente transacionáveis, criadores de emprego é um serviço sujo, trabalhoso, próprio das economias emergentes. O capitalismo ocidental tornou-se preguiçoso e viciante como um jogo de casino. Ilude-se pois quem pensa que é sua preocupação o desenvolvimento harmonioso e sustentado da economia, a distribuição de riqueza. O objectivo único dos especuladores é a acumulação de fortunas improdutivas que sonegam recursos para fins inconfessáveis. Em Portugal, o que aconteceu com o BPN é o exemplo mais destacado do crime que beneficia uns poucos e acaba por ser suportado pelos contribuintes. O que foi feito dos milhares de milhões de euros desaparecidos deste Banco para lugar nenhum? Ninguém sabe nem ninguém, do poder, parece estar preocupado em conhecer-lhe o paradeiro.

Mais do que fazer frente à crise portuguesa, Pedro Passos Coelho, futuro primeiro-ministro, enfrentará este criminoso conceito de desenvolvimento do capitalismo ocidental. Será ele capaz de ultrapassar os seus preconceitos? Estou em crer que não! O líder do PSD não encontrará soluções para o descalabro económico português prisioneiro que está, em termos ideológicos, deste perverso esquema de criação de riqueza.
Não basta reduzir o défice, será necessário criar verdadeira riqueza e distribuí-la por todos. Criar emprego.
Torna-se necessário recordar aqui que foi Cavaco Silva,  antigo primeiro-ministro social-democrata, que acabou com a agricultura e pescas portuguesas, trocando-as com a União Europeia por auto-estradas. O desemprego dos portugueses começou aí.
O tempo é o melhor conselheiro de todos. Não tardará muito para que aqueles portugueses que deram o poder a Passos Coelho se mostrem arrependidos e venham para a rua reclamar. É que ninguém parece ter percebido que a solução para a crise não passa por uma luta entre personalidades (Sócrates e Passos Coelho). A raíz do mal tem fundamentos ideológicos.

A verdade é que o PSD governará contra a maioria dos portugueses.

PSD................................................. 2.145.450 eleitores
CDS................................................     652.194     "
PS...................................................  1.557.864     "
PCP................................................     440.850     "
BE..................................................     288.076     "
Conjunto de pequenos partidos......     246.228     "
ABSTENÇÃO................................ 3.875.022     "
VOTOS NULOS............................       75.280
VOTOS EM BRANCO..................     148.058

Ou seja, 6.783.572 portugueses não se identificaram com o projecto eleitoral do PSD!

A acreditar na evidência dos sinais, Passos Coelho  formará governo com Paulo Portas.
Mesmo assim, PSD e CDS juntos apenas somarão 2.797.644 portugueses, ou seja, 6.131.378 cidadãos não se identificam com o governo que sair desta coligação.

Aceitar com um encolher de ombros estes números é preocupante para a saúde da democracia e um sinal de aviso de perigo para aqueles se obstinam em resolver a crise contra a vontade da maioria.

AOC

PARA QUEM USA SERVIÇOS BANCÁRIOS PELA INTERNETE

Quando for fazer uso dos serviços bancários pela internet, siga as 3 dicas abaixo para verificar a autenticidade do site:

1 - Minimize a página . Se o teclado virtual for minimizado também, está correcto. Se ele permanecer no ecran sem minimizar, é pirata! Não tecle nada.

2 - Sempre que entrar no site do banco, digite a SUA SENHA ERRADA na primeira vez. Se aparecer uma mensagem de erro significa que o site é realmente do banco, porque o sistema tem como verificar a senha digitada. Mas se digitar a senha errada e não acusar erro é mau sinal. Sites piratas não tem como conferir a informação, o objectivo é apenas capturar a senha.

3 - Sempre que entrar no site do banco, verifique se no rodapé da página aparece o ícone de um cadeado; além disso clique 2 vezes sobre esse ícone; uma pequena janela com informações sobre a autenticidade do site deve aparecer. Em alguns sites piratas o cadeado pode até aparecer, mas será apenas uma imagem e ao clicar 2 vezes sobre ele, nada irá acontecer. Os 3 pequenos procedimentos acima são simples, mas garantirão que você não seja vítima de fraude virtual.

SEJA SOLIDÁRIO, RENVIE AOS SEUS AMIGOS.